Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Conflitos Armados

A biologia determina a pacificidade? Reflexões sobre o papel das mulheres na construção da paz

A biologia determina a pacificidade? Reflexões sobre o papel das mulheres na construção da paz

Jeane Silva de Freitas
Por Jeane Silva de Freitas* Segundo Fukuyama (1998), os aspectos culturais, por si só, não explicam as relações de gênero na construção da paz internacional. Para o autor, há uma base biológica explicativa que determina as posições de dominação e pacificidade entre “homens” e “mulheres”. Fukuyama chega a essa constatação a partir de observações sobre o comportamento de primatas (chimpanzés), cujas características de interação social são semelhantes a dos seres humanos. Nesse aspecto, dois fatores são preponderantes para ratificar a tese do autor: a violência e a construção de coalizações. Nessas interações, percebeu-se que as chimpanzés fêmeas não são isentas de ações violentas, porém a natureza para a construção dessas coalizões envolvem um nível maior de fatores emocionais, o que, po
A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

Augusto W. M. Teixeira Júnior, Marco Tulio Delgobbo Freitas
Por Augusto Teixeira Jr.* Marco Túlio Delgobbo Freitas** Na última sexta, dia 15 de julho o mundo viu aturdido a uma tentativa de Golpe de Estado na Turquia. Pouco após o início de unidades militares, por terra e ar, buscarem ocupar importantes postos de comunicação, comando e controle, o Presidente Erdogan se pronunciava para o povo daquele país chamando-o à resistir a tentativa de usurpação violenta do poder por parte de setores das Forças Armadas e grupos civis que os apoiavam. A tentativa de Putsch, rapidamente debelada ainda durante o final de semana passado por setores das Forças Armadas e polícia, traz um conjunto de indagações fundamentais para o quadro de instabilidade internacional contemporâneo. A seguir, discorremos sobre algumas delas. Apesar de não ser um país árabe e ne
A aposta de Erdogan: como os excessos do presidente e a tentativa de retomada do poder pelos militares fragilizam a democracia na Turquia

A aposta de Erdogan: como os excessos do presidente e a tentativa de retomada do poder pelos militares fragilizam a democracia na Turquia

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Um Golpe em Andamento Na última sexta-feira o mundo foi surpreendido por imagens de tiroteio e blindados nas ruas de Istambul. O Exército turco iniciara a tomada do poder para, segundo um general, "preservar a ordem democrática". Os excessos praticados pelo líder Turco Tayyip Erdogan, desafiando a ordem secular instaurada no país, e a sua dificuldade de lidar com os problemas de segurança em face do terrorismo, do conflito na Síria e das pressões dos russos  pesaram na decisão das forças armadas. Os relatos desencontrados  mostraram uma infowar que tornava difícil saber o que realmente estava acontecendo na Turquia. Porém, uma coisa era certa: o mundo se via diante de mais um episódio tenso da segurança internacional. A guerra de versões continuou. Os militar
O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular : a conduta operacional do neoterrorismo político religioso  (Parte II)

O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular : a conduta operacional do neoterrorismo político religioso (Parte II)

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* O último texto discorreu em linhas gerais sobre  as grandes linhas do terrorismo  enquanto estratégia de guerra assimétrica (impacto psicológico e publicização). Da mesma forma, foram discutidas as características do neoterrorismo religioso e o extensivo emprego da “propaganda pelo ato” por parte dos radicais islâmicos ocorrido em período mais recente.  No presente artigo examina-se sumariamente algumas das principais  táticas associadas ao neoterrorismo religioso e suas implicações para a segurança internacional. As organizações que recorrem ao terrorismo como instrumento de luta não convencional foram grandemente dinamizadas pela introdução de novas tecnologias informacionais e pela redefinição de tempo e de espaço provocada pelo fenômeno da globalização. A
“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Para quem é fã de Game of Thrones e ao mesmo tempo estuda temas ligados à Guerra, Estratégia e Segurança Internacional, a “Batalha dos Bastardos” é um excelente exemplo para analisar como forças em desvantagem numérica e cometendo equívocos táticos vencem batalhas. Apesar do mistério sobre essa estranha relação causal se dever muito mais à pena de R. R. Martin, para fins didáticos, vale a pena fazer um exercício de análise estratégica sobre este evento fictício. Para tal, o texto a seguir apresenta de forma breve um conjunto de erros e acertos de ambos os comandantes militares engajados no conflito: Jon Snow (Stark) e Ramsay Bolton. Nossa principal linha de raciocínio é que o resultado da batalha, uma vitória estratégica de Snow, se deveu mais aos equívocos tát
O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular: a conduta operacional do neoterrorismo político religioso  (Parte I)

O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular: a conduta operacional do neoterrorismo político religioso (Parte I)

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Terrorismo pensado em sentido amplo O Ocidente ainda está chocado com os  recentes atentados perpetrados com explosivos e armas automáticas contra civis concentrados em locais públicos na Europa e nos Estados Unidos. Diante do assombro provocado pela violência dos atos, a comunidade internacional busca novamente conceituar e discutir as causas e o modus operandi do terrorismo. Nenhum conceito formal ou categoria analítica é perfeitamente capaz de definir  com eficácia jurídica e sócio política toda a vasta gama de organizações e práticas de guerra irregular que constituem aquilo que ao longo da sucessão histórica pode ser chamado de terrorismo. A  exemplo do que fazem os principais serviços de segurança e do mundo na contemporaneidade, a Agência Brasileira
Vitória na guerra, condição para a paz: uma outra visão sobre o acordo de Paz Colombia-FARC

Vitória na guerra, condição para a paz: uma outra visão sobre o acordo de Paz Colombia-FARC

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Recentemente fiz uma palestra para o XIII Curso de Extensão em Defesa Nacional (Ministério da Defesa) sobre a questão do acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC. O primeiro estranhamento que tive ao ser convidado para proferir uma fala sobre o assunto consistiu na questão de como alguém que pensa a guerra poderia dissertar com isenção sobre a emergência da paz. Este primeiro inquietamento me fez voltar a algumas leituras sobre o bom e velho Clausewitz e textos sobre guerrilhas e insurgências. Se guerra é a continuação da política, nenhuma forma de guerrear é mais política do que a guerrilha. Optando por esta chave-explicativa desenvolvi o argumento que sintetizo abaixo. Após mais de 60 anos de guerra civil, o governo colombiano e as Forças Armadas
Por que estudar teoria dos jogos? Lições de Allison e Zelikow (1999).

Por que estudar teoria dos jogos? Lições de Allison e Zelikow (1999).

Irene Rodrigues Gois, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Irene Rodrigues Gois* Rodrigo Barros de Albuquerque** A teoria dos jogos (TJ) surgiu a partir da teoria da escolha racional e se desenvolveu em diversas áreas, como a economia, a ciência política e as relações internacionais, esta última sendo o principal enfoque deste texto. A TJ utiliza-se de modelos matemáticos que asseguram maior precisão analítica. Através desses modelos - o dilema do prisioneiro, o jogo do galinha e a batalha dos sexos, por exemplo -, busca-se contribuir para a análise estratégica dos eventos que envolvem barganha, antecipando as melhores ações em cada cenário possível. Dada a adoção da perspectiva racional, as decisões consequentes do emprego desses modelos baseiam-se na maximização de resultados por meios que proporcionem menores custos e maiores benefícios
A guerra do Iêmen e o papel da Arábia Saudita

A guerra do Iêmen e o papel da Arábia Saudita

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* As negociações de paz para por fim ao conflito no Iêmen iniciadas há cinco dias, em Berna, Suíça, serão retomadas em 14 de janeiro do próximo ano. Não houve consenso entre as partes para se chegar a um acordo. Os combates se intensificaram na província de Jawf, na fronteira com a Arábia Saudita, entre as forças apoiadas por Riad e os rebeldes xiitas houthis. Desde março a Real Força Aérea Saudita têm realizado bombardeios tanto na capital do Iêmen, Sana’a, como no interior do país. Segundo a ONU, a guerra já deixou 6.000 mortos e 28.000 feridos. Nomeada inicialmente de “Operação Tempestade Decisiva” a campanha militar saudita ainda não levou, ironicamente, a uma definição da guerra. Os houthis já travaram seis guerras contra o governo desde 2004 e obti