Publicação mensal sobre Relações Internacionais

Página inicial do VOX MAGISTER

Tag: Teoria e Epistemologia

Feminismos e Relações Internacionais: uma generificação conceitual*

Feminismos e Relações Internacionais: uma generificação conceitual*

Murilo Mesquita
Por Murilo Mesquita** As teorias feministas, no campo de estudo em Relações Internacionais, se expandem desde 1990, de modo que se tornam cada vez mais evidentes. Essa proliferação se dá a partir da tentativa de romper com noções masculinizadas de conceitos centrais a esse campo de estudo, tais como Estado, segurança e guerra. Essas abordagens buscam introduzir a noção de gênero como chave-explicativa para entender as relações de poder da cena internacional (TRUE, 2005). Com esta tomada de posição, as teorias feministas, junto às abordagens pós-modernas, construtivistas e da teoria crítica, contestam o poder e a produção de conhecimento das escolas que fazem parte do mainstream teórico das Relações Internacionais (RI). Esse mainstream teórico, ou como denominam as abordagens feministas
Idealismo e Realismo nas Relações Internacionais Contemporâneas: uma proposta de análise – Parte 2

Idealismo e Realismo nas Relações Internacionais Contemporâneas: uma proposta de análise – Parte 2

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Inspirados na obra de Carr, E.H., apresentamos, na primeira parte deste texto, uma proposta de discussão sobre a nova roupagem utópico-idealista presente nos discursos acadêmicos e políticos atuais e que se expressa, fundamentalmente, a partir das premissas da democracia neoliberal que marcou o final do século XX e os primeiros anos do XXI. Nesta segunda parte, analisamos, brevemente, a manutenção das premissas realistas que buscam reafirmar a imutabilidade estrutural das relações internacionais, pautadas, essencialmente, na securitização do mundo a partir das chamadas novas ameaças. Tal análise remonta à Maquiavel (2000) - ao mostrar que o interesse primeiro do Estado é a sua própria segurança e preservação - e se ancora também numa visão hobbesiana do esta
Pesquisa Qualitativa, Estudos de caso e Process-tracing na Análise de Política Externa Contemporânea

Pesquisa Qualitativa, Estudos de caso e Process-tracing na Análise de Política Externa Contemporânea

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Estudos de Caso e Análise de Política Externa Desde os seus primórdios  ainda nos anos 1950 e 1960 , a Análise de Política Externa (APE)  tem reservado um espaço importante para a aplicação dos estudos de caso na compreensão dos fenômenos de poder  que se desenvolvem em função da busca das metas dos Estados na arena política internacional. Enquanto subcampo da Ciência Política e das Relações Internacionais, a  APE possui historicamente um foco particular  no exame da formação das preferências dos atores e nos processo decisório como uma forma de análise causal. O estudo de casos  tidos como “exemplares” encontrados no “baú de exemplos” da história das relações internacionais  figura de modo destacado em considerável parcela dos trabalhos sobre política extern
Idealismo e Realismo nas Relações Internacionais Contemporâneas: uma proposta de análise (1)

Idealismo e Realismo nas Relações Internacionais Contemporâneas: uma proposta de análise (1)

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Dentre as várias possíveis análises sobre o cenário internacional atual, este texto busca provocar, em duas partes, uma discussão sobre as novas roupagens das correntes idealista e realista. Aquela buscando restaurar as premissas da democracia neoliberal que marcou o final do século XX e o início do XXI; esta pautada, fundamentalmente, na securitização do mundo a partir das chamadas novas ameaças. Pensando na primeira proposição, tal como no período entreguerras analisado por Carr, há, nos discursos acadêmicos e políticos atuais, uma abordagem utópica/idealista presa aos preceitos neoliberais anunciados pelo chamado Consenso de Washington da década de 1980. Esta corrente parte do pressuposto de que a crise mundial iniciada em 2008 é algo passageiro, um contr
Para Pensar as Cartografias de Poder Geopolíticas

Para Pensar as Cartografias de Poder Geopolíticas

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Apesar de ser difícil encontrar a disciplina Geopolítica no currículo de cursos de graduação em Relações Internacionais no Brasil, a triade geografia/ história/ poder permeia tanto a imaginação do internacionalista como também várias análises da história e conjuntura internacional. Contudo, o alardeado processo de Globalização e a aceleração no desenvolvimento e difusão de tecnologias, civis e militares, faz parecer que o fruto da inventividade humana, seus produtos e processos, tenham subvertido o primado do espaço como componente fundamental da compreensão da realidade e do poder. Baseado nestes breves apontamentos, este ensaio enseja, de forma simples e clara, apresentar ao internacionalista a relevância de pensar Geopolítica, de incoporar à análise a dimen
O Papel das Potências Regionais Emergentes No Sistema Global

O Papel das Potências Regionais Emergentes No Sistema Global

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* A segunda metade dos anos 1980 testemunhou a redefinição do panorama geoestratégico internacional ensejada pelo desmantelamento do bloco soviético e do fim do conflito bipolar.  Esse mesmo período é marcado pelo inicio da recuperação da crise econômica pela qual passavam os países ocidentais que havia sido deflagrada na década anterior em consequência do choque do petróleo de 1973. O próprio perfil da economia mundial começou a se redefinir nessa mesma época em função do aprofundamento interdependência econômica que gerou os fluxos integrados de capital e investimento em escala mundial (Chesnais, 1996 ). Todos esses processos ganharam maior sentido e propriedade mediante a revolução de tempo e espaço gerada pelo desenvolvimento da moderna tecnologia de informaç
Relações Internacionais: teorias para quê?

Relações Internacionais: teorias para quê?

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Teorias para quê? À primeira vista, a pergunta parece simplória, desnecessária, gerando, aparentemente, respostas óbvias e certeiras. Entretanto, esta indagação tem acompanhado as pesquisas em diversas áreas das Ciências Humanas e, mais especificamente, os estudos dos fenômenos internacionais. Conforme afirma Bedin (2000, p.62), uma teoria das relações internacionais é “uma visão, uma interpretação, uma perspectiva dos fenômenos internacionais ou mundiais, amparada em algum método, cuja pretensão é explicar e dar sentido para os fatos que estão se desenrolando no cenário internacional.” De um modo geral, podemos demonstrar a importância da teoria a partir de três pontos, a saber: o necessário ordenamento racional da realidade, a análise do objeto para além d
A estatocentricidade das relações internacionais: um paradigma ainda persistente. Até quando?

A estatocentricidade das relações internacionais: um paradigma ainda persistente. Até quando?

Thales Castro
  Por Thales Castro* O Estado é o principal componente do amplo fenômeno personificado da interação internacional. Como peça-chave na relação sujeito-objeto internacional, o Estado tem centralidade e prerrogativas unívocas que o distingue, de forma pontual, de outros atores internacionais.[1] Não se pode conceber o estudo do Estado (estatologia) sem sua relação direta com o poder (cratologia) que será analisado no próximo capítulo. Na verdade, Estado e poder se confundem em uma lógica própria e intrínseca de cientificidade política internacional.[2] O Estado nacional é criação, relativamente, recente no amplo dínamo histórico da humanidade. O Estado foi forjado na violência e, como tal, representa a priori a lógica de manifestação e materialização das forças sociais de profundo e
Estratégias de Operacionalização de Conceitos Teóricos

Estratégias de Operacionalização de Conceitos Teóricos

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Se pensarmos na evolução das Relações Internacionais veremos que conceitos teóricos são centrais na nossa compreensão estruturada do mundo. Entre estes, dicotomias teórico-conceituais possuem um local especial no campo. Por exemplo, em oposição à Paz, a Guerra – pensada através da teoria clausewitziana –representa a manifestação fática de um fenômeno apreensível à luz da razão e da História. Destarte a relevância de conceitos teóricos e dicotomias, se faz necessário indagar: como operacionalizar a ideia de guerra em termos empíricos? De uma forma geral, indo além do conceito Guerra, como classificar e mensurar conceitos teóricos abstratos? Como avaliar sua presença e efeito? Na prática, estas indagações nos remetem a um desafio comum nas Ciências Sociais: conve
Por que estudar teoria dos jogos? Lições de Allison e Zelikow (1999).

Por que estudar teoria dos jogos? Lições de Allison e Zelikow (1999).

Irene Rodrigues Gois, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Irene Rodrigues Gois* Rodrigo Barros de Albuquerque** A teoria dos jogos (TJ) surgiu a partir da teoria da escolha racional e se desenvolveu em diversas áreas, como a economia, a ciência política e as relações internacionais, esta última sendo o principal enfoque deste texto. A TJ utiliza-se de modelos matemáticos que asseguram maior precisão analítica. Através desses modelos - o dilema do prisioneiro, o jogo do galinha e a batalha dos sexos, por exemplo -, busca-se contribuir para a análise estratégica dos eventos que envolvem barganha, antecipando as melhores ações em cada cenário possível. Dada a adoção da perspectiva racional, as decisões consequentes do emprego desses modelos baseiam-se na maximização de resultados por meios que proporcionem menores custos e maiores benefícios