Publicação mensal sobre Relações Internacionais

Página inicial do VOX MAGISTER

Tag: Europa Ocidental

O sentido do supranacionalismo na União Europeia

O sentido do supranacionalismo na União Europeia

José Victhor Bezerra de A. A. Silva
No dia 24 de março de 2017, houve uma reunião no Estado da Cidade do Vaticano, entre Francisco I e os atuais 27 chefes de Estado e Governo da União Europeia (UE). O evento é parte da cerimônia de assinatura da Declaração de Roma, marcando o sexagésimo ano de fundação do bloco e edição do Livro Branco sobre o Futuro da Europa para traçar cenários prospectivos. Por que tanto o Tratado de março de 1957 quanto a hodierna Declaração de Roma foram assinados no Appartamento de Conservatori, ao abrigo de uma estátua de Inocêncio X, um defensor do poder supranacional do papa e do sacro-imperador? Para compreender a relevância da sede de assinatura do tratado fundador da Comunidade/União Europeia, discutiremos neste artigo o papel da Democracia Cristã (DC) e também da Igreja Católica na formação d
Mobilizações Separatistas e o Nacionalismo na Catalunha

Mobilizações Separatistas e o Nacionalismo na Catalunha

Matheus Leite do Nascimento
Por Matheus Leite do Nascimento* Em textos anteriores do Vox Magister, foram discutidos o movimento separatista escocês – assim como o revigoramento do processo de integração europeu, que tem funcionado como força motriz para o mesmo – além de questões legais por trás de um processo de secessão dentro da União Europeia. No presente artigo, será abordado o caso de separatismo da Catalunha, explanando fatores históricos, políticos e culturais presentes na mobilização por independência da região espanhola. Antes de ser anexada ao território espanhol, a Catalunha foi durante um longo período uma região independente da Península Ibérica, constituída por uma língua, leis e costumes próprios. Com a ascensão do Rei Filipe V ao trono espanhol, uma série de conflitos internos durante a Guerra de
Res. 1325 do Conselho de Segurança da ONU: relevância e controvérsias na concretização da igualdade de gênero

Res. 1325 do Conselho de Segurança da ONU: relevância e controvérsias na concretização da igualdade de gênero

Maria Ivanúcia Mariz Erminio
Por Maria Ivanúcia Mariz Erminio* Foto de Christopher Herwig As primeiras operações de paz da ONU durante a Guerra Fria eram compostas predominantemente por homens. Porém, a não diminuição da violência fez com que a organização passasse a buscar maneiras de realizar missões que levassem em conta a complexidade da situação enfocada. Assim, buscou-se transformar o perfil do soldado de paz para que este valorizasse a conciliação e o pacifismo, enquanto as mulheres (que já participavam, com pouquíssima expressividade, desde a década de 1950) eram alocadas em funções ligadas às unidades de saúde. Esforços de defensores dos direitos da mulher, tanto das Nações Unidas quanto de ONGs, foram promovendo a modificação das missões de paz na década de 1990. Como consequência, foram revistas as restr
Brexit, Escócia e o processo de integração europeia como catalisador de movimentos separatistas

Brexit, Escócia e o processo de integração europeia como catalisador de movimentos separatistas

Ian Rebouças Batista
Por Ian Rebouças Batista* O Reino Unido votou em 23 de junho, com aproximadamente 52% dos votos da população, pela sua retirada da União Europeia (UE). Como parte da série de textos do Vox Magister que tratam das consequências do Brexit, o presente texto trata da reascensão do movimento separatista escocês, que se fortalece com a integração europeia e que deve reagir à saída do Reino Unido da UE. Em 2014, a vitória do “Não” para o separatismo da Escócia do Reino Unido pareceu pôr fim às aspirações de independência do Partido Nacional Escocês (PNE). A vitória do Brexit nas urnas deve fazer com que Edimburgo reveja o alinhamento com Londres – o que já está sendo tratado abertamente pela primeira ministra escocesa, Nicola Sturgeon. Isso porque, sendo parte do Reino Unido, a saída do RU da
Partidos políticos na Europa: quando o todo não é a soma das partes

Partidos políticos na Europa: quando o todo não é a soma das partes

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Mariana Meneses* Rodrigo Albuquerque** O princípio da proporcionalidade, que rege o sistema pelo qual os assentos no Parlamento Europeu são ocupados, garante representação diferenciada para cada um dos 28 países membros da União Europeia. Assim, os cinco países com maiores números de assentos no PE, a saber, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Espanha, detêm 370 assentos, ou 49,27% do total (EUROPEAN PARLIAMENT, 2016). Tais assentos são designados a candidatos filiados ou não a partidos europeus, que, por sua vez, contêm partidos nacionais a eles ligados. A tabela a seguir ilustra o grau de representatividade dos partidos europeus, através do número de assentos conquistados nas eleições de 2009 e 2014: Fonte: EUROPARL Percebe-se que o Partido Popular Europeu esteve nos dois
Extremismo 2.0*

Extremismo 2.0*

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva** Imagine se o ex-chanceler Adolf Hitler, morto em 1945, reaparecesse no cenário atual. Como as pessoas reagiriam? É com essa ideia que o autor Timur Vermes escreve a obra satírica “Ele está de volta” (no original: Er ist wieder da), lançado em 2012. O livro rendeu um filme na Alemanha com o mesmo roteiro do texto. Na obra, Hitler ressurge atordoado em um terreno em Berlim, sem saber direito o que aconteceu com a queda do regime nazista. Apesar de ninguém acreditar que ele seja o verdadeiro Hitler, as pessoas o encaram como um ator de comédia que ganha o seu próprio programa e começa a fazer vídeos no Youtube. Logo os vídeos postados passam a ter milhões de visualizações na rede e ele começa a usar a sua popularidade para voltar à política. Atualmente,
União Europeia: Agricultura em Crise?

União Europeia: Agricultura em Crise?

Marcelo de Almeida Medeiros
Por Marcelo de Almeida Medeiros* Desde os primórdios da integração europeia, a Política Agrícola Comum (PAC) tem se constituído em um dos principais esteios das políticas públicas concebidas por Bruxelas. Se no passado mais remoto ela chegou a representar dois terços das despesas do orçamento comunitário, a PAC ainda hoje é responsável por quase 40% das despesas deste orçamento. Ora, esta situação não é percebida de forma homogênea pelos vinte e oito membros da União. Há aqueles que são favoráveis a uma maior liberalização do mercado e, consequentemente, uma diminuição dos instrumentos protecionistas; e há os que, por razões econômicas e também sociais, insistem em uma PAC robusta. No primeiro caso, pode-se apontar como exemplo o Reino Unido; no segundo, a França. Na verdade, neste ce