Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Economia Política Internacional

Países em desenvolvimento como origem dos fluxos de investimento estrangeiro direto

Países em desenvolvimento como origem dos fluxos de investimento estrangeiro direto

Rafael Lima Santos
Por Rafael Lima Santos* François Chesnais (1996) adverte que o fenômeno dos investimentos externos não deve ser interpretado como recente: teóricos do imperialismo, ao analisarem a economia mundial como conjunto de relações moldadas pelo capital, já no início do século XX, consideravam a exportação de capitais em suas análises. Segundo o autor, a partir da Segunda Guerra Mundial, com o aumento quantitativo dos investimentos – como é possível observar no gráfico abaixo –ocorre uma tomada de consciência sobre a necessidade de se estudar o fenômeno e suas consequências. Baseando-se nesta afirmação, adota-se os anos 1950 como ponto de partida para um panorama histórico do Investimento Estrangeiro Direto (IED) em escala mundial, destacando o papel dos países em desenvolvimento como origem do
O neoliberalismo como agenda ideológica: para onde vai?

O neoliberalismo como agenda ideológica: para onde vai?

Ian Rebouças Batista
Por Ian Rebouças Batista* Ao desbancarem-se como potência unipolar global, entre a década de 1980 e 1990, os Estados Unidos da América sugerem ao Sistema Internacional um pacote de ditames onde o neoliberalismo se caracterizava como a roupagem econômica adequada para a globalização financeira. A operacionalização desses ditames se dá principalmente através do Consenso de Washington e das cartilhas de instituições financeiras internacionais, tal qual o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. É sobre a aparente crise recente deste modelo e os limites da ideologia neoliberal que se interessa este texto, baseado na ameaça de ondas conversadoras, protecionistas e antiglobalização que tomam o centro do sistema financeiro capitalista global. Termo utilizado “mais pelos seus crít
Globalização, ou Capitalismo 2.0

Globalização, ou Capitalismo 2.0

Mariana Meneses
Por Mariana Meneses* A cultura política moderna ocidental é enraizada em um individualismo político, econômico, filosófico e metodológico. A globalização é sua última expressão (Cox, In Gill 1995). Por mais de três décadas, o modelo de governança global tem sido resultado dos imperativos e das falhas do neoliberalismo (BRODIE, 2015). Esse modelo se estabeleceu a partir da aceitação geral de um discurso que pregava a necessidade de abertura de mercados, privatizações e desregulamentação para a inserção de Estados na economia globalizada e, assim, a sobrevivência desses enquanto competitivos internacionalmente. O neoliberalismo foi e continua a ser caracterizado por diversas crises que continuam a ser justificadas pelos Estados e economistas tradicionais como excepcionais, derivadas
Entre o código de barras e a miséria humana: uma nova apologia*

Entre o código de barras e a miséria humana: uma nova apologia*

Thales Castro
Por Thales Castro** As placas tectônicas do terrorismo trazem abalos sísmicos profundos na superfície idealizada e fragmentada do ser humano pós-moderno. O universo político imaginado encontra-se hoje em uma antítese, em um paradoxo quixotesco que vem corroendo o lento processo de trajetória filosófica humana desde o iluminismo dos enciclopedistas franceses e das contribuições jusfilóficas kantianas. A corrosão é fatídica e infalível... Este é tempo de antítese, de anticlímax figurado em volatilidade do sangue derramado do sorrateiro ato terrorista que ceifa a vida de “alvos não-combatentes” (sic). Com a alma fragmentada, o sujeito cognoscente é paquerado por perigosas soluções messiânicas, demagógicas e populistas para os males e insegurança de nosso tempo. Vivemos na era da escassez
The industrialization mirage: politicians’ and experts’ heads are stuck in the manufacturing sands

The industrialization mirage: politicians’ and experts’ heads are stuck in the manufacturing sands

Jean Daudelin
Por Jean Daudelin* Try to forget industrialization: it's essentially over and it won't happen again. The challenge is to grow rich and not too unequal with service economies. From Nigeria, Brazil and India, to Canada, France and the United States, the discussion of the future of economic growth is obsessed with industrialization. Everybody wants a share of the shrinking pot of manufacturing jobs. In Brazil, the private sector and the opposition, in the now rare instances when they discuss policy, complain that the government hasn't been able to stop the dis-industrialization that has plagued Brazil essentially since the election of Collor de Melo. Obviously, they are right—about this government, Lula's and Cardoso's too: the proportion of industrial value added in Brazil's GDP, which h
O Brasil e a crise: o internacional importa?

O Brasil e a crise: o internacional importa?

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* Essa simples palavra de cinco letras tem dominado os noticiários nos últimos meses e muito se questiona se estamos diante de uma crise política reverberando na economia, ou seria de fato uma crise econômica implicando na estabilidade política. Provavelmente ambas estão conectadas, reforçando-se mutuamente. No entanto, pouco se questiona sobre o papel do sistema internacional na crise econômica nacional. Se a crise de 2008 iniciada nos Estados Unidos não afetou o Brasil como afetou outras nações, como apontam alguns analistas, quais seriam então as causas da turbulência atual? Em clássico texto de 1977, Keohane & Nye buscavam entender de que forma as nações estão interligadas no sistema internacional, em uma tentativa de estabelecer parâmetros mínimos para mensur