Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Dragões, Estudos Estratégicos e Game of Thrones: Entendendo a Vitória pelo Poder Aéreo

Dragões, Estudos Estratégicos e Game of Thrones: Entendendo a Vitória pelo Poder Aéreo

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* O seriado Game of Thrones exibido pela HBO tem conquistado cada vez mais adeptos para acompanhar o desenrolar da sua história. Baseada na obra do romancista e roteirista George R.R. Martin “A Song of Ice and Fire” (título original em inglês), o desenrolar da história possui muitas referências ao mundo real. O paredão de gelo defendido pela Patrulha é uma inspiração na Muralha de Adriano, concluída pelos romanos no ano de 126 na Escócia para evitar a entrada dos “bárbaros”. As disputas de poder em Westeros também são baseadas nos conflitos que ocorreram na Idade Média: em 1455 estourou a Guerra das Rosas na Inglaterra. A casa York (simbolizada pela rosa branca) e a Lancaster (simbolizada pela rosa vermelha) duelaram por 30 anos. Até mesmo os nomes das p
Infraestrutura Crítica na União Europeia

Infraestrutura Crítica na União Europeia

Thaynar Dantas
Por Thaynar Dantas* No texto anterior, pontuou-se que ataques cibernéticos representam uma ameaça ao funcionamento de infraestrutura crítica, que dependem do bom funcionamento de sistemas tecnológicos. O presente texto tratará das definições de infraestrutura crítica e da interconectividade dos sistemas na União Europeia. As infraestruturas críticas são infraestruturas essenciais para a manutenção de funções vitais para a sociedade, sendo estas: bancos e o setor financeiro, governo (instituições democráticas, serviços, forças de segurança), telecomunicações e tecnologias de informação e comunicação, serviços de emergência e resgate, energia e eletricidade, setor de saúde, transportes, logística e distribuição e fornecimento de água. Como pontuado por Schibberges (2011), infraestruturas s
Ataques, Armas e Guerra Cibernética

Ataques, Armas e Guerra Cibernética

Thaynar Dantas
Por Thaynar Dantas* Com o ataque cibernético em massa iniciado na semana passada, que atingiu hospitais, empresas e entidades em mais de 70 países, muito tem se discutido sobre segurança cibernética e sobre como lidar com ataques de tal magnitude. Ainda que diminuir as vulnerabilidades trazidas pela alta dependência tecnológica dos mais diversos setores da sociedade permaneça um desafio, é imprescindível entender os diversos tipos de agressões que podem ser empregadas no espaço cibernético e o papel dos Estados neste âmbito. Singer e Friedman (2014) mencionam que no âmbito do ciberespaço o termo “ataque” tem sido utilizado para caracterizar desde protestos online, a sabotagem de pesquisas nucleares e até atos de guerra, concebendo-os enquanto ações similares apenas por envolverem tecnol
Nem tão longe, nem tão perto: onde buscar as variáveis para análise dos constrangimentos internacionais da América Latina

Nem tão longe, nem tão perto: onde buscar as variáveis para análise dos constrangimentos internacionais da América Latina

Ian Rebouças Batista
Por Ian Rebouças* Que os estudantes e analistas das Relações Internacionais (RI), pela própria natureza da área, relevam a política interna dos Estados em suas análises já é amplamente criticado, quase que por todas as teorias que desafiam o mainstream do campo. Os próprios realistas buscam suprir a ausência desse aspecto com a abordagem neoclássica, proposta por autores como Schweller, Zakaria e Wolfhart. Nessa abordagem, que mantém o núcleo dos pressupostos realistas, desce-se ao nível interno dos Estados para que se estude como são formuladas as Políticas Externas e de que forma isso influencia, portanto, a ação estatal no Sistema Internacional (SI). Contudo, o que este texto propõe é fortalecer a necessidade do campo das RI de ir além nos estudos do âmbito interno. Se não tanto quan
Democracia e as causas das mudanças de regime

Democracia e as causas das mudanças de regime

Mariana Meneses
Por Mariana Meneses*   Qual a relação entre crescimento econômico e regime político? Explicar instabilidades e mudanças em regimes e suas conexões com o desenvolvimento é um problema central para cientistas políticos contemporâneos. O presente texto foca nas explicações oferecidas por teóricos que defendem a importância das instituições para o crescimento econômico, a exemplo dos trabalhos de Przeworski e Limongi (1993) e Glaeser et al (2004), bem como nas críticas por esses recebidas, que, em suma, argumentam que instituições eficazes não geram, mas são consequências de um alto desenvolvimento socioeconômico – como é o caso de Acemoglu e Johnson (2001) e Banerjee e Iyer (2005). De forma mais específica, esses trabalhos têm focado nas relações entre crescimento econômico e o sur
O sentido do supranacionalismo na União Europeia

O sentido do supranacionalismo na União Europeia

José Victhor Bezerra de A. A. Silva
No dia 24 de março de 2017, houve uma reunião no Estado da Cidade do Vaticano, entre Francisco I e os atuais 27 chefes de Estado e Governo da União Europeia (UE). O evento é parte da cerimônia de assinatura da Declaração de Roma, marcando o sexagésimo ano de fundação do bloco e edição do Livro Branco sobre o Futuro da Europa para traçar cenários prospectivos. Por que tanto o Tratado de março de 1957 quanto a hodierna Declaração de Roma foram assinados no Appartamento de Conservatori, ao abrigo de uma estátua de Inocêncio X, um defensor do poder supranacional do papa e do sacro-imperador? Para compreender a relevância da sede de assinatura do tratado fundador da Comunidade/União Europeia, discutiremos neste artigo o papel da Democracia Cristã (DC) e também da Igreja Católica na formação d

Lattes dos Fracassos: uma aula motivacional

Ian Rebouças Batista, Oleg Komlik
Uma regra fundamental na escrita de um currículo baseia-se no postulado não dito de que se deve omitir qualquer coisa que não saiu como planejada ou que realmente não deu certo. Esse princípio é duplamente válido e relevante quando elaboramos o nosso currículo Lattes. Cada Currículo Lattes é uma festiva celebração e uma lista onde se destacam vitórias e realizações pessoais! Ora, nossa jornada profissional é realmente um caminho feito apenas de sucessos? Ou em alguns momentos e locais houve fracassos e perdas? Sim, claro! Apenas não existem rastros desses momentos ruins no Lattes. Um Professor Assistente de Psicologia e Relações Públicas, na Universidade de Princeton, EUA, Johannes Haushofer, decidiu mostrar que nossas falhas e tropeços “invisíveis” são partes importantes de um caminho s
Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte II) : contenção da China

Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte II) : contenção da China

Elton Gomes dos Reis
O Cenário Asiático: uma delicada relação com a China Em período mais recente a imagem dos EUA na Ásia tem passado por um grande desgaste diante da ascensão da China. O país hegemônico é acusado de não se fazer presente em termos militares na região para garantir importantes aliados como  o Japão, a Coréia do Sul e Taiwan contra os perigos representados pelas ambições chinesas e pelo programa nuclear norte-coreano. Até mesmo países historicamente alinhados com os EUA como as Filipinas mostram um incomum anti-americanismo. Contudo, antes de pensar em lidar com as Filipinas, o novo presidente precisará  definir as linhas diretivas da política externa americana para a China. Trump precisa promover uma cuidadosa avaliação (assumindo que alguém com tal personalidade possa de fato fazer alg
Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança               de poder Com a Rússia?

Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança de poder Com a Rússia?

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Contrariando todas as pesquisas o magnata Donald Trump chegou à Casa Branca. A postura do novo governo americano com relação à segurança na Europa e na Ásia é alvo de profundo interesse e preocupação da comunidade internacional.  A política de projeção de poder da Rússia de Putin e o chamado pivô asiático se colocam como temas da mais alta relevância para Washington. Depois de iniciada a gestão, os analistas afirmam que é bastante razoável acreditar que boa parte das promessas de campanha de Trump não possam ser efetivamente cumpridas por não serem factíveis em termos políticos e econômicos[1]. Apesar disso, por tudo o que pôde ser visto durante o tenso processo eleitoral, em nenhuma outra área Donald Trump teve uma opinião tão diferente da política dos Estado
O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

Marco Tulio Delgobbo Freitas, Renato Prado Kloss
Por Marco Tulio Delgobbo Freitas* Renato Prado Kloss** No dia 18 de janeiro de 2017, a força aérea israelense declarou que entrou em operação o seu mais novo sistema de interceptação antimísseis: o Arrow 3. Este novo sistema, propicia uma melhor performance em sua rede de defesa, baseada em multicamadas, contra mísseis balísticos. Projetado para voar o dobro do alcance e com metade do peso do Arrow 2, este novo sistema permite a Israel a consolidação de seu sistema de defesa antimísseis, já testados e aprovados durante a Operação Iron Dome, principalmente contra os mísseis balísticos que possuem a mesma tecnologia do míssil norte-coreano BM-25 Musudan, como é o caso dos mísseis classe Shahab-3 do Irã (DAILY MAIL, 2016). O sistema antimísseis elaborado por Israel é uma resposta para u