Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Thales Castro

Doutor em Ciência Política (UFPE); Mestre e Graduado em Relações Internacionais (Indiana University of Pennsylvania). Assessor Internacional e Professor da UNICAP, é Coordenador do curso de Relações Internacionais da Faculdade Damas, Cônsul de Malta em Recife e Presidente da Sociedade Consular de Pernambuco.

O Presidente Trump

O Presidente Trump

Thales Castro
Por Thales Castro* A poucos dias das eleições americanas, é necessário que separemos bem as análises frias e objetivas da ciência política dos desejos subjetivos pessoais para esse pleito eleitoral (wishful thinking). Agora não poderia ser diferente. É momento de reflexão pontiaguda diante do cenário acirrado e complexo que se desenha nos EUA. O título deste ensaio já é bastante provocador e revela a preocupante tendência que se consolida diante do eleitor médio daquele país. De acordo com fatos recentes, observamos que há sim a possibilidade (bastante plausível) de os EUA terem Trump como presidente, com sua ultrapassagem de Hillary materializada na arrancada na reta final desta agressiva campanha. Vejamos cinco razões explicativas para tais evidências: 1. Em termos históricos e antr
Diplomacia e Semiótica: a linguagem como ferramenta política das Nações

Diplomacia e Semiótica: a linguagem como ferramenta política das Nações

Thales Castro
Por Thales Castro*   A semiótica opera a ponte científica de compreensão e manipulação dos conceitos e usos da linguagem humana. Há finalidade bem definidas neste âmbito cientifico. Neste contexto, a própria semiótica torna-se a ferramenta de poder e de politicidade na diplomacia – foco de nossas análises aqui. Convém mencionar que será objeto de nossas análises como esta semiótica especificamente aplicada à dinâmica diplomática pode servir aos interesses de curto e médio prazos dos Estados Nacionais. Diplomacia como arte, como práxis e como política pode ser estruturada e classificada quanto à natureza dos atores envolvidos e quanto à sua finalidade operacional. Pela quantidade de atores envolvidos, a diplomacia pode ser de cunho bilateral ou multilateral, quando envolver, res
O Conselho de Segurança da ONU e o Brasil: revisitando velhas e novas teses

O Conselho de Segurança da ONU e o Brasil: revisitando velhas e novas teses

Thales Castro
Por Thales Castro* Ontem fui convidado pelo Itamaraty para participar de um evento internacional no Palácio sobre o presente e o futuro do Conselho de Segurança da ONU, articulando algumas linhas gerais para a política externa brasileira. Lá estavam vários embaixadores estrangeiros e várias personalidades.Minha fala, em linhas gerais, foi na linha de que a tese de defesa da posição brasileira na tentativa de buscar uma cadeira permanente ainda é válida, porém precisará de atualizações contextuais e de senso de realismo engajado na compreensão, de forma ampla e crítica, sobre as engrenagens e dinâmicas da ONU e do Conselho de Segurança, em particular. Mister se faz uma revisão crítica sobre a ONU e seu CS – aproveito aqui a oportunidade para tecer alguns dessas visões críticas. Pade
Relações Internacionais, política internacional, política externa e política estrangeira: quais as diferenças de nomenclatura?

Relações Internacionais, política internacional, política externa e política estrangeira: quais as diferenças de nomenclatura?

Thales Castro
Por Thales Castro* No contexto de sala de aula e mesmo em foros específicos mais aprofundados, é comum, especialmente quando estamos ministrando uma disciplina teórico-introdutória da ciência das Relações Internacionais, deparamo-nos com as nomenclaturas básicas que são objetivo do título desta nossa reflexão. Neste sentido, o objetivo primordial de nossas considerações hoje é no sentido de diferenciar e esclarecer tais pontos, revelando, por seu turno, importantes análises sobre essas bases fundamentais do estudo temático da área internacional. Os termos “Relações Internacionais” e “política internacional”, muitas vezes com letras maiúsculas indicando nomes próprios ou não, são usados de maneira indiscriminadamente como sinônimos – e são efetivamente? A resposta é não. Primeiramente,
Na busca de um neoiluminismo nas relações internacionais contemporâneas

Na busca de um neoiluminismo nas relações internacionais contemporâneas

Thales Castro
Por Thales Castro* O meu pensamento só muito devagar atravessa o rio a nado Porque lhe pesa o fato que os homens o fizeram usar. Procuro despir-me do que aprendi,  procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram [...] Trago ao Universo um novo Universo porque trago ao Universo ele-próprio. Alberto Caeiro, O guardador de rebanho (1911-1912). A coisa mais perfeita que podemos experimentar é o misterioso. É a fonte de toda arte e de toda ciência verdadeira Albert Einstein As palavras de profundo alcance de Alberto Caeiro, um dos pseudônimos de Fernando Pessoa, e de Albert Einstein estão unidas de uma forma muito particular: o mistério do universo é que nos move; sua grandiosidade é que nos impulsiona. Inexoravelmente, o mistério fascinante das Relações Internacionais foi
Entre o código de barras e a miséria humana: uma nova apologia*

Entre o código de barras e a miséria humana: uma nova apologia*

Thales Castro
Por Thales Castro** As placas tectônicas do terrorismo trazem abalos sísmicos profundos na superfície idealizada e fragmentada do ser humano pós-moderno. O universo político imaginado encontra-se hoje em uma antítese, em um paradoxo quixotesco que vem corroendo o lento processo de trajetória filosófica humana desde o iluminismo dos enciclopedistas franceses e das contribuições jusfilóficas kantianas. A corrosão é fatídica e infalível... Este é tempo de antítese, de anticlímax figurado em volatilidade do sangue derramado do sorrateiro ato terrorista que ceifa a vida de “alvos não-combatentes” (sic). Com a alma fragmentada, o sujeito cognoscente é paquerado por perigosas soluções messiânicas, demagógicas e populistas para os males e insegurança de nosso tempo. Vivemos na era da escassez
A estatocentricidade das relações internacionais: um paradigma ainda persistente. Até quando?

A estatocentricidade das relações internacionais: um paradigma ainda persistente. Até quando?

Thales Castro
  Por Thales Castro* O Estado é o principal componente do amplo fenômeno personificado da interação internacional. Como peça-chave na relação sujeito-objeto internacional, o Estado tem centralidade e prerrogativas unívocas que o distingue, de forma pontual, de outros atores internacionais.[1] Não se pode conceber o estudo do Estado (estatologia) sem sua relação direta com o poder (cratologia) que será analisado no próximo capítulo. Na verdade, Estado e poder se confundem em uma lógica própria e intrínseca de cientificidade política internacional.[2] O Estado nacional é criação, relativamente, recente no amplo dínamo histórico da humanidade. O Estado foi forjado na violência e, como tal, representa a priori a lógica de manifestação e materialização das forças sociais de profundo e
Importância e Novos Questionamentos sobre o Estudo da Ciência das Relações Internacionais em Tempos de Perplexidades e Assimetrias

Importância e Novos Questionamentos sobre o Estudo da Ciência das Relações Internacionais em Tempos de Perplexidades e Assimetrias

Thales Castro
Por Thales Castro* Fato observado recorrentemente no estudo das Relações Internacionais é a maior proximidade da interação dos vários atores internacionais. Neste sentido, atualmente observa-se, em consequência desse fato, a tendência de maior densidade destas relações, ora abertas e fechadas, ora pacíficas e conflituosas[1], com suas regras institucionalizadas implícita e explicitamente. Formando, assim, a ampla moldura do macroambiente nas diversas conceituações como “cenário”, “sistema”, “sociedade” ou “comunidade internacional”, o processamento dos meios e dos fins dos fenômenos complexos no “mundo mundo vasto mundo” (Drummond)[2] ou na “economia-mundo” (Wallerstein)[3] se torna bastante útil como ponto de partida deste nosso breve comentário. Os meios e os fins das várias manifesta
A produção científica em Relações Internacionais: da necessidade inclusiva de novas democratizações

A produção científica em Relações Internacionais: da necessidade inclusiva de novas democratizações

Thales Castro
Por Thales Castro* A ciência das Relações Internacionais tem forte herança histórico-acadêmica do mundo anglo-saxão. Originária dos chamados “países centrais”, na concepção de Immanuel Wallerstein de sistema-mundo, a ciência das Relações Internacionais – ou mais simples e diretamente chamada de política internacional por Kenneth Waltz – muitas vezes reproduz os mesmos vícios e assimetrias encontrados nas dinâmicas sociais microssistêmicas, revelando, com gravidade, situações de subalternidade, de forçada pequenez e de menosprezo pelas ricas produções acadêmicas e intelectuais da periferia ou da semiperiferia. Antes de tecermos algumas considerações mais detalhadas, convém explicitar que, como todo objeto gnosiológico humano, o conceito tricotômico centro-semiperiferia-periferia de Waller
Cratologia: o poder como enigma, meio e fim das Relações Internacionais

Cratologia: o poder como enigma, meio e fim das Relações Internacionais

Thales Castro
Por Thales Castro* Poder é um conceito multifacetado e em constante mutação que permite a um determinado Estado ter seus interesses sobrepostos aos demais Estados, ou quaisquer outros atores internacionais, pelo uso de ameaça (poder potencial) ou mesmo de efetivação de conflitos armados e demais instrumentos coercitivos (poder atual). Poder é energia cinética de relevância nas engrenagens internacionais; é fonte de discórdia e é nascedouro de conquistas; é, ademais, essência dinâmica do estudo da política internacional. Contudo, poder, isoladamente, não é criado em um vácuo nem possui senhorios perpétuos para seu domínio. Dentre as muitas definições de poder, optou-se aqui pela definição de poder mais voltada para o cenário político-decisório internacional na obra de Rosati: “a capacid