Publicação mensal sobre Relações Internacionais
Mandado de Jacarta: um instrumento internacional para a conservação da biodiversidade marinha*

Mandado de Jacarta: um instrumento internacional para a conservação da biodiversidade marinha*

Andrea Steiner
Por Andrea Steiner** Os problemas ambientais comumente transpõem fronteiras políticas e por este motivo constituem um tópico extremamente relevante dentro das relações internacionais. A biodiversidade marinha é um exemplo claro disso. Atualmente existem vários acordos que lidam direta ou indiretamente com este tema, entre os quais a Convenção sobre Direito do Mar, a Convenção de Ramsar sobre Áreas Úmidas, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES), a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e diversos outros tratados globais, bilaterais e regionais. Adotada em 1993 com o objetivo de conservar a diversidade biológica do planeta e promover o uso sustentável e equitativo dos seus componentes, dois pontos podem ser de
De Alderaan a Endor: como entender a insurgência a partir de Star Wars?*

De Alderaan a Endor: como entender a insurgência a partir de Star Wars?*

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.** Creio ser difícil encontrar um internacionalista ou estudioso de política internacional que nunca tenha assistido Star Wars. Em tempos de Estado Islâmico, observamos a continuidade das guerrilhas e insurgências como desafios constantes para a segurança internacional. Desta forma, no ano em que a saga será retomada para mais uma trilogia, vale a pena pensar como os acontecimentos daquela galáxia muito distante podem ser elucidativos de problemas contemporâneos nos quais a guerra é assunto central. Antes de lembrar os sabres de luz, das naves pomposas e das tramas emocionais, a saga acontece no contexto de um longo conflito. Tal como a Força, a guerra é uma das constantes em Star Wars. Uma das primeiras perguntas que o estudioso de defesa e segurança faz quando
Is Argentina back on the world’s map?

Is Argentina back on the world’s map?

Jean Daudelin
Por Jean Daudelin* Argentina has the second largest economy of South America (after Brazil), its third largest population (after Brazil and Colombia) and, in spite of all the problems of recent years, the region's second highest GDP (PPP) per capita (after Chile). It’s a huge country whose agricultural potential and agro-business productivity are phenomenal, it has large reserves of gas and, for almost a century and in spite of recent difficulties, it has boasted one of the best educated population of the continent. And yet, it has had no significant international or even regional presence or influence for at least 50 years. During that period, with brutally authoritarian or utterly dysfunctional democratic political systems, inconsistent public policies, and one of the world's most vol
O Brasil e a crise: o internacional importa?

O Brasil e a crise: o internacional importa?

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* Essa simples palavra de cinco letras tem dominado os noticiários nos últimos meses e muito se questiona se estamos diante de uma crise política reverberando na economia, ou seria de fato uma crise econômica implicando na estabilidade política. Provavelmente ambas estão conectadas, reforçando-se mutuamente. No entanto, pouco se questiona sobre o papel do sistema internacional na crise econômica nacional. Se a crise de 2008 iniciada nos Estados Unidos não afetou o Brasil como afetou outras nações, como apontam alguns analistas, quais seriam então as causas da turbulência atual? Em clássico texto de 1977, Keohane & Nye buscavam entender de que forma as nações estão interligadas no sistema internacional, em uma tentativa de estabelecer parâmetros mínimos para mensur
Comércio Internacional: alguns pontos sobre a sua regulamentação

Comércio Internacional: alguns pontos sobre a sua regulamentação

Eugênia Barza
Por Eugênia Barza* Quando o comércio internacional é referido em estudos ou em debates, duas questões são postas: da necessidade de existência de normas efetivas e de como tornar o cumprimento dos preceitos obrigatório. Estas questões devem ser analisadas levando em consideração as contribuições do GATT e da OMC, bem como dos pressupostos da Lex Mercatoria. Partindo do pressuposto de que comércio tem por base um sistema de trocas, teremos como dado a existência de atividade mercantil registrada em várias passagens históricas. Mas, sem voltar ao Paleolítico, é fácil perceber que foi através de sistemas de trocas que os povos começaram o intercâmbio além das mercadorias, excedentes da até então pouco especializada produção, começando a estabelecer em algumas práticas de negociação alguns
A Integração Regional Latino-Americana: o Modelo Hegemônico

A Integração Regional Latino-Americana: o Modelo Hegemônico

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* O objetivo deste texto é apresentar uma breve análise acerca dos processos de integração regional na América Latina a partir das noções de hegemonia e pós-hegemonia. Por razões de espaço, neste primeiro momento, discute-se a implementação do modelo hegemônico de integração que caracteriza a região a partir das duas últimas décadas do século XX, reservando-se a discussão sobre o modelo pós-hegemônico para uma próxima postagem. Os acontecimentos das décadas de 1980 e 1990 imprimiram importantes mudanças aos países latino-americanos. Depois de cerca de sessenta anos de políticas desenvolvimentistas, a região rompeu o percurso e optou pela adesão ao neoliberalismo, representado pelo Consenso de Washington. A crença nas possibilidades da “mão invisível” do mercad
Cratologia: o poder como enigma, meio e fim das Relações Internacionais

Cratologia: o poder como enigma, meio e fim das Relações Internacionais

Thales Castro
Por Thales Castro* Poder é um conceito multifacetado e em constante mutação que permite a um determinado Estado ter seus interesses sobrepostos aos demais Estados, ou quaisquer outros atores internacionais, pelo uso de ameaça (poder potencial) ou mesmo de efetivação de conflitos armados e demais instrumentos coercitivos (poder atual). Poder é energia cinética de relevância nas engrenagens internacionais; é fonte de discórdia e é nascedouro de conquistas; é, ademais, essência dinâmica do estudo da política internacional. Contudo, poder, isoladamente, não é criado em um vácuo nem possui senhorios perpétuos para seu domínio. Dentre as muitas definições de poder, optou-se aqui pela definição de poder mais voltada para o cenário político-decisório internacional na obra de Rosati: “a capacid
Montando o puzzle para a pesquisa em Relações Internacionais.

Montando o puzzle para a pesquisa em Relações Internacionais.

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Se o "fazer" científico é um processo laborioso, produção de uma forma de aprender diferenciada de outras formas do saber, ciência não se faz sem método. Desta forma, se estabelece um aparente estranhamento: como produzir conhecimento com métodos e abordagens qualitativas, mas com rigor metodológico? Além do debate sobre qual o objeto das RI, discutido por Cinthia Campos em “Os desafios da pesquisa em Relações Internacionais”, surge outro desafio para além da delimitação do campo: como apreender a realidade internacional? No que seria o nosso “calcanhar metodológico”, verifica-se às vezes a ausência de estratégias robustas de pesquisa, boa relação entre o que se quer saber e como saber. Esta deficiência, ligada ao low profile da metodologia em detrimento da te
Desafios e dilemas do enfrentamento ao Estado Islâmico

Desafios e dilemas do enfrentamento ao Estado Islâmico

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Os últimos atentados terroristas perpetrados pelo grupo autodenominado “Estado Islâmico” em Paris, França, no dia 13 de novembro deixou 130 mortos e outra centena de feridos. A materialização desse ataque levantou dúvidas sobre a eficácia do setor de inteligência francês que não conseguiu prever os golpes desferidos contra a casa de shows Bataclan, o Stade de France e outros pontos da cidade. O massacre dos 12 cartunistas do semanário Charlie Hebdo, no dia 7 de janeiro, realizado pelos irmãos Said e Cherif Kouachi, e outra investida, no mesmo dia, ao um supermercado Kosher da comunidade judaica também foram reivindicados pelo grupo extremista. A organização terrorista assumiu a autoria do atentado a bomba que derrubou o avião russo na península do Sinai.
Qual a relevância da União Europeia?

Qual a relevância da União Europeia?

Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Rodrigo Barros de Albuquerque* Os Atentados de Paris de 2015 realizados pelo Estado Islâmico provocaram de imediato um recuo às liberdades de circulação ao provocar o fechamento das fronteiras da França e ao estabelecimento de medidas mais rigorosas de segurança nos aeroportos franceses já na manhã seguinte. Nos dias que se seguiram aos ataques, explodiram as notícias sobre a reação do governo com a caçada aos terroristas que não morreram nos ataques, em especial àquele que liderou o planejamento dos atentados, bem como notícias sobre outros ataques terroristas realizados no Líbano, na Nigéria e, agora, no Mali. A França já está circulando texto provisório para uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas na qual convocará os países membros do Conselho a tomarem medidas ma