Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Política Externa

Nem tão longe, nem tão perto: onde buscar as variáveis para análise dos constrangimentos internacionais da América Latina

Nem tão longe, nem tão perto: onde buscar as variáveis para análise dos constrangimentos internacionais da América Latina

Ian Rebouças Batista
Por Ian Rebouças* Que os estudantes e analistas das Relações Internacionais (RI), pela própria natureza da área, relevam a política interna dos Estados em suas análises já é amplamente criticado, quase que por todas as teorias que desafiam o mainstream do campo. Os próprios realistas buscam suprir a ausência desse aspecto com a abordagem neoclássica, proposta por autores como Schweller, Zakaria e Wolfhart. Nessa abordagem, que mantém o núcleo dos pressupostos realistas, desce-se ao nível interno dos Estados para que se estude como são formuladas as Políticas Externas e de que forma isso influencia, portanto, a ação estatal no Sistema Internacional (SI). Contudo, o que este texto propõe é fortalecer a necessidade do campo das RI de ir além nos estudos do âmbito interno. Se não tanto quan
Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança               de poder Com a Rússia?

Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança de poder Com a Rússia?

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Contrariando todas as pesquisas o magnata Donald Trump chegou à Casa Branca. A postura do novo governo americano com relação à segurança na Europa e na Ásia é alvo de profundo interesse e preocupação da comunidade internacional.  A política de projeção de poder da Rússia de Putin e o chamado pivô asiático se colocam como temas da mais alta relevância para Washington. Depois de iniciada a gestão, os analistas afirmam que é bastante razoável acreditar que boa parte das promessas de campanha de Trump não possam ser efetivamente cumpridas por não serem factíveis em termos políticos e econômicos[1]. Apesar disso, por tudo o que pôde ser visto durante o tenso processo eleitoral, em nenhuma outra área Donald Trump teve uma opinião tão diferente da política dos Estado
O superpresidencialismo na Rússia de Putin

O superpresidencialismo na Rússia de Putin

Antonio Henrique Lucena Silva, Maria Eduarda Buonafina Franco Dourado
Por Maria Eduarda Buonafina Franco Dourado* Antonio Henrique Lucena Silva**    Introdução O modelo de governo autoritário do atual presidente Vladimir Putin em um sistema que, em teoria, é classificado como democrático, tem se apoiado na Constituição Russa de 1993. Sua principal característica é a hierarquização do poder, sendo o executivo como principal detentor do nível mais alto. O presidente, através dos seus poderes, tem criado mecanismos que o permite obter controle das instituições democráticas do país. O país russo vêm enfrentando uma crise democrática após a entrada de Putin no poder, em que os mecanismos democráticos estão sendo constantemente controlados no seu interior pelo poder executivo. Observando as últimas eleições desde a entrada de Putin no governo até as eleições
Venezuela: da aproximação regional à punição no Mercosul

Venezuela: da aproximação regional à punição no Mercosul

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé*   O caminho da Venezuela pela região sul-americana é marcado por desencontros. Na década de 1950, sob a ditadura de Pérez Jiménez (1953-1958), o país alcançou um papel de destaque na região graças aos dividendos do petróleo. Jiménez foi deposto em 1958 e, com a eleição de Rómulo Betancourt (1959-1964), o país retornou ao regime democrático – justamente no período em que diversos países sul-americanos enfrentavam golpes de Estado que resultariam em grandes períodos de ditadura militar. Este “desencontro histórico” da Venezuela com os demais países da região redundou, conforme aponta Cervo, em algumas consequências importantes, a saber: i) a relutância do país em incorporar-se à Associação Latino-Americana de Livre Comércio - ALALC, ii) a oposição a projetos de
Quem faz Política Externa no Brasil?

Quem faz Política Externa no Brasil?

Camila Vila Bela
Por Camila Vila Bela* Otávio Amorim Neto identifica em sua obra “De Dutra a Lula” os determinantes da política externa brasileira (PEB), expondo toda a complexidade que a caracteriza. De fato, vários são os fatores que influenciam a condução da PEB. Porém, importante relevância deve ser dada aos atores formais responsáveis pela implementação dessas políticas, isto é, os atores cujas funções estão regulamentadas via mecanismos regimentais ou constitucional. Dentre os atores formais da PEB, elucida-se o Presidente da República, o Itamaraty e outros atores do executivo vinculados aos demais Ministérios. Nesse sentido, no debate historiográfico, o Itamaraty ocupara constante enfoque no que concerne as relações exteriores. Não é de se surpreender, haja vista sua criação enquanto órgão insti
Diplomacia e Semiótica: a linguagem como ferramenta política das Nações

Diplomacia e Semiótica: a linguagem como ferramenta política das Nações

Thales Castro
Por Thales Castro*   A semiótica opera a ponte científica de compreensão e manipulação dos conceitos e usos da linguagem humana. Há finalidade bem definidas neste âmbito cientifico. Neste contexto, a própria semiótica torna-se a ferramenta de poder e de politicidade na diplomacia – foco de nossas análises aqui. Convém mencionar que será objeto de nossas análises como esta semiótica especificamente aplicada à dinâmica diplomática pode servir aos interesses de curto e médio prazos dos Estados Nacionais. Diplomacia como arte, como práxis e como política pode ser estruturada e classificada quanto à natureza dos atores envolvidos e quanto à sua finalidade operacional. Pela quantidade de atores envolvidos, a diplomacia pode ser de cunho bilateral ou multilateral, quando envolver, res
Os novos desafios da Diplomacia

Os novos desafios da Diplomacia

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Tradicionalmente a diplomacia é exercida com exclusividade pelos membros dos Ministérios das Relações Exteriores dos países. Embaixadores, Autoridades Consulares, Ministros e Secretários formam um corpo político especial, altamente qualificado (na maioria dos casos) que tem sido o responsável único pela implementação da política externa dos países. Importante salientar a diferença entre política externa e diplomacia. Conforme afirma Moita, a política externa é o conjunto de opções de um país no que toca à sua colocação no mundo e às suas relações com os outros, enquanto a diplomacia é uma atividade através da qual se aplica a política externa. A diplomacia é instrumental face à política externa. Designamos então ‘diplomacia’ aquele conjunto de pessoas, de ins
O Conselho de Segurança da ONU e o Brasil: revisitando velhas e novas teses

O Conselho de Segurança da ONU e o Brasil: revisitando velhas e novas teses

Thales Castro
Por Thales Castro* Ontem fui convidado pelo Itamaraty para participar de um evento internacional no Palácio sobre o presente e o futuro do Conselho de Segurança da ONU, articulando algumas linhas gerais para a política externa brasileira. Lá estavam vários embaixadores estrangeiros e várias personalidades.Minha fala, em linhas gerais, foi na linha de que a tese de defesa da posição brasileira na tentativa de buscar uma cadeira permanente ainda é válida, porém precisará de atualizações contextuais e de senso de realismo engajado na compreensão, de forma ampla e crítica, sobre as engrenagens e dinâmicas da ONU e do Conselho de Segurança, em particular. Mister se faz uma revisão crítica sobre a ONU e seu CS – aproveito aqui a oportunidade para tecer alguns dessas visões críticas. Pade
Pode o Brasil voltar a ser uma Potência?*

Pode o Brasil voltar a ser uma Potência?*

Andrés Malamud, Júlio César Cossio Rodriguez
Por Andrés Malamud** Júlio Cossio Rodriguez*** A época dos BRICS, IBSA e BASIC terminou. A letra B já não brilha. E as chances de reemergir poderiam acabar nas eliminatórias. “O Brasil é o país do futuro”, escreveu o otimista Stefan Zweig; “e sempre será”, respondiam jocosos os brasileiros. Justamente quando parecia que o futuro havia chegado, se cruzaram a Lava Jato e o Tchau Dilma. Será possível voltar a emergir depois de ter afundado? O Brasil depende de si, mas sobretudo dos outros. Quinto país do mundo em população e território, sexto em função do tamanho de sua economia e primeiro em participações em Copas do Mundo, o gigante latino-americano parecia imparável há uma década e hoje também. A ironia é que antes não parava de subir e hoje não para de cair. Como qualquer relação
O Engajamento Brasileiro na MINUSTAH e suas inovações*

O Engajamento Brasileiro na MINUSTAH e suas inovações*

Andrea Steiner, Danilo de Barros Rodrigues
Por Danilo de Barros Rodrigues** Andrea Steiner*** De 2004 a 2016 foram instituídas doze operações de paz da ONU, dentre as quais o Brasil contribuiu em dez. O maior destaque da participação nesse período é a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti – MINUSTAH. Instituída em 2004, ainda está ativa em 2016, em razão de uma grave crise política que assolou aquele país. O Brasil, ao enviar o maior contingente de tropas ao exterior desde a II Guerra Mundial (cerca de 1.200 homens), foi incumbido de liderar o braço militar da operação, que desde a criação da operação, alterna generais brasileiros na posição de comandante de força. Esse fato é algo histórico na ONU, pois o comando militar de uma operação nunca permaneceu por tanto tempo nas mãos de um mesmo país (GOMES, 2014).