Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Defesa

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e a soberania nacional

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e a soberania nacional

Débora C. S. Araújo, Gills Vilar-Lopes
Por Gills Vilar-Lopes* Débora C. S. Araújo** Lançado em maio último (CRAIDE, 2017a), o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) foi concebido pelo governo brasileiro para atender a demandas telecomunicacionais relativas a políticas públicas e necessidades estratégicas – na seara da Segurança Pública e, sobretudo, da Defesa Nacional –, bem como comerciais. Trata-se, portanto, de artefato imprescindível para garantir a vigilância do território nacional e promover comunicações estratégicas em locais de difícil acesso. Todavia, diante de tal possibilidade pioneira, já se debate a possiblidade de privatizar quase 60% da capacidade civil disponível no satélite, devido ao atual momento de crise. Diante disso, o presente texto reforça a importância de se manter o
A evolução dos sistemas defesas antimísseis: um desafio a ser ultrapassado

A evolução dos sistemas defesas antimísseis: um desafio a ser ultrapassado

Marco Tulio Delgobbo Freitas, Renato Prado Kloss
Por Marco Tulio Delgobbo Freitas* Renato Prado Kloss** Com os recentes avanços do programa norte-coreano nuclear e a ameaça de seu líder Kim Jong-un, o mundo revive os dias de tensão da Crise de Mísseis de Cuba em 1962. A possibilidade de um ataque nuclear por meio de mísseis balísticos ainda é duvidosa, mas, no campo da ameaça – dissuasão – a guerra já começou. Mas, não há desespero, não devemos apertar os cintos, pois o piloto não sumiu. Hoje, estamos em uma etapa que mais parece um jogo complexo de xadrez, em que ambos lados, mostram suas armas. De um lado o míssil de Kim e de outro, um sistema de defesa que não é recente e tem uma longa trajetória. Como Sistema Antimísseis Balísticos funciona? Mísseis balísticos podem ser lançados a partir de uma variedade de plataformas, incluin
Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança               de poder Com a Rússia?

Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança de poder Com a Rússia?

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Contrariando todas as pesquisas o magnata Donald Trump chegou à Casa Branca. A postura do novo governo americano com relação à segurança na Europa e na Ásia é alvo de profundo interesse e preocupação da comunidade internacional.  A política de projeção de poder da Rússia de Putin e o chamado pivô asiático se colocam como temas da mais alta relevância para Washington. Depois de iniciada a gestão, os analistas afirmam que é bastante razoável acreditar que boa parte das promessas de campanha de Trump não possam ser efetivamente cumpridas por não serem factíveis em termos políticos e econômicos[1]. Apesar disso, por tudo o que pôde ser visto durante o tenso processo eleitoral, em nenhuma outra área Donald Trump teve uma opinião tão diferente da política dos Estado
O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

Marco Tulio Delgobbo Freitas, Renato Prado Kloss
Por Marco Tulio Delgobbo Freitas* Renato Prado Kloss** No dia 18 de janeiro de 2017, a força aérea israelense declarou que entrou em operação o seu mais novo sistema de interceptação antimísseis: o Arrow 3. Este novo sistema, propicia uma melhor performance em sua rede de defesa, baseada em multicamadas, contra mísseis balísticos. Projetado para voar o dobro do alcance e com metade do peso do Arrow 2, este novo sistema permite a Israel a consolidação de seu sistema de defesa antimísseis, já testados e aprovados durante a Operação Iron Dome, principalmente contra os mísseis balísticos que possuem a mesma tecnologia do míssil norte-coreano BM-25 Musudan, como é o caso dos mísseis classe Shahab-3 do Irã (DAILY MAIL, 2016). O sistema antimísseis elaborado por Israel é uma resposta para u
O que realmente importa para o Brasil no debate sobre as bases russas na Venezuela?

O que realmente importa para o Brasil no debate sobre as bases russas na Venezuela?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto W. M. Teixeira Júnior* Recentemente, um tema de política internacional de incomum repercussão pública voltou a tomar conta do noticiário: a possibilidade de implantação de novas bases militares na América do Sul por parte de potências extrarregionais. Nesta ocasião, a potência em questão é a Rússia. Entre aqueles que reverberaram a questão está o ex-embaixador Rubens Barbosa, agora presidente do Instituto de Relações e Comércio Exterior. Assumindo uma postura clara e direta, distinta da esperada de um diplomata, Barbosa apresentou um conjunto de argumentos em que afirma ser “inaceitável haver em nosso entorno de paz e cooperação bases de potência extrarregional” (BARBOSA, 2016, s/p), leia-se a Rússia. De fato, o ressurgimento do tema em apreço no contexto em que as relações
Contra o uso das Forças Armadas na Segurança Pública Interna: a favor da Ultima Ratio Regis

Contra o uso das Forças Armadas na Segurança Pública Interna: a favor da Ultima Ratio Regis

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto W. M. Teixeira Júnior* No último domingo (18/09) o Diário de Pernambuco publicou em sua seção “Contraditório” duas opiniões contrárias sobre o uso das Forças Armadas (FFAA) na Segurança Pública Interna. Posicionando-se contrariamente a esta prática, o atual Ministro de Estado da Defesa, Raul Jungmann, insere o uso das FFAA no espírito da Ultima Ratio Regis, último recurso do poder soberano. Por outro lado, o Prof. Dr. Jorge Zaverucha pondera positivamente, embora em termos, a favor do uso doméstico das FFAA no contexto de falência dos órgãos infra-estatais (governos estaduais) no que concerne a segurança pública. Cabe o uso da mais extrema expressão do poder do Estado no ambiente doméstico? Apesar da pergunta ecoar em infindáveis debates teóricos que reverberam as discussõe
“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Para quem é fã de Game of Thrones e ao mesmo tempo estuda temas ligados à Guerra, Estratégia e Segurança Internacional, a “Batalha dos Bastardos” é um excelente exemplo para analisar como forças em desvantagem numérica e cometendo equívocos táticos vencem batalhas. Apesar do mistério sobre essa estranha relação causal se dever muito mais à pena de R. R. Martin, para fins didáticos, vale a pena fazer um exercício de análise estratégica sobre este evento fictício. Para tal, o texto a seguir apresenta de forma breve um conjunto de erros e acertos de ambos os comandantes militares engajados no conflito: Jon Snow (Stark) e Ramsay Bolton. Nossa principal linha de raciocínio é que o resultado da batalha, uma vitória estratégica de Snow, se deveu mais aos equívocos tát
A Securitização do Espaço Cibernético e a Estratégia De Cibersegurança da União Europeia

A Securitização do Espaço Cibernético e a Estratégia De Cibersegurança da União Europeia

Thaynar Dantas
Por Thaynar Dantas* O conceito de cibersegurança surge em meados da década de 1990, em resposta à crescente mescla entre inovações tecnológicas e as mudanças nas condições geopolíticas. Atualmente, com a crescente dependência tecnológica e o aumento das vulnerabilidades, a segurança cibernética tem se consolidado como ponto de debate e preocupação entre entidades públicas e privadas. Como ressaltado por Singer e Friedman, as ameaças ao bom funcionamento dos sistemas surgem de agentes intencionais ou de ameaças sistêmicas, criando situações perigosas não só para eles mesmos, como para todo o ambiente em que se inserem. Um dos pontos cruciais para a cibersegurança é saber como prevenir ou combater os ataques que decorrem dessas ameaças, já que na maioria das vezes é impossível provar de o
As diferenças entre Armas Leves (SALW) e os Grandes Sistemas de Armas (MWS)

As diferenças entre Armas Leves (SALW) e os Grandes Sistemas de Armas (MWS)

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* A terminologia “transferência de armas” descreve a movimentação de armas de um país para outro, de sistemas de armas, munição e equipamentos de apoio tático. Tais transferências são normalmente realizadas em um acordo comercial, ou seja, através da venda de armas com pagamento em dinheiro, mas às vezes elas são fornecidas gratuitamente através dos diversos canais de assistência militar. Além dessas transferências, que são evidentes, as quais são sancionadas pelos estados supridores (vendedores) entre os receptores (compradores), existe também um importante mercado negro para insurgentes, grupos separatistas e outras formações paramilitares. Toda transferência internacional de armas é um vasto composto de transações individuais entre países fornecedore