Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Crime

Novas Guerras: o confronto urbano entre as gangues Barriga e Sujeirinha

Novas Guerras: o confronto urbano entre as gangues Barriga e Sujeirinha

Ian Rebouças Batista, Marcos Américo Vieira
Por Ian Rebouças Batista Marcos Américo Vieira** Em comparação aos tempos de Clausewitz, as guerras já não são mais travadas da mesma forma. Na contemporaneidade, novos atores e novas formas de embate são identificadas, em parte, graças à modificação da estrutura do Estado. O modelo de Estado-nação, importado da Europa para suas colônias, mostra-se o embrião dos conflitos modernos. Segundo Kalevi Holsti (1991), podemos entender as causas das guerras contemporâneas ao analisarmos o nascimento dos Estados e a forma como estes passaram a ser governados. Consequentemente, grande parte dos conflitos contemporâneos é decorrente da inabilidade do Estado em manter a ordem interna e, para além disso, o monopólio da violência (KALDOR, 2013). Dessa forma, os campos de estudo da Segurança Interna
O estupro como arma de guerra

O estupro como arma de guerra

Elder Paes Barreto Bringel
Por Elder Paes Barreto Bringel* Fonte: http://gbvkr.org/gender-based-violence-under-khmer-rouge/facts-and-figures/rape-during-the-khmer-rouge/   Um relatório da ONU, publicado em março de 2014, listou 21 países na Europa, Ásia, África, América do Sul e Oriente Médio onde o estupro é usado como arma de guerra. O relatório identificou 34 organizações armadas — entre milícias, grupos rebeldes e forças de segurança governamentais — suspeitas de estupros e outras formas de violência sexual em situações de conflito, em países como a República Centro-Africana, Costa do Marfim, República Democrática do Congo, Mali, Sudão do Sul e Síria. Um mês depois da publicação desse relatório da ONU, no vilarejo de Chibok, nordeste da Nigéria, 276 mulheres foram sequestradas pelo grupo extremista Boko
Assassinatos em massa, violência e controle de armas: algumas evidências internacionais

Assassinatos em massa, violência e controle de armas: algumas evidências internacionais

Antonio Henrique Lucena Silva, Bruna Valença Bacelar, Juliano Cesar Shishido Goes
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Bruna Valença Bacelar** Juliano Cesar Shishido Goes*** No último dia 12 de junho, os Estados Unidos sofreram um outro massacre realizado com armas de fogo automáticas, desta vez em uma boate frequentada por homossexuais, em Orlando. Este foi o maior assassinato do gênero na história do país, deixando 50 mortos, incluindo o responsável pelos tiros que foi alvejado pela polícia, e 53 feridos. O executor, Omar Mateen, de origem afegã, pouco antes do ato entrou em contato com a polícia e jurou fidelidade ao Estado Islâmico, o grupo assumiu a responsabilidade do ataque algumas horas depois. Apesar da declaração do pai e da esposa do atirador quanto a sua pouca religiosidade, o caso não foi considerado pela polícia norte-americana como um ato de terroris
A caracterização do tráfico humano como problema político internacional*

A caracterização do tráfico humano como problema político internacional*

Andrea Steiner, Camilly Regueira
Por Camilly Regueira** Andrea Steiner*** O tráfico de pessoas é um problema grave que afeta, anualmente, pessoas de todas as partes do mundo. O último Relatório Global sobre o Tráfico de Pessoas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, referente ao ano de 2014, revela que 49% das vítimas são mulheres adultas. Logo depois vêm as crianças, com 33%. Homens também são explorados, mas em menor escala. As mulheres vitimadas são geralmente jovens adultas, com baixa escolaridade, oriundas de classes populares, com algum vínculo familiar (geralmente com filhos, mas solteiras) e com dificuldades em conseguir emprego (Leal e Leal, 2002; Colares, 2004; Birol, 2013). A maioria dos aliciadores são homens, embora também haja mulheres envolvidas, e a atividade predominante é relacionada
Tráfico humano: ascensão do tema na agenda política internacional*

Tráfico humano: ascensão do tema na agenda política internacional*

Andrea Steiner, Camilly Regueira
Por Camilly P. Regueira** Andrea Q. Steiner*** O tráfico humano é um fenômeno que atinge milhões de pessoas ao redor do mundo. Sua existência é uma grave violação de direitos humanos, uma vez que suas vítimas têm sua liberdade cerceada a fim de serem exploradas. Como um tipo de crime organizado transnacional, o tráfico humano precisa ser combatido dentro e fora das fronteiras nacionais. Desse modo, a fim de olhar de forma integrada para o que os Estados estão fazendo para enfrentar este problema, ao longo do tempo foram criados instrumentos internacionais para agir nesse sentido. Aqui apresentaremos, de forma breve, um histórico da entrada e evolução do tema na agenda internacional. No início do século XX, em 1904, houve a primeira manifestação legal sobre o problema, com o Acordo Int
Vitória na guerra, condição para a paz: uma outra visão sobre o acordo de Paz Colombia-FARC

Vitória na guerra, condição para a paz: uma outra visão sobre o acordo de Paz Colombia-FARC

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Recentemente fiz uma palestra para o XIII Curso de Extensão em Defesa Nacional (Ministério da Defesa) sobre a questão do acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC. O primeiro estranhamento que tive ao ser convidado para proferir uma fala sobre o assunto consistiu na questão de como alguém que pensa a guerra poderia dissertar com isenção sobre a emergência da paz. Este primeiro inquietamento me fez voltar a algumas leituras sobre o bom e velho Clausewitz e textos sobre guerrilhas e insurgências. Se guerra é a continuação da política, nenhuma forma de guerrear é mais política do que a guerrilha. Optando por esta chave-explicativa desenvolvi o argumento que sintetizo abaixo. Após mais de 60 anos de guerra civil, o governo colombiano e as Forças Armadas
Crime e Preconceito: as lições do Caso Dreyfus 122 anos depois

Crime e Preconceito: as lições do Caso Dreyfus 122 anos depois

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Quando ocorre uma denúncia de crime na mídia é normal que se espere uma revolta da população contra os que foram acusados. Geralmente, as pessoas desejam a imediata prisão dos culpados e a sua punição rápida. A comoção que move os indivíduos desperta paixões e um desejo de “vingança” muitas vezes aflora nas pessoas. Afinal, aquele indivíduo cometeu um ato delituoso que fere a moral estabelecida, a sociedade exige a seu castigo. Quando a condenação se consolida, o desejo manifesto na sociedade é atendido e, por consequência, há uma tendência de que as coisas voltem à normalidade. Todo julgamento deve proporcionar ao acusado ampla defesa e nem ser rápido demais que se revele sumário, nem muito lento que leve a uma prescrição.  E quando a justiça comete e