Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Mariana Meneses

Mestranda em Ciência Política (PPGCP/UFPE), Bacharel em Relações Internacionais (DRI/UFS), membro do Centro de Estudos sobre a União Europeia (CEURO/UFS) e bolsista CAPES. E-mail: mariana.menesess@ufpe.com.br.

Democracia e as causas das mudanças de regime

Democracia e as causas das mudanças de regime

Mariana Meneses
Por Mariana Meneses*   Qual a relação entre crescimento econômico e regime político? Explicar instabilidades e mudanças em regimes e suas conexões com o desenvolvimento é um problema central para cientistas políticos contemporâneos. O presente texto foca nas explicações oferecidas por teóricos que defendem a importância das instituições para o crescimento econômico, a exemplo dos trabalhos de Przeworski e Limongi (1993) e Glaeser et al (2004), bem como nas críticas por esses recebidas, que, em suma, argumentam que instituições eficazes não geram, mas são consequências de um alto desenvolvimento socioeconômico – como é o caso de Acemoglu e Johnson (2001) e Banerjee e Iyer (2005). De forma mais específica, esses trabalhos têm focado nas relações entre crescimento econômico e o sur
Globalização, ou Capitalismo 2.0

Globalização, ou Capitalismo 2.0

Mariana Meneses
Por Mariana Meneses* A cultura política moderna ocidental é enraizada em um individualismo político, econômico, filosófico e metodológico. A globalização é sua última expressão (Cox, In Gill 1995). Por mais de três décadas, o modelo de governança global tem sido resultado dos imperativos e das falhas do neoliberalismo (BRODIE, 2015). Esse modelo se estabeleceu a partir da aceitação geral de um discurso que pregava a necessidade de abertura de mercados, privatizações e desregulamentação para a inserção de Estados na economia globalizada e, assim, a sobrevivência desses enquanto competitivos internacionalmente. O neoliberalismo foi e continua a ser caracterizado por diversas crises que continuam a ser justificadas pelos Estados e economistas tradicionais como excepcionais, derivadas
Partidos políticos na Europa: quando o todo não é a soma das partes

Partidos políticos na Europa: quando o todo não é a soma das partes

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Mariana Meneses* Rodrigo Albuquerque** O princípio da proporcionalidade, que rege o sistema pelo qual os assentos no Parlamento Europeu são ocupados, garante representação diferenciada para cada um dos 28 países membros da União Europeia. Assim, os cinco países com maiores números de assentos no PE, a saber, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Espanha, detêm 370 assentos, ou 49,27% do total (EUROPEAN PARLIAMENT, 2016). Tais assentos são designados a candidatos filiados ou não a partidos europeus, que, por sua vez, contêm partidos nacionais a eles ligados. A tabela a seguir ilustra o grau de representatividade dos partidos europeus, através do número de assentos conquistados nas eleições de 2009 e 2014: Fonte: EUROPARL Percebe-se que o Partido Popular Europeu esteve nos dois
A Mutilação Genital Feminina na Europa*

A Mutilação Genital Feminina na Europa*

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Mariana Meneses** Rodrigo Albuquerque*** A Mutilação Genital Feminina (MGF), definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um procedimento que envolve a remoção total ou parcial da genitália externa feminina ou outra lesão aos seus órgãos genitais por razões outras que não médicas, é uma prática internacionalmente reconhecida como violação dos direitos humanos das mulheres e uma forma de abuso infantil (EUROPEAN COMMISSION, 2013). Devido aos processos migratórios, sobretudo nas últimas décadas, a MGF não se caracteriza mais somente como uma prática regional, mas é evidenciada ao redor do mundo (EUROPEAN COMMISSION, 2013; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2008). Os números do Fundo de População das Nações Unidas apontam que, globalmente, entre 100 milhões e 140 milhões de meninas e
Como estudar gênero em RI?

Como estudar gênero em RI?

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Mariana Meneses* Rodrigo Albuquerque** Em texto anterior, defendemos a incorporação da análise feminista à disciplina de Relações Internacionais enquanto necessária dentro do processo de empoderamento feminino. Uma leitora convencida de tal importância pode, contudo, indagar: mas e como fazê-lo? Pretendemos, portanto, com o presente texto, elucidar algumas formas de como inserir perspectivas sensíveis ao gênero nos estudos da área. Em primeiro lugar, faz-se necessário esclarecer que em RI e de maneira geral não existe um feminismo uno ou singular. É por isso que diversos trabalhos (são exemplos: CERQUEIRA, 2011; COSTA, 2013; MONTE, 2013; TICKNER, 1997) se referem comumente aos ‘feminismos’, no plural. Essa pluralidade deriva da impossibilidade em agrupar em um mesmo feminismo dema
A aversão ao feminismo em RI e o desconforto que temos em relacionar mulher a poder*

A aversão ao feminismo em RI e o desconforto que temos em relacionar mulher a poder*

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Mariana Meneses** Rodrigo Barros de Albuquerque*** “Toda teoria é sempre para alguém e com algum propósito” (COX, 1981). A disciplina de Relações Internacionais nasceu e se consolidou debruçada sobre a esfera pública, historicamente dominada por homens. Parece ser senso comum para a maioria dos acadêmicos de RI que o estudo da política internacional necessariamente compreende o estudo de Estados unitários ou da economia mundial. Mas o que acontece quando se propõe a análise de questões internacionais sob a perspectiva do indivíduo, ou do ponto de vista de Estados marginalizados, ou focando em grupos minoritários e oprimidos? De maneira geral, teorias que fogem à regra ao questionarem conceitos clássicos das RI, como poder e Estado, e desafiam de alguma maneira o status quo são rej