Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Segurança Internacional

A aposta de Erdogan: como os excessos do presidente e a tentativa de retomada do poder pelos militares fragilizam a democracia na Turquia

A aposta de Erdogan: como os excessos do presidente e a tentativa de retomada do poder pelos militares fragilizam a democracia na Turquia

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Um Golpe em Andamento Na última sexta-feira o mundo foi surpreendido por imagens de tiroteio e blindados nas ruas de Istambul. O Exército turco iniciara a tomada do poder para, segundo um general, "preservar a ordem democrática". Os excessos praticados pelo líder Turco Tayyip Erdogan, desafiando a ordem secular instaurada no país, e a sua dificuldade de lidar com os problemas de segurança em face do terrorismo, do conflito na Síria e das pressões dos russos  pesaram na decisão das forças armadas. Os relatos desencontrados  mostraram uma infowar que tornava difícil saber o que realmente estava acontecendo na Turquia. Porém, uma coisa era certa: o mundo se via diante de mais um episódio tenso da segurança internacional. A guerra de versões continuou. Os militar
O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular : a conduta operacional do neoterrorismo político religioso  (Parte II)

O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular : a conduta operacional do neoterrorismo político religioso (Parte II)

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* O último texto discorreu em linhas gerais sobre  as grandes linhas do terrorismo  enquanto estratégia de guerra assimétrica (impacto psicológico e publicização). Da mesma forma, foram discutidas as características do neoterrorismo religioso e o extensivo emprego da “propaganda pelo ato” por parte dos radicais islâmicos ocorrido em período mais recente.  No presente artigo examina-se sumariamente algumas das principais  táticas associadas ao neoterrorismo religioso e suas implicações para a segurança internacional. As organizações que recorrem ao terrorismo como instrumento de luta não convencional foram grandemente dinamizadas pela introdução de novas tecnologias informacionais e pela redefinição de tempo e de espaço provocada pelo fenômeno da globalização. A
Tráfico humano: ascensão do tema na agenda política internacional*

Tráfico humano: ascensão do tema na agenda política internacional*

Andrea Steiner, Camilly Regueira
Por Camilly P. Regueira** Andrea Q. Steiner*** O tráfico humano é um fenômeno que atinge milhões de pessoas ao redor do mundo. Sua existência é uma grave violação de direitos humanos, uma vez que suas vítimas têm sua liberdade cerceada a fim de serem exploradas. Como um tipo de crime organizado transnacional, o tráfico humano precisa ser combatido dentro e fora das fronteiras nacionais. Desse modo, a fim de olhar de forma integrada para o que os Estados estão fazendo para enfrentar este problema, ao longo do tempo foram criados instrumentos internacionais para agir nesse sentido. Aqui apresentaremos, de forma breve, um histórico da entrada e evolução do tema na agenda internacional. No início do século XX, em 1904, houve a primeira manifestação legal sobre o problema, com o Acordo Int
O Conselho de Segurança da ONU e o Brasil: revisitando velhas e novas teses

O Conselho de Segurança da ONU e o Brasil: revisitando velhas e novas teses

Thales Castro
Por Thales Castro* Ontem fui convidado pelo Itamaraty para participar de um evento internacional no Palácio sobre o presente e o futuro do Conselho de Segurança da ONU, articulando algumas linhas gerais para a política externa brasileira. Lá estavam vários embaixadores estrangeiros e várias personalidades.Minha fala, em linhas gerais, foi na linha de que a tese de defesa da posição brasileira na tentativa de buscar uma cadeira permanente ainda é válida, porém precisará de atualizações contextuais e de senso de realismo engajado na compreensão, de forma ampla e crítica, sobre as engrenagens e dinâmicas da ONU e do Conselho de Segurança, em particular. Mister se faz uma revisão crítica sobre a ONU e seu CS – aproveito aqui a oportunidade para tecer alguns dessas visões críticas. Pade
“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Para quem é fã de Game of Thrones e ao mesmo tempo estuda temas ligados à Guerra, Estratégia e Segurança Internacional, a “Batalha dos Bastardos” é um excelente exemplo para analisar como forças em desvantagem numérica e cometendo equívocos táticos vencem batalhas. Apesar do mistério sobre essa estranha relação causal se dever muito mais à pena de R. R. Martin, para fins didáticos, vale a pena fazer um exercício de análise estratégica sobre este evento fictício. Para tal, o texto a seguir apresenta de forma breve um conjunto de erros e acertos de ambos os comandantes militares engajados no conflito: Jon Snow (Stark) e Ramsay Bolton. Nossa principal linha de raciocínio é que o resultado da batalha, uma vitória estratégica de Snow, se deveu mais aos equívocos tát
O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular: a conduta operacional do neoterrorismo político religioso  (Parte I)

O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular: a conduta operacional do neoterrorismo político religioso (Parte I)

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Terrorismo pensado em sentido amplo O Ocidente ainda está chocado com os  recentes atentados perpetrados com explosivos e armas automáticas contra civis concentrados em locais públicos na Europa e nos Estados Unidos. Diante do assombro provocado pela violência dos atos, a comunidade internacional busca novamente conceituar e discutir as causas e o modus operandi do terrorismo. Nenhum conceito formal ou categoria analítica é perfeitamente capaz de definir  com eficácia jurídica e sócio política toda a vasta gama de organizações e práticas de guerra irregular que constituem aquilo que ao longo da sucessão histórica pode ser chamado de terrorismo. A  exemplo do que fazem os principais serviços de segurança e do mundo na contemporaneidade, a Agência Brasileira
A Securitização do Espaço Cibernético e a Estratégia De Cibersegurança da União Europeia

A Securitização do Espaço Cibernético e a Estratégia De Cibersegurança da União Europeia

Thaynar Dantas
Por Thaynar Dantas* O conceito de cibersegurança surge em meados da década de 1990, em resposta à crescente mescla entre inovações tecnológicas e as mudanças nas condições geopolíticas. Atualmente, com a crescente dependência tecnológica e o aumento das vulnerabilidades, a segurança cibernética tem se consolidado como ponto de debate e preocupação entre entidades públicas e privadas. Como ressaltado por Singer e Friedman, as ameaças ao bom funcionamento dos sistemas surgem de agentes intencionais ou de ameaças sistêmicas, criando situações perigosas não só para eles mesmos, como para todo o ambiente em que se inserem. Um dos pontos cruciais para a cibersegurança é saber como prevenir ou combater os ataques que decorrem dessas ameaças, já que na maioria das vezes é impossível provar de o
EUROPOL, uma agência de policiamento que atua contra o Terrorismo de cunho religioso?

EUROPOL, uma agência de policiamento que atua contra o Terrorismo de cunho religioso?

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* Os últimos atentados de março de 2016 em Bruxelas somam-se aos diversos ataques em solo europeu realizados por grupos que se valem do terrorismo como manifestação de força. A autoria destes atentados foi assumida pelo Estado Islâmico. Grupo este que também assumiu a autoria dos atentados em novembro de 2015 em Paris. O que chama a atenção é o número de vítimas fatais destes atentados, que vão contra a tendência recente de atentados de motivação religiosa dentro da União Europeia. Mas qual o tipo de terrorismo é o mais frequente na Europa, qual tipo produz o maior número de atentados e qual o que apresenta o maior número de condenações? A resposta emotiva a basear-se no número de mortes seria o terrorismo de cunho religioso, do qual fazem parte estes últ
A China e a sua modernização militar

A China e a sua modernização militar

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* A ascensão chinesa tem gerado muitos questionamentos sobre as “pretensões” chinesas nesse momento de realinhamento do poder mundial. Na sua política externa e de defesa, a China tem apresentado mudanças importantes. Ela passou a caminhar com as “duas pernas” nas suas relações com o mundo exterior, priorizando os elementos multilaterais de política externa, bem como a construção unilateral de seus recursos econômicos, políticos e militares (BELLO & GREBREWOLD, 2010, p.216). Um dos elementos que causa maior preocupação entre os seus vizinhos é que a China investe uma grande quantidade de recursos na modernização das suas Forças Armadas desde o início dos anos 1990. Além da defesa territorial do país e das suas fronteiras, a extensão do alcance estra
Desafios e dilemas do enfrentamento ao Estado Islâmico

Desafios e dilemas do enfrentamento ao Estado Islâmico

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Os últimos atentados terroristas perpetrados pelo grupo autodenominado “Estado Islâmico” em Paris, França, no dia 13 de novembro deixou 130 mortos e outra centena de feridos. A materialização desse ataque levantou dúvidas sobre a eficácia do setor de inteligência francês que não conseguiu prever os golpes desferidos contra a casa de shows Bataclan, o Stade de France e outros pontos da cidade. O massacre dos 12 cartunistas do semanário Charlie Hebdo, no dia 7 de janeiro, realizado pelos irmãos Said e Cherif Kouachi, e outra investida, no mesmo dia, ao um supermercado Kosher da comunidade judaica também foram reivindicados pelo grupo extremista. A organização terrorista assumiu a autoria do atentado a bomba que derrubou o avião russo na península do Sinai.