Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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E agora, Reino Unido?*

E agora, Reino Unido?*

Marcelo de Almeida Medeiros
Por Marcelo de Almeida Medeiros** O Partido Conservador venceu. Contrariando a maior parte das expectativas, David Cameron terá maioria em Westminster – 331 assentos - e governará sem a necessidade de estabelecer coalizão com alguma outra agremiação. E agora Sua Majestade? E agora Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte? Algumas considerações podem ser efetuadas a fim de se compreender o porquê de tal resultado e quais as suas possíveis consequências políticas internas e externas. Inicialmente, é importante assinalar que o Reino é dividido em 650 distritos (constituencies) e adota o sistema majoritário uninominal com um só turno. Ora, o mecanismo first-past-the-post, que caracteriza este tipo de escrutínio e é marcado pela lógica de quem ganha leva tudo, tende a favorecer o
How much can an election change a country’s foreign policy? A few lessons from the next four years in Canada

How much can an election change a country’s foreign policy? A few lessons from the next four years in Canada

Jean Daudelin
Por Jean Daudelin* On October 18 in Canada, against all pre-electoral forecasts, Justin Trudeau's Liberal Party convincingly defeated Stephen Harper's Conservatives. Over his nine years in power, Harper had taken Canada into policy directions where the country had rarely ventured. Canada's international and domestic image of a generous blue-helmetted bridge-builder has morphed into that of a body-armoured carbon-spewing tough out to re-fight the Cold War and give muslim fundamentalists what they deserve. Canada's careful fence-sitting in the Middle-East, and its diplomats' hyperactivism in all the clubs, summits and organizations that would invite them, was replaced by a strong alignment with the current Israeli government's rigid policies, and with a quiet disinvestment and sometimes o...
Segurança alimentar, meio ambiente e cooperação internacional*

Segurança alimentar, meio ambiente e cooperação internacional*

Andrea Steiner
Por Andrea Steiner** Quando os estudos sobre segurança internacional começaram a se intensificar em meados do século XX, utilizava-se um conceito tradicional de segurança, centrado no Estado e com ênfase na soberania e na integridade territorial. Ou seja, as maiores ameaças eram tidas como externas aos países. Tal conceito começou a ser questionado na década de 1980, adequando-se às mudanças no cenário internacional. Pois com a maior interdependência entre os Estados e a crescente complexidade dos problemas globais, passou a se estudar diferentes “seguranças”, como a segurança ambiental, a econômica, a social e a alimentar (além da militar, é claro). Neste contexto e com o aumento populacional, maior atenção passou a ser dada a questões relacionadas à segurança alimentar planetária. P
Comércio, integração e questões jurídicas: dificuldades e alternativas

Comércio, integração e questões jurídicas: dificuldades e alternativas

Eugênia Barza
Por Eugênia Barza* Considerando que o comércio internacional tem sido normatizado em acordos multilaterais, é de indagar como tornar tais regras compatíveis com as regras de direito interno. O comércio e a integração requerem análise de questões jurídicas rápidas para serem efetivos, algo que nem sempre ocorre. No que diz respeito ao Brasil, temas de comércio são normatizados em nível interno a partir da competência estabelecida constitucionalmente. Compete à União competência para disciplinamento de questões gerais de comércio, no que as questões específicas irão requerer tratamento legislativo que não poderá ultrapassar a margem do permissivo, mesmo para temas internacionais.[1] (REIS: 2001, 76-90). A dificuldade surge com o conteúdo de determinadas normatizações, quando pretensamen
A Parceria Trans-Pacífico

A Parceria Trans-Pacífico

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* A Parceria Trans-Pacífico ou TransPacific Partnership – TPP é uma proposta de acordo comercial que irá envolver, inicialmente, 12 países (Estados Unidos, Japão, Canadá, México, Peru, Chile, Cingapura, Austrália, Brunei, Malásia, Nova Zelândia e Vietnã), cerca de 790 milhões de pessoas e 40% da economia mundial. Depois de alguns anos de negociação, o acordo foi assinado em 5 de outubro de 2015 e aguarda a ratificação interna dos países-membros. Evidentemente, uma proposta comercial desta envergadura gera grandes debates. Nos Estados Unidos, país-líder da proposta, democratas e republicanos estão divididos. Por um lado, a parceria condiz com o interesse nacional norte-americano no que se refere à expansão comercial do país e à intenção de diminuir a influência
Os desafios da pesquisa em Relações Internacionais

Os desafios da pesquisa em Relações Internacionais

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* Qual o objeto de estudo das Relações Internacionais (RI)? Uma resposta automática seria "o sistema internacional". Não estaria completamente errada, porém não abarcaria toda a dinâmica inerente à área. Um exemplo claro desta contradição é a Análise de Política Externa, dedicada ao contexto doméstico na formação da agenda internacional. Dessa forma, afirmar que o objeto da disciplina é apenas o que acontece no âmbito internacional, ou seja o "lá fora", é limitar a sua capacidade analítica. Apesar da ausência de consenso entre as abordagens clássicas como o Realismo e o Liberalismo, em geral, as RI contemporâneas dedicam-se a compreender a interação presente entre as esferas nacional e internacional. Portanto, as diferenças de análise estabelecem-se principalmente por
Olá, mundo!

Olá, mundo!

Vox Magister
Como qualquer projeto, este blog não nasceu da noite para o dia. Como qualquer projeto, passou por um período de gestação de alguns meses de troca de ideias, de objetivos, de planejamento, de convites. Eis que agora ele nasce, mas não como um projeto qualquer, e sim como um projeto sólido, que incorpora fortemente dois objetivos. O primeiro objetivo do Vox Magister é ser um veículo de apresentação de opiniões e análises sobre temas de Relações Internacionais (com maiúsculas, porque ciência e não objeto) à comunidade em geral, fugindo à superficialidade habitual dos veículos de mídia. O blog não pretende ser uma simples newsletter (embora você possa segui-lo se tiver uma conta do Wordpress) ou um clipping de notícias - há vários bons exemplos de trabalhos desse tipo na Internet. Nosso ob