Publicação mensal sobre Relações Internacionais

Página inicial do VOX MAGISTER

Tag: Cooperação Internacional

Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança               de poder Com a Rússia?

Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança de poder Com a Rússia?

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Contrariando todas as pesquisas o magnata Donald Trump chegou à Casa Branca. A postura do novo governo americano com relação à segurança na Europa e na Ásia é alvo de profundo interesse e preocupação da comunidade internacional.  A política de projeção de poder da Rússia de Putin e o chamado pivô asiático se colocam como temas da mais alta relevância para Washington. Depois de iniciada a gestão, os analistas afirmam que é bastante razoável acreditar que boa parte das promessas de campanha de Trump não possam ser efetivamente cumpridas por não serem factíveis em termos políticos e econômicos[1]. Apesar disso, por tudo o que pôde ser visto durante o tenso processo eleitoral, em nenhuma outra área Donald Trump teve uma opinião tão diferente da política dos Estado
A mulher nas missões de paz da ONU

A mulher nas missões de paz da ONU

Rodrigo Pedrosa
*Por Rodrigo Pedrosa Entre os vários âmbitos da vida internacional em que as questões de gênero têm gerado reflexões e mudanças, especialmente a partir da década de 1990, as missões de paz das Nações Unidas revelaram-se terreno fértil para pesquisadores abordarem as relações masculinidade/feminilidade. Tradicionalmente, as forças armadas são observadas e conduzidas como uma instituição masculina. Assim, enquadram-se nas chamadas gendered organizations, expressão que explicita a predominância de um gênero na estrutura e hierarquia da organização enfocada. Outra acepção do termo, mais profunda e completa, permite perceber que os discursos, valores e práticas de uma organização caracterizada como gendered estão lastreados, simbólica e ideologicamente, em determinado gênero. No contexto d
Res. 1325 do Conselho de Segurança da ONU: relevância e controvérsias na concretização da igualdade de gênero

Res. 1325 do Conselho de Segurança da ONU: relevância e controvérsias na concretização da igualdade de gênero

Maria Ivanúcia Mariz Erminio
Por Maria Ivanúcia Mariz Erminio* Foto de Christopher Herwig As primeiras operações de paz da ONU durante a Guerra Fria eram compostas predominantemente por homens. Porém, a não diminuição da violência fez com que a organização passasse a buscar maneiras de realizar missões que levassem em conta a complexidade da situação enfocada. Assim, buscou-se transformar o perfil do soldado de paz para que este valorizasse a conciliação e o pacifismo, enquanto as mulheres (que já participavam, com pouquíssima expressividade, desde a década de 1950) eram alocadas em funções ligadas às unidades de saúde. Esforços de defensores dos direitos da mulher, tanto das Nações Unidas quanto de ONGs, foram promovendo a modificação das missões de paz na década de 1990. Como consequência, foram revistas as restr
Globalização, Estado-Nação e Integração Regional

Globalização, Estado-Nação e Integração Regional

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Dentre os principais elementos do processo de globalização que ganha corpo a partir da década de 1990, os debates em torno do Estado-Nação se destacam. A crise sistêmica aprofundada na década anterior, a consolidação de um mercado mundial altamente competitivo e a propalada cartilha neoliberal do Consenso de Washington fizeram aflorar uma série de estudos que indicavam uma crise do Estado, tendo em vista a incapacidade desta instituição secular em lidar, com protagonismo, com as principais questões dos cenários doméstico e internacional. No âmbito doméstico, o avanço da democracia nos países ocidentais - especialmente na América Latina num momento em que vários países encerravam longos processos de regime ditatorial - propiciava, como consequência natural, o
A caracterização do tráfico humano como problema político internacional*

A caracterização do tráfico humano como problema político internacional*

Andrea Steiner, Camilly Regueira
Por Camilly Regueira** Andrea Steiner*** O tráfico de pessoas é um problema grave que afeta, anualmente, pessoas de todas as partes do mundo. O último Relatório Global sobre o Tráfico de Pessoas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, referente ao ano de 2014, revela que 49% das vítimas são mulheres adultas. Logo depois vêm as crianças, com 33%. Homens também são explorados, mas em menor escala. As mulheres vitimadas são geralmente jovens adultas, com baixa escolaridade, oriundas de classes populares, com algum vínculo familiar (geralmente com filhos, mas solteiras) e com dificuldades em conseguir emprego (Leal e Leal, 2002; Colares, 2004; Birol, 2013). A maioria dos aliciadores são homens, embora também haja mulheres envolvidas, e a atividade predominante é relacionada
Tráfico humano: ascensão do tema na agenda política internacional*

Tráfico humano: ascensão do tema na agenda política internacional*

Andrea Steiner, Camilly Regueira
Por Camilly P. Regueira** Andrea Q. Steiner*** O tráfico humano é um fenômeno que atinge milhões de pessoas ao redor do mundo. Sua existência é uma grave violação de direitos humanos, uma vez que suas vítimas têm sua liberdade cerceada a fim de serem exploradas. Como um tipo de crime organizado transnacional, o tráfico humano precisa ser combatido dentro e fora das fronteiras nacionais. Desse modo, a fim de olhar de forma integrada para o que os Estados estão fazendo para enfrentar este problema, ao longo do tempo foram criados instrumentos internacionais para agir nesse sentido. Aqui apresentaremos, de forma breve, um histórico da entrada e evolução do tema na agenda internacional. No início do século XX, em 1904, houve a primeira manifestação legal sobre o problema, com o Acordo Int
Os novos desafios da Diplomacia

Os novos desafios da Diplomacia

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Tradicionalmente a diplomacia é exercida com exclusividade pelos membros dos Ministérios das Relações Exteriores dos países. Embaixadores, Autoridades Consulares, Ministros e Secretários formam um corpo político especial, altamente qualificado (na maioria dos casos) que tem sido o responsável único pela implementação da política externa dos países. Importante salientar a diferença entre política externa e diplomacia. Conforme afirma Moita, a política externa é o conjunto de opções de um país no que toca à sua colocação no mundo e às suas relações com os outros, enquanto a diplomacia é uma atividade através da qual se aplica a política externa. A diplomacia é instrumental face à política externa. Designamos então ‘diplomacia’ aquele conjunto de pessoas, de ins
O Conselho de Segurança da ONU e o Brasil: revisitando velhas e novas teses

O Conselho de Segurança da ONU e o Brasil: revisitando velhas e novas teses

Thales Castro
Por Thales Castro* Ontem fui convidado pelo Itamaraty para participar de um evento internacional no Palácio sobre o presente e o futuro do Conselho de Segurança da ONU, articulando algumas linhas gerais para a política externa brasileira. Lá estavam vários embaixadores estrangeiros e várias personalidades.Minha fala, em linhas gerais, foi na linha de que a tese de defesa da posição brasileira na tentativa de buscar uma cadeira permanente ainda é válida, porém precisará de atualizações contextuais e de senso de realismo engajado na compreensão, de forma ampla e crítica, sobre as engrenagens e dinâmicas da ONU e do Conselho de Segurança, em particular. Mister se faz uma revisão crítica sobre a ONU e seu CS – aproveito aqui a oportunidade para tecer alguns dessas visões críticas. Pade
O Engajamento Brasileiro na MINUSTAH e suas inovações*

O Engajamento Brasileiro na MINUSTAH e suas inovações*

Andrea Steiner, Danilo de Barros Rodrigues
Por Danilo de Barros Rodrigues** Andrea Steiner*** De 2004 a 2016 foram instituídas doze operações de paz da ONU, dentre as quais o Brasil contribuiu em dez. O maior destaque da participação nesse período é a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti – MINUSTAH. Instituída em 2004, ainda está ativa em 2016, em razão de uma grave crise política que assolou aquele país. O Brasil, ao enviar o maior contingente de tropas ao exterior desde a II Guerra Mundial (cerca de 1.200 homens), foi incumbido de liderar o braço militar da operação, que desde a criação da operação, alterna generais brasileiros na posição de comandante de força. Esse fato é algo histórico na ONU, pois o comando militar de uma operação nunca permaneceu por tanto tempo nas mãos de um mesmo país (GOMES, 2014).
Democracia e Integração Regional: o Controverso Papel da Comissão Europeia – Parte 2

Democracia e Integração Regional: o Controverso Papel da Comissão Europeia – Parte 2

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* A Comissão Européia é considerada uma das instituições mais importantes do sistema europeu, seja no processo decisório, pelo seu poder de iniciativa legislativa, seja em virtude do seu papel na implementação e monitoramento da política pública comunitária. No entanto, apesar dos mais de 60 anos de existência, poucos estudos empíricos já se dedicaram a traçar o perfil político-profissional dos membros da instituição e, por conseguinte, entender as dinâmicas que envolvem sua nomeação e posterior controle. Por sua vez, estas pesquisas indicam que a Comissão tem cada vez mais membros com um perfil mais político do que tecnocrático, em que os comissários apresentam uma larga experiência política, principalmente em cargos eletivos. Wonka (2004), a partir de dados do Munzi