Publicação mensal sobre Relações Internacionais

Tag: Política Externa

Chile, México e a questão da liderança na Aliança do Pacífico*

Chile, México e a questão da liderança na Aliança do Pacífico*

Ian Rebouças Batista, Israel Roberto Barnabé
Por Ian Rebouças Batista** Israel Roberto Barnabé*** Oficialmente criada em 6 de janeiro de 2012, na IV Cúpula, a Aliança do Pacífico propõe um processo de integração pautado na circulação de bens, serviços, capitais e pessoas e permite também um pacto de projeção global, especialmente com o Sudeste asiático. Os países-membros são: Chile, México, Peru e Colômbia. Os países observadores (alguns já candidatos a membros plenos do bloco) chegam a trinta: Alemanha, Austrália, Canadá, China, Cingapura, Coréia do Sul, Costa Rica, Equador, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Guatemala, Honduras, Holanda, Índia, Israel, Itália, Japão, Marrocos, Nova Zelândia, Panamá, Portugal, Paraguai, República Dominicana, Reino Unido, Turquia, El Salvador, Suíça e Uruguai. A participação do México n
Relações Internacionais, política internacional, política externa e política estrangeira: quais as diferenças de nomenclatura?

Relações Internacionais, política internacional, política externa e política estrangeira: quais as diferenças de nomenclatura?

Thales Castro
Por Thales Castro* No contexto de sala de aula e mesmo em foros específicos mais aprofundados, é comum, especialmente quando estamos ministrando uma disciplina teórico-introdutória da ciência das Relações Internacionais, deparamo-nos com as nomenclaturas básicas que são objetivo do título desta nossa reflexão. Neste sentido, o objetivo primordial de nossas considerações hoje é no sentido de diferenciar e esclarecer tais pontos, revelando, por seu turno, importantes análises sobre essas bases fundamentais do estudo temático da área internacional. Os termos “Relações Internacionais” e “política internacional”, muitas vezes com letras maiúsculas indicando nomes próprios ou não, são usados de maneira indiscriminadamente como sinônimos – e são efetivamente? A resposta é não. Primeiramente,
Poder Duro e Poder Brando na Política Internacional

Poder Duro e Poder Brando na Política Internacional

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* O estudo do poder, de seus usos e suas possíveis manifestações estão no centro das preocupações da Ciência Política. As derivações internacionais deste ficam a cargo da Política Internacional. Uma das concepções clássicas de poder é a definida por Robert Dahl (1957) e que foi amplamente difundida dentro da área. O poder então consistiria na capacidade que A tem de fazer com que B faça o que A quer. Os meios utilizados para isto são a força ou coerção e o incentivo, em outros termos, o bastão (stick) e a cenoura (carrot). Esta definição se aplica com mais frequência às formas de poder duro, às quais se refere Joseph S. Nye Jr (2002). O poder militar seria o bastão e o econômico a cenoura. Por outro lado, o poder brando ou soft consiste naquele poder não
O regional e o Global: o papel da integração regional para a Política Externa Brasileira diante das mudanças políticas domésticas

O regional e o Global: o papel da integração regional para a Política Externa Brasileira diante das mudanças políticas domésticas

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Um dos maiores óbices para PEB, a  crise política doméstica e a subsequente paralisia administrativa,  parece estar chegando ao seu termo. A despeito da grande polarização entre os grupos governistas e pró-impeachment,  o funcionamento das instituições e a aplicação das normas constitucionais em vigor conduziu ao afastamento temporário da presidente Rousseff, dando posse interina ao vice e ensejando um novo momento para a condução das relações exteriores do país . Em outro artigo, fizemos referência aos os desafios da PEB sob a administração que pode estar se findando precocemente, mostrando que ela se deparava com dificuldades domésticas e internacionais consideráveis. Um dos pontos mais relevantes dizia respeito ao “esvaziamento” da estratégia de hegemonia c
EUROPOL, uma agência de policiamento que atua contra o Terrorismo de cunho religioso?

EUROPOL, uma agência de policiamento que atua contra o Terrorismo de cunho religioso?

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* Os últimos atentados de março de 2016 em Bruxelas somam-se aos diversos ataques em solo europeu realizados por grupos que se valem do terrorismo como manifestação de força. A autoria destes atentados foi assumida pelo Estado Islâmico. Grupo este que também assumiu a autoria dos atentados em novembro de 2015 em Paris. O que chama a atenção é o número de vítimas fatais destes atentados, que vão contra a tendência recente de atentados de motivação religiosa dentro da União Europeia. Mas qual o tipo de terrorismo é o mais frequente na Europa, qual tipo produz o maior número de atentados e qual o que apresenta o maior número de condenações? A resposta emotiva a basear-se no número de mortes seria o terrorismo de cunho religioso, do qual fazem parte estes últ
Pesquisa Qualitativa, Estudos de caso e Process-tracing na Análise de Política Externa Contemporânea

Pesquisa Qualitativa, Estudos de caso e Process-tracing na Análise de Política Externa Contemporânea

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Estudos de Caso e Análise de Política Externa Desde os seus primórdios  ainda nos anos 1950 e 1960 , a Análise de Política Externa (APE)  tem reservado um espaço importante para a aplicação dos estudos de caso na compreensão dos fenômenos de poder  que se desenvolvem em função da busca das metas dos Estados na arena política internacional. Enquanto subcampo da Ciência Política e das Relações Internacionais, a  APE possui historicamente um foco particular  no exame da formação das preferências dos atores e nos processo decisório como uma forma de análise causal. O estudo de casos  tidos como “exemplares” encontrados no “baú de exemplos” da história das relações internacionais  figura de modo destacado em considerável parcela dos trabalhos sobre política extern
Hollowed out: What UNGASS 2016 will tell us about the Global drug regime

Hollowed out: What UNGASS 2016 will tell us about the Global drug regime

Jean Daudelin
Por Jean Daudelin* NPSIA Next week, the United Nations will hold a special general assembly on drug policy. Liberalizers hope that it will be an opportunity to put harm reduction first and to push aside the prohibitionist agenda: the beginning of the end for the disastrous "War on Drugs" of the last 40 years. Most drug use would at least be decriminalized, research on the health effects—positive and negative—of currently illegal drugs would be facilitated, and problematic use of cocaine, heroin, ecstasy, LSD or amphetamine would be seen, along with Fentanyl—as a health and social problem, instead of a crime. Overall it would be a great boon for public health and to some extent public safety too. But such a sharp change at the international level will not happen, no at UNGASS and not i
O Brasil e a Convenção de Bona

O Brasil e a Convenção de Bona

Andrea Steiner, Hugo Alves Mariz de Moraes
Por Hugo Alves Mariz de Moraes* Andrea Steiner** A proteção à fauna migratória representa um caso clássico de cooperação internacional destinada à conservação da natureza. Espécies migratórias são o conjunto da população ou qualquer parte geograficamente separada de animais silvestres, cuja proporção significativa ultrapassa, ciclicamente e de maneira previsível, um ou mais limites de jurisdição nacional. O acordo mais importante que abrange essa temática é a Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (ou simplesmente Convenção de Bona, mais conhecida internacionalmente pela sigla CMS – Convention of Migratory Species). A Convenção de Bona (Bona, Alemanha, 1979) é uma convenção-quadro que visa a proteção das espécies migratórias terrestres, aquáticas
As Potências no Sistema Internacional: as potências médias!

As Potências no Sistema Internacional: as potências médias!

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* O conceito de potência média foi muito utilizado por analistas de relações internacionais durante o século XX, em especial, durante a guerra fria. Referia-se àqueles atores internacionais que se adaptavam ao sistema bipolar articulando interesses de um dos grandes polos. O ponto fundamental para definir uma potência média seria a relação que teria com uma grande potência, pois valeriam mais pela aliança com as grandes potências do que pelo potencial dano que poderiam causar aos atores com maior poder. Martin Wight (2002, p.49) definiu bem esta relação entre as grandes e as médias: uma potência média é uma potência com poderio militar, recursos e posição estratégica de tal ordem que em tempos de paz as grandes potências desejam ter seu apoio. Em tem
O Papel das Potências Regionais Emergentes No Sistema Global

O Papel das Potências Regionais Emergentes No Sistema Global

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* A segunda metade dos anos 1980 testemunhou a redefinição do panorama geoestratégico internacional ensejada pelo desmantelamento do bloco soviético e do fim do conflito bipolar.  Esse mesmo período é marcado pelo inicio da recuperação da crise econômica pela qual passavam os países ocidentais que havia sido deflagrada na década anterior em consequência do choque do petróleo de 1973. O próprio perfil da economia mundial começou a se redefinir nessa mesma época em função do aprofundamento interdependência econômica que gerou os fluxos integrados de capital e investimento em escala mundial (Chesnais, 1996 ). Todos esses processos ganharam maior sentido e propriedade mediante a revolução de tempo e espaço gerada pelo desenvolvimento da moderna tecnologia de informaç