Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Geopolítica

A Geopolítica do Conflito Sírio: interesses conflitantes e guerra assimétrica por procuração

A Geopolítica do Conflito Sírio: interesses conflitantes e guerra assimétrica por procuração

Elton Gomes dos Reis, Maria Carneiro de Albuquerque Franca
Por Elton Gomes dos Reis* Maria Carneiro de Albuquerque Franca** Guerra Civil na Síria e Fragmentação interna Em guerra civil desde 2011, quando, no contexto da Primavera Árabe, milhares foram às ruas de Daa’ra protestar contra a prisão de quinze estudantes por picharem frases anti-regime no muro de uma escola, a Síria tem vivido nos últimos seis anos um dos conflitos mais sangrentos da história recente. A situação no país, contudo, evoluiu e deixou de limitar-se apenas às suas fronteiras. A medida que o conflito foi se prolongando sem um vencedor, novos atores com variados interesses e poder de combate foram sendo adicionados ao cenário da guerra. Às forças do governo e aos rebeldes (personagens originais da contenda), somaram-se grupos paramilitares, grupos terroristas e atores Est
Ascensão chinesa e o papel dos Estados Unidos: deep engagement ou offshore balancing?

Ascensão chinesa e o papel dos Estados Unidos: deep engagement ou offshore balancing?

Rafael de Moraes Baldrighi, Vítor Barreto Canoves
Por Rafael de Moraes Baldrighi* Vítor Barreto Canoves** Ao longo dos últimos cem anos, a grande estratégia dos Estados Unidos para conter potências que buscavam hegemonia regional caracterizou-se pela intervenção direta, o deep engagement (MONTGOMERY, 2014). São exemplos os casos da Alemanha de Guilherme II, na Primeira Guerra Mundial, bem como a Alemanha Nazista e o Japão Imperial, durante a Segunda Guerra, e, ainda, contra a União Soviética, na Guerra Fria (MEARSHEIMER, 2001). A situação atual dos Estados Unidos difere-se dos anteriores. Como a grande potência em um mundo unipolar no imediato pós-Guerra Fria, pós-atentados de 11 de setembro, com guerras dispendiosas no oriente médio e com a opinião pública questionando a grande estratégia de deep engagement, os Estados Unidos, agora,
Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança               de poder Com a Rússia?

Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança de poder Com a Rússia?

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Contrariando todas as pesquisas o magnata Donald Trump chegou à Casa Branca. A postura do novo governo americano com relação à segurança na Europa e na Ásia é alvo de profundo interesse e preocupação da comunidade internacional.  A política de projeção de poder da Rússia de Putin e o chamado pivô asiático se colocam como temas da mais alta relevância para Washington. Depois de iniciada a gestão, os analistas afirmam que é bastante razoável acreditar que boa parte das promessas de campanha de Trump não possam ser efetivamente cumpridas por não serem factíveis em termos políticos e econômicos[1]. Apesar disso, por tudo o que pôde ser visto durante o tenso processo eleitoral, em nenhuma outra área Donald Trump teve uma opinião tão diferente da política dos Estado
O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

Marco Tulio Delgobbo Freitas, Renato Prado Kloss
Por Marco Tulio Delgobbo Freitas* Renato Prado Kloss** No dia 18 de janeiro de 2017, a força aérea israelense declarou que entrou em operação o seu mais novo sistema de interceptação antimísseis: o Arrow 3. Este novo sistema, propicia uma melhor performance em sua rede de defesa, baseada em multicamadas, contra mísseis balísticos. Projetado para voar o dobro do alcance e com metade do peso do Arrow 2, este novo sistema permite a Israel a consolidação de seu sistema de defesa antimísseis, já testados e aprovados durante a Operação Iron Dome, principalmente contra os mísseis balísticos que possuem a mesma tecnologia do míssil norte-coreano BM-25 Musudan, como é o caso dos mísseis classe Shahab-3 do Irã (DAILY MAIL, 2016). O sistema antimísseis elaborado por Israel é uma resposta para u
O que realmente importa para o Brasil no debate sobre as bases russas na Venezuela?

O que realmente importa para o Brasil no debate sobre as bases russas na Venezuela?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto W. M. Teixeira Júnior* Recentemente, um tema de política internacional de incomum repercussão pública voltou a tomar conta do noticiário: a possibilidade de implantação de novas bases militares na América do Sul por parte de potências extrarregionais. Nesta ocasião, a potência em questão é a Rússia. Entre aqueles que reverberaram a questão está o ex-embaixador Rubens Barbosa, agora presidente do Instituto de Relações e Comércio Exterior. Assumindo uma postura clara e direta, distinta da esperada de um diplomata, Barbosa apresentou um conjunto de argumentos em que afirma ser “inaceitável haver em nosso entorno de paz e cooperação bases de potência extrarregional” (BARBOSA, 2016, s/p), leia-se a Rússia. De fato, o ressurgimento do tema em apreço no contexto em que as relações
A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

Augusto W. M. Teixeira Júnior, Marco Tulio Delgobbo Freitas
Por Augusto Teixeira Jr.* Marco Túlio Delgobbo Freitas** Na última sexta, dia 15 de julho o mundo viu aturdido a uma tentativa de Golpe de Estado na Turquia. Pouco após o início de unidades militares, por terra e ar, buscarem ocupar importantes postos de comunicação, comando e controle, o Presidente Erdogan se pronunciava para o povo daquele país chamando-o à resistir a tentativa de usurpação violenta do poder por parte de setores das Forças Armadas e grupos civis que os apoiavam. A tentativa de Putsch, rapidamente debelada ainda durante o final de semana passado por setores das Forças Armadas e polícia, traz um conjunto de indagações fundamentais para o quadro de instabilidade internacional contemporâneo. A seguir, discorremos sobre algumas delas. Apesar de não ser um país árabe e ne
Para Pensar as Cartografias de Poder Geopolíticas

Para Pensar as Cartografias de Poder Geopolíticas

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Apesar de ser difícil encontrar a disciplina Geopolítica no currículo de cursos de graduação em Relações Internacionais no Brasil, a triade geografia/ história/ poder permeia tanto a imaginação do internacionalista como também várias análises da história e conjuntura internacional. Contudo, o alardeado processo de Globalização e a aceleração no desenvolvimento e difusão de tecnologias, civis e militares, faz parecer que o fruto da inventividade humana, seus produtos e processos, tenham subvertido o primado do espaço como componente fundamental da compreensão da realidade e do poder. Baseado nestes breves apontamentos, este ensaio enseja, de forma simples e clara, apresentar ao internacionalista a relevância de pensar Geopolítica, de incoporar à análise a dimen