Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Poder

Diplomacia e Semiótica: a linguagem como ferramenta política das Nações

Diplomacia e Semiótica: a linguagem como ferramenta política das Nações

Thales Castro
Por Thales Castro*   A semiótica opera a ponte científica de compreensão e manipulação dos conceitos e usos da linguagem humana. Há finalidade bem definidas neste âmbito cientifico. Neste contexto, a própria semiótica torna-se a ferramenta de poder e de politicidade na diplomacia – foco de nossas análises aqui. Convém mencionar que será objeto de nossas análises como esta semiótica especificamente aplicada à dinâmica diplomática pode servir aos interesses de curto e médio prazos dos Estados Nacionais. Diplomacia como arte, como práxis e como política pode ser estruturada e classificada quanto à natureza dos atores envolvidos e quanto à sua finalidade operacional. Pela quantidade de atores envolvidos, a diplomacia pode ser de cunho bilateral ou multilateral, quando envolver, res
A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

Augusto W. M. Teixeira Júnior, Marco Tulio Delgobbo Freitas
Por Augusto Teixeira Jr.* Marco Túlio Delgobbo Freitas** Na última sexta, dia 15 de julho o mundo viu aturdido a uma tentativa de Golpe de Estado na Turquia. Pouco após o início de unidades militares, por terra e ar, buscarem ocupar importantes postos de comunicação, comando e controle, o Presidente Erdogan se pronunciava para o povo daquele país chamando-o à resistir a tentativa de usurpação violenta do poder por parte de setores das Forças Armadas e grupos civis que os apoiavam. A tentativa de Putsch, rapidamente debelada ainda durante o final de semana passado por setores das Forças Armadas e polícia, traz um conjunto de indagações fundamentais para o quadro de instabilidade internacional contemporâneo. A seguir, discorremos sobre algumas delas. Apesar de não ser um país árabe e ne
A aposta de Erdogan: como os excessos do presidente e a tentativa de retomada do poder pelos militares fragilizam a democracia na Turquia

A aposta de Erdogan: como os excessos do presidente e a tentativa de retomada do poder pelos militares fragilizam a democracia na Turquia

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Um Golpe em Andamento Na última sexta-feira o mundo foi surpreendido por imagens de tiroteio e blindados nas ruas de Istambul. O Exército turco iniciara a tomada do poder para, segundo um general, "preservar a ordem democrática". Os excessos praticados pelo líder Turco Tayyip Erdogan, desafiando a ordem secular instaurada no país, e a sua dificuldade de lidar com os problemas de segurança em face do terrorismo, do conflito na Síria e das pressões dos russos  pesaram na decisão das forças armadas. Os relatos desencontrados  mostraram uma infowar que tornava difícil saber o que realmente estava acontecendo na Turquia. Porém, uma coisa era certa: o mundo se via diante de mais um episódio tenso da segurança internacional. A guerra de versões continuou. Os militar
Globalização, ou Capitalismo 2.0

Globalização, ou Capitalismo 2.0

Mariana Meneses
Por Mariana Meneses* A cultura política moderna ocidental é enraizada em um individualismo político, econômico, filosófico e metodológico. A globalização é sua última expressão (Cox, In Gill 1995). Por mais de três décadas, o modelo de governança global tem sido resultado dos imperativos e das falhas do neoliberalismo (BRODIE, 2015). Esse modelo se estabeleceu a partir da aceitação geral de um discurso que pregava a necessidade de abertura de mercados, privatizações e desregulamentação para a inserção de Estados na economia globalizada e, assim, a sobrevivência desses enquanto competitivos internacionalmente. O neoliberalismo foi e continua a ser caracterizado por diversas crises que continuam a ser justificadas pelos Estados e economistas tradicionais como excepcionais, derivadas
Pode o Brasil voltar a ser uma Potência?*

Pode o Brasil voltar a ser uma Potência?*

Andrés Malamud, Júlio César Cossio Rodriguez
Por Andrés Malamud** Júlio Cossio Rodriguez*** A época dos BRICS, IBSA e BASIC terminou. A letra B já não brilha. E as chances de reemergir poderiam acabar nas eliminatórias. “O Brasil é o país do futuro”, escreveu o otimista Stefan Zweig; “e sempre será”, respondiam jocosos os brasileiros. Justamente quando parecia que o futuro havia chegado, se cruzaram a Lava Jato e o Tchau Dilma. Será possível voltar a emergir depois de ter afundado? O Brasil depende de si, mas sobretudo dos outros. Quinto país do mundo em população e território, sexto em função do tamanho de sua economia e primeiro em participações em Copas do Mundo, o gigante latino-americano parecia imparável há uma década e hoje também. A ironia é que antes não parava de subir e hoje não para de cair. Como qualquer relação
Poder Duro e Poder Brando na Política Internacional

Poder Duro e Poder Brando na Política Internacional

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* O estudo do poder, de seus usos e suas possíveis manifestações estão no centro das preocupações da Ciência Política. As derivações internacionais deste ficam a cargo da Política Internacional. Uma das concepções clássicas de poder é a definida por Robert Dahl (1957) e que foi amplamente difundida dentro da área. O poder então consistiria na capacidade que A tem de fazer com que B faça o que A quer. Os meios utilizados para isto são a força ou coerção e o incentivo, em outros termos, o bastão (stick) e a cenoura (carrot). Esta definição se aplica com mais frequência às formas de poder duro, às quais se refere Joseph S. Nye Jr (2002). O poder militar seria o bastão e o econômico a cenoura. Por outro lado, o poder brando ou soft consiste naquele poder não