Publicação mensal sobre Relações Internacionais

Tag: Política Externa

O estudo da difusão de políticas e o papel das organizações internacionais

O estudo da difusão de políticas e o papel das organizações internacionais

Andrea Steiner, Bruna Bezerra Oliveira
Por Bruna Bezerra Oliveira* Andrea Steiner** Não é de hoje que pesquisadores da ciência política e relações internacionais questionam como as políticas se difundem. Segundo Simmons et al. (2006), a chamada policy diffusion, ou difusão das políticas, ocorre quando as decisões relativas a certas políticas tomadas em dada jurisdição são sistematicamente condicionadas por escolhas tomadas previamente em outra jurisdição. As pesquisas que vêm sendo realizadas nesta área mostram que a difusão de políticas pode ocorrer entre vários tipos de unidades e de atores, bem como em diversas direções. Ademais, vários tópicos vêm sendo abordados, utilizando metodologias diversas. Graham et al. (2013) dividem os estudos de difusão em quatro categorias: 1) política americana; 2) política comparada; 3) r
Animação Suspensa: limites e possibilidades da Política Externa Brasileira no governo Rousseff

Animação Suspensa: limites e possibilidades da Política Externa Brasileira no governo Rousseff

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Em trabalho de grande influência que analisa a política exterior dos presidentes Fernando Henrique e Lula da Silva em perspectiva comparada, Vigevani e Cepaluni (2011) sustentam que, nos seus aspectos mais fundamentais, a administração Lula não promoveu um afastamento da ideia chave de instrumentalizar a política externa, tendo em vista o desenvolvimento econômico, bem como a preservação da autonomia do país. Assim, para os autores, não aconteceu uma ruptura de paradigmas históricos da PEB durante a transição Cardoso/Lula. O governo Dilma se identifica menos com essa lógica de conservação da estratégia de inserção internacional do que seus dois antecessores. Não que as linhas mestras da PEB tenham se perdido. Mas é possível identificar a falta de prioridades cl
Is Argentina back on the world’s map?

Is Argentina back on the world’s map?

Jean Daudelin
Por Jean Daudelin* Argentina has the second largest economy of South America (after Brazil), its third largest population (after Brazil and Colombia) and, in spite of all the problems of recent years, the region's second highest GDP (PPP) per capita (after Chile). It’s a huge country whose agricultural potential and agro-business productivity are phenomenal, it has large reserves of gas and, for almost a century and in spite of recent difficulties, it has boasted one of the best educated population of the continent. And yet, it has had no significant international or even regional presence or influence for at least 50 years. During that period, with brutally authoritarian or utterly dysfunctional democratic political systems, inconsistent public policies, and one of the world's most vol
O Brasil e a crise: o internacional importa?

O Brasil e a crise: o internacional importa?

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* Essa simples palavra de cinco letras tem dominado os noticiários nos últimos meses e muito se questiona se estamos diante de uma crise política reverberando na economia, ou seria de fato uma crise econômica implicando na estabilidade política. Provavelmente ambas estão conectadas, reforçando-se mutuamente. No entanto, pouco se questiona sobre o papel do sistema internacional na crise econômica nacional. Se a crise de 2008 iniciada nos Estados Unidos não afetou o Brasil como afetou outras nações, como apontam alguns analistas, quais seriam então as causas da turbulência atual? Em clássico texto de 1977, Keohane & Nye buscavam entender de que forma as nações estão interligadas no sistema internacional, em uma tentativa de estabelecer parâmetros mínimos para mensur
How much can an election change a country’s foreign policy? A few lessons from the next four years in Canada

How much can an election change a country’s foreign policy? A few lessons from the next four years in Canada

Jean Daudelin
Por Jean Daudelin* On October 18 in Canada, against all pre-electoral forecasts, Justin Trudeau's Liberal Party convincingly defeated Stephen Harper's Conservatives. Over his nine years in power, Harper had taken Canada into policy directions where the country had rarely ventured. Canada's international and domestic image of a generous blue-helmetted bridge-builder has morphed into that of a body-armoured carbon-spewing tough out to re-fight the Cold War and give muslim fundamentalists what they deserve. Canada's careful fence-sitting in the Middle-East, and its diplomats' hyperactivism in all the clubs, summits and organizations that would invite them, was replaced by a strong alignment with the current Israeli government's rigid policies, and with a quiet disinvestment and sometimes o...