Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Segurança Internacional

Coreia do Norte e a administração Trump – cenários de crise

Coreia do Norte e a administração Trump – cenários de crise

Carlos Eduardo Valle Rosa
Por Carlos Eduardo Valle Rosa* Em 26 de setembro de 2017, a Universidade Potiguar, em Natal-RN, promoveu a II Semana de Relações Internacionais e Comércio Exterior, na qual esta comunicação foi apresentada na Mesa-Redonda “O que esperar do Governo de Donald Trump?”. O artigo é uma síntese da apresentação e aborda os principais cenários futuros da crise na Península Coreana. Um importante analista de cenários, Michel Godet, professor por 32 anos no Conservatório Nacional de Artes e Negócios, na França, onde atuou na disciplina de Prospecção Estratégica, afirmou que “Todos os que pretendem predizer ou prever o futuro são impostores, pois o futuro não está escrito em parte alguma, ele está por fazer.” (GODET; ROUBELAT, 1996, p. 164). A intenção não é realizar um exercício de futurologia,
Ataques, Armas e Guerra Cibernética

Ataques, Armas e Guerra Cibernética

Thaynar Dantas
Por Thaynar Dantas* Com o ataque cibernético em massa iniciado na semana passada, que atingiu hospitais, empresas e entidades em mais de 70 países, muito tem se discutido sobre segurança cibernética e sobre como lidar com ataques de tal magnitude. Ainda que diminuir as vulnerabilidades trazidas pela alta dependência tecnológica dos mais diversos setores da sociedade permaneça um desafio, é imprescindível entender os diversos tipos de agressões que podem ser empregadas no espaço cibernético e o papel dos Estados neste âmbito. Singer e Friedman (2014) mencionam que no âmbito do ciberespaço o termo “ataque” tem sido utilizado para caracterizar desde protestos online, a sabotagem de pesquisas nucleares e até atos de guerra, concebendo-os enquanto ações similares apenas por envolverem tecnol
Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança               de poder Com a Rússia?

Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança de poder Com a Rússia?

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Contrariando todas as pesquisas o magnata Donald Trump chegou à Casa Branca. A postura do novo governo americano com relação à segurança na Europa e na Ásia é alvo de profundo interesse e preocupação da comunidade internacional.  A política de projeção de poder da Rússia de Putin e o chamado pivô asiático se colocam como temas da mais alta relevância para Washington. Depois de iniciada a gestão, os analistas afirmam que é bastante razoável acreditar que boa parte das promessas de campanha de Trump não possam ser efetivamente cumpridas por não serem factíveis em termos políticos e econômicos[1]. Apesar disso, por tudo o que pôde ser visto durante o tenso processo eleitoral, em nenhuma outra área Donald Trump teve uma opinião tão diferente da política dos Estado
O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

Marco Tulio Delgobbo Freitas, Renato Prado Kloss
Por Marco Tulio Delgobbo Freitas* Renato Prado Kloss** No dia 18 de janeiro de 2017, a força aérea israelense declarou que entrou em operação o seu mais novo sistema de interceptação antimísseis: o Arrow 3. Este novo sistema, propicia uma melhor performance em sua rede de defesa, baseada em multicamadas, contra mísseis balísticos. Projetado para voar o dobro do alcance e com metade do peso do Arrow 2, este novo sistema permite a Israel a consolidação de seu sistema de defesa antimísseis, já testados e aprovados durante a Operação Iron Dome, principalmente contra os mísseis balísticos que possuem a mesma tecnologia do míssil norte-coreano BM-25 Musudan, como é o caso dos mísseis classe Shahab-3 do Irã (DAILY MAIL, 2016). O sistema antimísseis elaborado por Israel é uma resposta para u
A violência sexual como arma de guerra

A violência sexual como arma de guerra

Mariana Vieira de Mello Costa
Por Mariana Vieira de Mello Costa* A violência contra a mulher, forma de violação aos direitos humanos decorrente da desigualdade nas relações de gênero, é classificada por Portella (2005) concomitantemente como produto e como elemento estrutural na subordinação das mulheres. Podem ser consideradas “violência contra a mulher” as diversas modalidades de violações aos direitos humanos, tais como a violência de gênero, a violência sexual, a violência física, a violência doméstica, entre outras. A violência sexual, por sua vez, é classificada pela Organização Mundial de Saúde (2002) como qualquer ato sexual ou tentativa de obtenção de ato sexual por violência ou coerção, comentários ou investidas sexuais indesejados, atividades como o tráfico humano ou diretamente contra a sexualidade de u
O que realmente importa para o Brasil no debate sobre as bases russas na Venezuela?

O que realmente importa para o Brasil no debate sobre as bases russas na Venezuela?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto W. M. Teixeira Júnior* Recentemente, um tema de política internacional de incomum repercussão pública voltou a tomar conta do noticiário: a possibilidade de implantação de novas bases militares na América do Sul por parte de potências extrarregionais. Nesta ocasião, a potência em questão é a Rússia. Entre aqueles que reverberaram a questão está o ex-embaixador Rubens Barbosa, agora presidente do Instituto de Relações e Comércio Exterior. Assumindo uma postura clara e direta, distinta da esperada de um diplomata, Barbosa apresentou um conjunto de argumentos em que afirma ser “inaceitável haver em nosso entorno de paz e cooperação bases de potência extrarregional” (BARBOSA, 2016, s/p), leia-se a Rússia. De fato, o ressurgimento do tema em apreço no contexto em que as relações
A contenção dos indesejáveis: imigração, refugiados e a retórica do UKIP

A contenção dos indesejáveis: imigração, refugiados e a retórica do UKIP

Andrya Mickaelly da Silva Santos, Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Andrya Mickaelly da Silva Santos** Os líderes da União Europeia se reuniram nesse sábado (24/09/2016) para discutir mecanismos para frear a imigração e alternativas para a crise migratória que afeta o bloco. Longe de atingirem um consenso, os chefes de governo buscam fechar a rota de migração pelos Bálcãs, que foi o caminho para o contingente de refugiados que entraram pela Grécia querendo chegar à Alemanha. O acordo migratório firmado entre a UE e a Turquia em março deste ano diminuiu o fluxo para as ilhas gregas. A ideia da liderança europeia é de firmar outros acordos como esse com países como o Níger, Egito, Paquistão e Afeganistão. Mas e como a crise dos refugiados e da imigração se desenvolveu? Faremos uma breve análise da Guerra Civil Síria, os
Assassinatos em massa, violência e controle de armas: algumas evidências internacionais

Assassinatos em massa, violência e controle de armas: algumas evidências internacionais

Antonio Henrique Lucena Silva, Bruna Valença Bacelar, Juliano Cesar Shishido Goes
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Bruna Valença Bacelar** Juliano Cesar Shishido Goes*** No último dia 12 de junho, os Estados Unidos sofreram um outro massacre realizado com armas de fogo automáticas, desta vez em uma boate frequentada por homossexuais, em Orlando. Este foi o maior assassinato do gênero na história do país, deixando 50 mortos, incluindo o responsável pelos tiros que foi alvejado pela polícia, e 53 feridos. O executor, Omar Mateen, de origem afegã, pouco antes do ato entrou em contato com a polícia e jurou fidelidade ao Estado Islâmico, o grupo assumiu a responsabilidade do ataque algumas horas depois. Apesar da declaração do pai e da esposa do atirador quanto a sua pouca religiosidade, o caso não foi considerado pela polícia norte-americana como um ato de terroris
A caracterização do tráfico humano como problema político internacional*

A caracterização do tráfico humano como problema político internacional*

Andrea Steiner, Camilly Regueira
Por Camilly Regueira** Andrea Steiner*** O tráfico de pessoas é um problema grave que afeta, anualmente, pessoas de todas as partes do mundo. O último Relatório Global sobre o Tráfico de Pessoas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, referente ao ano de 2014, revela que 49% das vítimas são mulheres adultas. Logo depois vêm as crianças, com 33%. Homens também são explorados, mas em menor escala. As mulheres vitimadas são geralmente jovens adultas, com baixa escolaridade, oriundas de classes populares, com algum vínculo familiar (geralmente com filhos, mas solteiras) e com dificuldades em conseguir emprego (Leal e Leal, 2002; Colares, 2004; Birol, 2013). A maioria dos aliciadores são homens, embora também haja mulheres envolvidas, e a atividade predominante é relacionada
A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

Augusto W. M. Teixeira Júnior, Marco Tulio Delgobbo Freitas
Por Augusto Teixeira Jr.* Marco Túlio Delgobbo Freitas** Na última sexta, dia 15 de julho o mundo viu aturdido a uma tentativa de Golpe de Estado na Turquia. Pouco após o início de unidades militares, por terra e ar, buscarem ocupar importantes postos de comunicação, comando e controle, o Presidente Erdogan se pronunciava para o povo daquele país chamando-o à resistir a tentativa de usurpação violenta do poder por parte de setores das Forças Armadas e grupos civis que os apoiavam. A tentativa de Putsch, rapidamente debelada ainda durante o final de semana passado por setores das Forças Armadas e polícia, traz um conjunto de indagações fundamentais para o quadro de instabilidade internacional contemporâneo. A seguir, discorremos sobre algumas delas. Apesar de não ser um país árabe e ne