Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Rodrigo Barros de Albuquerque

Doutor em Ciência Política (UFPE), professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal de Sergipe (DRI/UFS), líder do Centro de Estudos Internacionais (CEI/UFS), pesquisador e vice-líder do Núcleo de Estudos em Política Comparada e Relações Internacionais (NEPI/UFPE).

O Reino em xeque: do Brexit à turbulência política

O Reino em xeque: do Brexit à turbulência política

Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Rodrigo Barros de Albuquerque*   Em postagem anterior, refleti brevemente sobre alguns pontos importantes decorrentes da recente decisão do Reino Unido pela saída da União Europeia, prometendo exame mais cuidadoso a posteriori. Neste, analisarei a questão da  possibilidade de fragmentação do Reino Unido e as primeiras notícias sobre como isto tem sido abordado à luz dos recentes acontecimentos. A turbulência interna ao Reino Unido, como era de se esperar, começou na própria manhã da sexta-feira, quando da divulgação do resultado do referendo. A S&P anunciou a mudança do status de risco de investimentos do Reino Unido para os próximos dias, caso o referendo aprovasse a saída da União Europeia. Como era a única instituição de análise de crédito e risco que ainda manti
O Brexit chegou… e agora, Reino Unido?

O Brexit chegou… e agora, Reino Unido?

Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Rodrigo Barros de Albuquerque* O Brexit aconteceu. Após meses de muita expectativa e um adiamento causado por uma tragédia, o referendo foi realizado e a maioria da população votou a favor de o Reino Unido sair da União Europeia. Há várias considerações em jogo. Nos próximos dias, o Vox Magister terá postagens específicas sobre os pontos abaixo elencados, todos diretamente relacionados ao Brexit. 1) Em primeiro lugar, o resultado (aproximadamente 52% a favor da saída e 48% contra) mostra uma margem bastante apertada, o que indica alta polarização. Resultados de votações com pequena vantagem para a maioria vencedora costumam indicar maior arrefecimento nas disputas internas. Dificilmente, porém, o Reino Unido sofrerá uma situação de conflito interno alarmante sobre esta questão, par
Eficácia institucional e o multilateralismo (2)

Eficácia institucional e o multilateralismo (2)

Irene Rodrigues Gois, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Irene Rodrigues Gois* Rodrigo Barros de Albuquerque** Segundo a perspectiva realista, instituições internacionais são meios utilizados pelos Estados para ampliar seus objetivos, reduzir seus custos e acelerar processos burocráticos. Por uma lógica liberal, todavia, elas são meios de cooperação entre os Estados para garantir que objetivos em comum sejam trabalhados de forma conjunta para que se beneficiem como um todo.  Mas de que forma, seja qual for a perspectiva, as instituições podem garantir que suas metas sejam atendidas de forma eficaz? Estariam esses aspectos dependentes da atuação dos Estados-membros, das suas jurisdições internas e interesses particulares ou ligadas ao processo burocrático da própria instituição? Partindo do pressuposto de que toda organização internaciona
Partidos políticos na Europa: quando o todo não é a soma das partes

Partidos políticos na Europa: quando o todo não é a soma das partes

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Mariana Meneses* Rodrigo Albuquerque** O princípio da proporcionalidade, que rege o sistema pelo qual os assentos no Parlamento Europeu são ocupados, garante representação diferenciada para cada um dos 28 países membros da União Europeia. Assim, os cinco países com maiores números de assentos no PE, a saber, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Espanha, detêm 370 assentos, ou 49,27% do total (EUROPEAN PARLIAMENT, 2016). Tais assentos são designados a candidatos filiados ou não a partidos europeus, que, por sua vez, contêm partidos nacionais a eles ligados. A tabela a seguir ilustra o grau de representatividade dos partidos europeus, através do número de assentos conquistados nas eleições de 2009 e 2014: Fonte: EUROPARL Percebe-se que o Partido Popular Europeu esteve nos dois
A Mutilação Genital Feminina na Europa*

A Mutilação Genital Feminina na Europa*

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Mariana Meneses** Rodrigo Albuquerque*** A Mutilação Genital Feminina (MGF), definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um procedimento que envolve a remoção total ou parcial da genitália externa feminina ou outra lesão aos seus órgãos genitais por razões outras que não médicas, é uma prática internacionalmente reconhecida como violação dos direitos humanos das mulheres e uma forma de abuso infantil (EUROPEAN COMMISSION, 2013). Devido aos processos migratórios, sobretudo nas últimas décadas, a MGF não se caracteriza mais somente como uma prática regional, mas é evidenciada ao redor do mundo (EUROPEAN COMMISSION, 2013; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2008). Os números do Fundo de População das Nações Unidas apontam que, globalmente, entre 100 milhões e 140 milhões de meninas e
A prática multilateral como gênese das organizações internacionais. (1)

A prática multilateral como gênese das organizações internacionais. (1)

Irene Rodrigues Gois, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Irene Rodrigues Gois* Rodrigo Barros de Albuquerque** O término da guerra fria estimulou o interesse por práticas multilaterais, sobretudo no seio das organizações internacionais. O aumento da relevância de atores internacionais que antes desempenhavam papeis coadjuvantes foi facilitado pela mudança de foco dos temas da agenda internacional, refletindo uma diversificação das agendas de política externa dos Estados. Frente aos desafios impostos pela globalização e à emergência da discussão sobre os bens públicos globais, esta diversificação favoreceu a ampliação das práticas multilaterais. É um equívoco, todavia, acreditar que práticas multilaterais seguem uma linha contínua e uniforme. Elas apresentam formas diferentes, em parte, devido às funções que lhes são designadas pelo dese
Por que estudar teoria dos jogos? Lições de Allison e Zelikow (1999).

Por que estudar teoria dos jogos? Lições de Allison e Zelikow (1999).

Irene Rodrigues Gois, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Irene Rodrigues Gois* Rodrigo Barros de Albuquerque** A teoria dos jogos (TJ) surgiu a partir da teoria da escolha racional e se desenvolveu em diversas áreas, como a economia, a ciência política e as relações internacionais, esta última sendo o principal enfoque deste texto. A TJ utiliza-se de modelos matemáticos que asseguram maior precisão analítica. Através desses modelos - o dilema do prisioneiro, o jogo do galinha e a batalha dos sexos, por exemplo -, busca-se contribuir para a análise estratégica dos eventos que envolvem barganha, antecipando as melhores ações em cada cenário possível. Dada a adoção da perspectiva racional, as decisões consequentes do emprego desses modelos baseiam-se na maximização de resultados por meios que proporcionem menores custos e maiores benefícios
Como estudar gênero em RI?

Como estudar gênero em RI?

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Mariana Meneses* Rodrigo Albuquerque** Em texto anterior, defendemos a incorporação da análise feminista à disciplina de Relações Internacionais enquanto necessária dentro do processo de empoderamento feminino. Uma leitora convencida de tal importância pode, contudo, indagar: mas e como fazê-lo? Pretendemos, portanto, com o presente texto, elucidar algumas formas de como inserir perspectivas sensíveis ao gênero nos estudos da área. Em primeiro lugar, faz-se necessário esclarecer que em RI e de maneira geral não existe um feminismo uno ou singular. É por isso que diversos trabalhos (são exemplos: CERQUEIRA, 2011; COSTA, 2013; MONTE, 2013; TICKNER, 1997) se referem comumente aos ‘feminismos’, no plural. Essa pluralidade deriva da impossibilidade em agrupar em um mesmo feminismo dema
A aversão ao feminismo em RI e o desconforto que temos em relacionar mulher a poder*

A aversão ao feminismo em RI e o desconforto que temos em relacionar mulher a poder*

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Mariana Meneses** Rodrigo Barros de Albuquerque*** “Toda teoria é sempre para alguém e com algum propósito” (COX, 1981). A disciplina de Relações Internacionais nasceu e se consolidou debruçada sobre a esfera pública, historicamente dominada por homens. Parece ser senso comum para a maioria dos acadêmicos de RI que o estudo da política internacional necessariamente compreende o estudo de Estados unitários ou da economia mundial. Mas o que acontece quando se propõe a análise de questões internacionais sob a perspectiva do indivíduo, ou do ponto de vista de Estados marginalizados, ou focando em grupos minoritários e oprimidos? De maneira geral, teorias que fogem à regra ao questionarem conceitos clássicos das RI, como poder e Estado, e desafiam de alguma maneira o status quo são rej
Qual a relevância da União Europeia?

Qual a relevância da União Europeia?

Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Rodrigo Barros de Albuquerque* Os Atentados de Paris de 2015 realizados pelo Estado Islâmico provocaram de imediato um recuo às liberdades de circulação ao provocar o fechamento das fronteiras da França e ao estabelecimento de medidas mais rigorosas de segurança nos aeroportos franceses já na manhã seguinte. Nos dias que se seguiram aos ataques, explodiram as notícias sobre a reação do governo com a caçada aos terroristas que não morreram nos ataques, em especial àquele que liderou o planejamento dos atentados, bem como notícias sobre outros ataques terroristas realizados no Líbano, na Nigéria e, agora, no Mali. A França já está circulando texto provisório para uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas na qual convocará os países membros do Conselho a tomarem medidas ma