Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Tag: Conceitos

O Multiculturalismo e a fragmentação social no Mundo Pós-Moderno

O Multiculturalismo e a fragmentação social no Mundo Pós-Moderno

Matheus Leite do Nascimento
Por Matheus Leite do Nascimento* Ao fazermos uma delimitação cronológica, o Pós-Modernismo nasce já no final do século XX, sendo fruto de uma série de movimentos sociais e ramificações do âmbito político, tendo forte caráter identitário e sendo percursor de mobilizações em prol da igualdade. A pós-modernidade surge como alternativa de supressão ao período conhecido como “Modernismo”, negando suas noções idealistas de progresso pautadas na Razão Iluminista e incorporando premissas mais específicas de diferentes grupos sociais. Movimentos que preconizam a igualdade de gênero, como o feminista, além de outros étnicos, como o negro, surgem nesse contexto visando promover reformas importantes para a concretização de uma sociedade mais plena, em que essas minorias conquistariam maiores graus
O superpresidencialismo na Rússia de Putin

O superpresidencialismo na Rússia de Putin

Antonio Henrique Lucena Silva, Maria Eduarda Buonafina Franco Dourado
Por Maria Eduarda Buonafina Franco Dourado* Antonio Henrique Lucena Silva**    Introdução O modelo de governo autoritário do atual presidente Vladimir Putin em um sistema que, em teoria, é classificado como democrático, tem se apoiado na Constituição Russa de 1993. Sua principal característica é a hierarquização do poder, sendo o executivo como principal detentor do nível mais alto. O presidente, através dos seus poderes, tem criado mecanismos que o permite obter controle das instituições democráticas do país. O país russo vêm enfrentando uma crise democrática após a entrada de Putin no poder, em que os mecanismos democráticos estão sendo constantemente controlados no seu interior pelo poder executivo. Observando as últimas eleições desde a entrada de Putin no governo até as eleições
A biologia determina a pacificidade? Reflexões sobre o papel das mulheres na construção da paz

A biologia determina a pacificidade? Reflexões sobre o papel das mulheres na construção da paz

Jeane Silva de Freitas
Por Jeane Silva de Freitas* Segundo Fukuyama (1998), os aspectos culturais, por si só, não explicam as relações de gênero na construção da paz internacional. Para o autor, há uma base biológica explicativa que determina as posições de dominação e pacificidade entre “homens” e “mulheres”. Fukuyama chega a essa constatação a partir de observações sobre o comportamento de primatas (chimpanzés), cujas características de interação social são semelhantes a dos seres humanos. Nesse aspecto, dois fatores são preponderantes para ratificar a tese do autor: a violência e a construção de coalizações. Nessas interações, percebeu-se que as chimpanzés fêmeas não são isentas de ações violentas, porém a natureza para a construção dessas coalizões envolvem um nível maior de fatores emocionais, o que, po
O gender mainstreaming promove empoderamento feminino?

O gender mainstreaming promove empoderamento feminino?

Nayanna Sabiá de Moura
Por Nayanna Sabiá de Moura*   As questões de gênero importam e podem alterar a trajetória política internacional. Diante dessa preocupação, as Relações Internacionais passaram a incorporar paulatinamente as análises de gênero, especialmente a partir da década de 1990. No entanto, cabe pontuar que há uma distinção bastante sensível entre análise de gênero e feminismo. Esses dois conceitos não são sinônimos. A análise de gênero correlaciona a masculinidade e a feminilidade, no escopo da política internacional, mas marginaliza os efeitos causais das assimetrias de poder, geradas nesse espaço. Nas palavras de Enloe (2007, p.100, grifo nosso): Still, ‘feminist analysis’ and ‘gender analysis’ are not synonymous. They are complementary – each enhances the other – but they are not synonymo
Feminismos e Relações Internacionais: uma generificação conceitual*

Feminismos e Relações Internacionais: uma generificação conceitual*

Murilo Mesquita
Por Murilo Mesquita** As teorias feministas, no campo de estudo em Relações Internacionais, se expandem desde 1990, de modo que se tornam cada vez mais evidentes. Essa proliferação se dá a partir da tentativa de romper com noções masculinizadas de conceitos centrais a esse campo de estudo, tais como Estado, segurança e guerra. Essas abordagens buscam introduzir a noção de gênero como chave-explicativa para entender as relações de poder da cena internacional (TRUE, 2005). Com esta tomada de posição, as teorias feministas, junto às abordagens pós-modernas, construtivistas e da teoria crítica, contestam o poder e a produção de conhecimento das escolas que fazem parte do mainstream teórico das Relações Internacionais (RI). Esse mainstream teórico, ou como denominam as abordagens feministas
Relações Internacionais, política internacional, política externa e política estrangeira: quais as diferenças de nomenclatura?

Relações Internacionais, política internacional, política externa e política estrangeira: quais as diferenças de nomenclatura?

Thales Castro
Por Thales Castro* No contexto de sala de aula e mesmo em foros específicos mais aprofundados, é comum, especialmente quando estamos ministrando uma disciplina teórico-introdutória da ciência das Relações Internacionais, deparamo-nos com as nomenclaturas básicas que são objetivo do título desta nossa reflexão. Neste sentido, o objetivo primordial de nossas considerações hoje é no sentido de diferenciar e esclarecer tais pontos, revelando, por seu turno, importantes análises sobre essas bases fundamentais do estudo temático da área internacional. Os termos “Relações Internacionais” e “política internacional”, muitas vezes com letras maiúsculas indicando nomes próprios ou não, são usados de maneira indiscriminadamente como sinônimos – e são efetivamente? A resposta é não. Primeiramente,
Idealismo e Realismo nas Relações Internacionais Contemporâneas: uma proposta de análise – Parte 2

Idealismo e Realismo nas Relações Internacionais Contemporâneas: uma proposta de análise – Parte 2

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Inspirados na obra de Carr, E.H., apresentamos, na primeira parte deste texto, uma proposta de discussão sobre a nova roupagem utópico-idealista presente nos discursos acadêmicos e políticos atuais e que se expressa, fundamentalmente, a partir das premissas da democracia neoliberal que marcou o final do século XX e os primeiros anos do XXI. Nesta segunda parte, analisamos, brevemente, a manutenção das premissas realistas que buscam reafirmar a imutabilidade estrutural das relações internacionais, pautadas, essencialmente, na securitização do mundo a partir das chamadas novas ameaças. Tal análise remonta à Maquiavel (2000) - ao mostrar que o interesse primeiro do Estado é a sua própria segurança e preservação - e se ancora também numa visão hobbesiana do esta
E se o Impeachment fosse um Golpe?*

E se o Impeachment fosse um Golpe?*

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.** O presente texto apresenta uma breve conjectura baseada num cenário onde um Golpe de Estado estaria em curso no Brasil contemporâneo. A ficção desenvolvida a seguir se apoia na compreensão de que um Golpe objetiva a mudança da ordem institucional por meios ilegais. Como poderemos atesar, a narrativa que segue esboça a possibilidade de um conjunto de dispositivos passíveis de utilização pelo Executivo Federal para pôr término a uma situação de agressão à democracia como a de um golpe. Sem buscar firmar posição no debate, o texto busca instigar o leitor a refletir acerca da natureza da conjuntura política não através dos fatos a que temos notícia pelos jornais ou meios institucionais, mas da sequência de eventos que não ocorreram. Baseados no cenário e nos poder
Na busca de um neoiluminismo nas relações internacionais contemporâneas

Na busca de um neoiluminismo nas relações internacionais contemporâneas

Thales Castro
Por Thales Castro* O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar. Procuro despir-me do que aprendi,  procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram [...] Trago ao Universo um novo Universo porque trago ao Universo ele-próprio. Alberto Caeiro, O guardador de rebanho (1911-1912). A coisa mais perfeita que podemos experimentar é o misterioso. É a fonte de toda arte e de toda ciência verdadeira Albert Einstein As palavras de profundo alcance de Alberto Caeiro, um dos pseudônimos de Fernando Pessoa, e de Albert Einstein estão unidas de uma forma muito particular: o mistério do universo é que nos move; sua grandiosidade é que nos impulsiona. Inexoravelmente, o mistério fascinante das Relações Internacionais foi
As Potências no Sistema Internacional: as potências médias!

As Potências no Sistema Internacional: as potências médias!

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* O conceito de potência média foi muito utilizado por analistas de relações internacionais durante o século XX, em especial, durante a guerra fria. Referia-se àqueles atores internacionais que se adaptavam ao sistema bipolar articulando interesses de um dos grandes polos. O ponto fundamental para definir uma potência média seria a relação que teria com uma grande potência, pois valeriam mais pela aliança com as grandes potências do que pelo potencial dano que poderiam causar aos atores com maior poder. Martin Wight (2002, p.49) definiu bem esta relação entre as grandes e as médias: uma potência média é uma potência com poderio militar, recursos e posição estratégica de tal ordem que em tempos de paz as grandes potências desejam ter seu apoio. Em tem