Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Guerra

Ascensão chinesa e o papel dos Estados Unidos: deep engagement ou offshore balancing?

Ascensão chinesa e o papel dos Estados Unidos: deep engagement ou offshore balancing?

Rafael de Moraes Baldrighi, Vítor Barreto Canoves
Por Rafael de Moraes Baldrighi* Vítor Barreto Canoves** Ao longo dos últimos cem anos, a grande estratégia dos Estados Unidos para conter potências que buscavam hegemonia regional caracterizou-se pela intervenção direta, o deep engagement (MONTGOMERY, 2014). São exemplos os casos da Alemanha de Guilherme II, na Primeira Guerra Mundial, bem como a Alemanha Nazista e o Japão Imperial, durante a Segunda Guerra, e, ainda, contra a União Soviética, na Guerra Fria (MEARSHEIMER, 2001). A situação atual dos Estados Unidos difere-se dos anteriores. Como a grande potência em um mundo unipolar no imediato pós-Guerra Fria, pós-atentados de 11 de setembro, com guerras dispendiosas no oriente médio e com a opinião pública questionando a grande estratégia de deep engagement, os Estados Unidos, agora,
Dragões, Estudos Estratégicos e Game of Thrones: Entendendo a Vitória pelo Poder Aéreo

Dragões, Estudos Estratégicos e Game of Thrones: Entendendo a Vitória pelo Poder Aéreo

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* O seriado Game of Thrones exibido pela HBO tem conquistado cada vez mais adeptos para acompanhar o desenrolar da sua história. Baseada na obra do romancista e roteirista George R.R. Martin “A Song of Ice and Fire” (título original em inglês), o desenrolar da história possui muitas referências ao mundo real. O paredão de gelo defendido pela Patrulha é uma inspiração na Muralha de Adriano, concluída pelos romanos no ano de 126 na Escócia para evitar a entrada dos “bárbaros”. As disputas de poder em Westeros também são baseadas nos conflitos que ocorreram na Idade Média: em 1455 estourou a Guerra das Rosas na Inglaterra. A casa York (simbolizada pela rosa branca) e a Lancaster (simbolizada pela rosa vermelha) duelaram por 30 anos. Até mesmo os nomes das p
Ataques, Armas e Guerra Cibernética

Ataques, Armas e Guerra Cibernética

Thaynar Dantas
Por Thaynar Dantas* Com o ataque cibernético em massa iniciado na semana passada, que atingiu hospitais, empresas e entidades em mais de 70 países, muito tem se discutido sobre segurança cibernética e sobre como lidar com ataques de tal magnitude. Ainda que diminuir as vulnerabilidades trazidas pela alta dependência tecnológica dos mais diversos setores da sociedade permaneça um desafio, é imprescindível entender os diversos tipos de agressões que podem ser empregadas no espaço cibernético e o papel dos Estados neste âmbito. Singer e Friedman (2014) mencionam que no âmbito do ciberespaço o termo “ataque” tem sido utilizado para caracterizar desde protestos online, a sabotagem de pesquisas nucleares e até atos de guerra, concebendo-os enquanto ações similares apenas por envolverem tecnol
O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

Marco Tulio Delgobbo Freitas, Renato Prado Kloss
Por Marco Tulio Delgobbo Freitas* Renato Prado Kloss** No dia 18 de janeiro de 2017, a força aérea israelense declarou que entrou em operação o seu mais novo sistema de interceptação antimísseis: o Arrow 3. Este novo sistema, propicia uma melhor performance em sua rede de defesa, baseada em multicamadas, contra mísseis balísticos. Projetado para voar o dobro do alcance e com metade do peso do Arrow 2, este novo sistema permite a Israel a consolidação de seu sistema de defesa antimísseis, já testados e aprovados durante a Operação Iron Dome, principalmente contra os mísseis balísticos que possuem a mesma tecnologia do míssil norte-coreano BM-25 Musudan, como é o caso dos mísseis classe Shahab-3 do Irã (DAILY MAIL, 2016). O sistema antimísseis elaborado por Israel é uma resposta para u
Novas Guerras: o confronto urbano entre as gangues Barriga e Sujeirinha

Novas Guerras: o confronto urbano entre as gangues Barriga e Sujeirinha

Ian Rebouças Batista, Marcos Américo Vieira
Por Ian Rebouças Batista Marcos Américo Vieira** Em comparação aos tempos de Clausewitz, as guerras já não são mais travadas da mesma forma. Na contemporaneidade, novos atores e novas formas de embate são identificadas, em parte, graças à modificação da estrutura do Estado. O modelo de Estado-nação, importado da Europa para suas colônias, mostra-se o embrião dos conflitos modernos. Segundo Kalevi Holsti (1991), podemos entender as causas das guerras contemporâneas ao analisarmos o nascimento dos Estados e a forma como estes passaram a ser governados. Consequentemente, grande parte dos conflitos contemporâneos é decorrente da inabilidade do Estado em manter a ordem interna e, para além disso, o monopólio da violência (KALDOR, 2013). Dessa forma, os campos de estudo da Segurança Interna
A Masculinidade como Variável Explicativa da Guerra nas Relações Internacionais

A Masculinidade como Variável Explicativa da Guerra nas Relações Internacionais

Wemblley Lucena de Araújo
Por Wemblley Lucena de Araújo* Fonte: http://www.pubquiz.pl/_upload/min_pytania53125199079e08.27583189.jpg Tanto a masculinidade quanto a guerra são tratadas como categorias analíticas em algumas vertentes teóricas das Relações Internacionais. Ao relacionar as duas dimensões, é possível questionar como a masculinidade pode ser considerada uma variável explicativa para o entendimento da guerra. De fato, identificar a relação entre masculinidade e guerra favorece a ressignificação de diversos conceitos e pressupostos teóricos centrais às Relações Internacionais. De modo geral, as abordagens de gênero nas Relações Internacionais habitam um subcampo das teorias consideradas pós-positivistas; assim, costumam estar distantes dos estudos tradicionais de guerra, que não têm utilizado o gênero c
O estupro como arma de guerra

O estupro como arma de guerra

Elder Paes Barreto Bringel
Por Elder Paes Barreto Bringel* Fonte: http://gbvkr.org/gender-based-violence-under-khmer-rouge/facts-and-figures/rape-during-the-khmer-rouge/   Um relatório da ONU, publicado em março de 2014, listou 21 países na Europa, Ásia, África, América do Sul e Oriente Médio onde o estupro é usado como arma de guerra. O relatório identificou 34 organizações armadas — entre milícias, grupos rebeldes e forças de segurança governamentais — suspeitas de estupros e outras formas de violência sexual em situações de conflito, em países como a República Centro-Africana, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Mali, Sudão do Sul e Síria. Um mês depois da publicação desse relatório da ONU, no vilarejo de Chibok, nordeste da Nigéria, 276 mulheres foram sequestradas pelo grupo extremista Boko
Coerção e Responsabilidade: o cerco de Jerusalém, 72 d.C.

Coerção e Responsabilidade: o cerco de Jerusalém, 72 d.C.

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* O cerco a cidades, ou sítio, é uma das formas mais antigas de guerra total. Civis são atacados junto com soldados, com o objetivo de atingir soldados, com muita frequência, seja nos tempos antigos ou contemporâneos. Michael Walzer (2003) no livro “Guerras Justas e Injustas: uma argumentação moral com exemplos históricos” ressalta que, no círculo fechado das muralhas, civis e soldados estão expostos a riscos. Porém, os não-combatentes têm maior probabilidade de morrer. Os soldados combatem a partir de locais defendidos ou protegidos, os civis, por outro lado, não lutam e sofrem as consequências dos embates. Via de regra eles morrem primeiro. Os cercos são comuns na história da guerra: de Leningrado, onde houve uma grande quantidade de civis mortos, pass
O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular : a conduta operacional do neoterrorismo político religioso  (Parte II)

O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular : a conduta operacional do neoterrorismo político religioso (Parte II)

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* O último texto discorreu em linhas gerais sobre  as grandes linhas do terrorismo  enquanto estratégia de guerra assimétrica (impacto psicológico e publicização). Da mesma forma, foram discutidas as características do neoterrorismo religioso e o extensivo emprego da “propaganda pelo ato” por parte dos radicais islâmicos ocorrido em período mais recente.  No presente artigo examina-se sumariamente algumas das principais  táticas associadas ao neoterrorismo religioso e suas implicações para a segurança internacional. As organizações que recorrem ao terrorismo como instrumento de luta não convencional foram grandemente dinamizadas pela introdução de novas tecnologias informacionais e pela redefinição de tempo e de espaço provocada pelo fenômeno da globalização. A
“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Para quem é fã de Game of Thrones e ao mesmo tempo estuda temas ligados à Guerra, Estratégia e Segurança Internacional, a “Batalha dos Bastardos” é um excelente exemplo para analisar como forças em desvantagem numérica e cometendo equívocos táticos vencem batalhas. Apesar do mistério sobre essa estranha relação causal se dever muito mais à pena de R. R. Martin, para fins didáticos, vale a pena fazer um exercício de análise estratégica sobre este evento fictício. Para tal, o texto a seguir apresenta de forma breve um conjunto de erros e acertos de ambos os comandantes militares engajados no conflito: Jon Snow (Stark) e Ramsay Bolton. Nossa principal linha de raciocínio é que o resultado da batalha, uma vitória estratégica de Snow, se deveu mais aos equívocos tát