Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Marcelo de Almeida Medeiros

Doutor em Ciência Política (Institut d’Etudes Politiques de Grenoble) e Livre-Docente em Ciência Política pelo Institut d’Etudes Politiques de Paris – Sciences Po. É Professor Associado de Ciência Política do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Bolsista de Produtividade em Pesquisa – Nível 1D do CNPq, Líder do Núcleo de Estudos de Política Comparada e Relações Internacionais (NEPI/UFPE), Co-Coordenador da Área Temática Política Internacional da Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP) e Co-Coordenador do Grupo de Trabalho Política Internacional da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS).

União Europeia: Agricultura em Crise?

União Europeia: Agricultura em Crise?

Marcelo de Almeida Medeiros
Por Marcelo de Almeida Medeiros* Desde os primórdios da integração europeia, a Política Agrícola Comum (PAC) tem se constituído em um dos principais esteios das políticas públicas concebidas por Bruxelas. Se no passado mais remoto ela chegou a representar dois terços das despesas do orçamento comunitário, a PAC ainda hoje é responsável por quase 40% das despesas deste orçamento. Ora, esta situação não é percebida de forma homogênea pelos vinte e oito membros da União. Há aqueles que são favoráveis a uma maior liberalização do mercado e, consequentemente, uma diminuição dos instrumentos protecionistas; e há os que, por razões econômicas e também sociais, insistem em uma PAC robusta. No primeiro caso, pode-se apontar como exemplo o Reino Unido; no segundo, a França. Na verdade, neste ce
Brexit?

Brexit?

Marcelo de Almeida Medeiros
Por Marcelo de Almeida Medeiros* O Reino Unido é um dos membros mais importantes entre os vinte e oito que compõem a União Europeia (UE) hoje. Apesar dessa condição, o atual Primeiro Ministro britânico, David Cameron, em sua campanha eleitoral, engajou-se, junto aos súditos de Sua Majestade Elizabeth II, a efetuar um referendum até o final de 2017. Tal referendum pretende indagar sobre se vale a pena ou não permanecer como parte desse projeto político europeu iniciado com o Tratado de Roma em 1957. É verdade que o euroceticismo de Londres é antigo. O Reino Unido não é membro fundador da UE, tendo por vários anos capitaneado um outro projeto de regionalização bem menos ambicioso em termos políticos, ancorado essencialmente em uma lógica de livre comércio. Tratava-se do European Free Tra
E agora, Reino Unido?*

E agora, Reino Unido?*

Marcelo de Almeida Medeiros
Por Marcelo de Almeida Medeiros** O Partido Conservador venceu. Contrariando a maior parte das expectativas, David Cameron terá maioria em Westminster – 331 assentos - e governará sem a necessidade de estabelecer coalizão com alguma outra agremiação. E agora Sua Majestade? E agora Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte? Algumas considerações podem ser efetuadas a fim de se compreender o porquê de tal resultado e quais as suas possíveis consequências políticas internas e externas. Inicialmente, é importante assinalar que o Reino é dividido em 650 distritos (constituencies) e adota o sistema majoritário uninominal com um só turno. Ora, o mecanismo first-past-the-post, que caracteriza este tipo de escrutínio e é marcado pela lógica de quem ganha leva tudo, tende a favorecer o