Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Júlio César Cossio Rodriguez

Professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia/Ciências Sociais e de Política Internacional Contemporânea na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Doutor em Ciência Política (Universidade de Lisboa), Mestre em Ciência Política (UFRGS) e Bacharel em Relações Internacionais (UFRGS). Pesquisador Associado do Centro Internacional de Estudos sobre Governo (CEGOV/UFRGS).

Pode o Brasil voltar a ser uma Potência?*

Pode o Brasil voltar a ser uma Potência?*

Andrés Malamud, Júlio César Cossio Rodriguez
Por Andrés Malamud** Júlio Cossio Rodriguez*** A época dos BRICS, IBSA e BASIC terminou. A letra B já não brilha. E as chances de reemergir poderiam acabar nas eliminatórias. “O Brasil é o país do futuro”, escreveu o otimista Stefan Zweig; “e sempre será”, respondiam jocosos os brasileiros. Justamente quando parecia que o futuro havia chegado, se cruzaram a Lava Jato e o Tchau Dilma. Será possível voltar a emergir depois de ter afundado? O Brasil depende de si, mas sobretudo dos outros. Quinto país do mundo em população e território, sexto em função do tamanho de sua economia e primeiro em participações em Copas do Mundo, o gigante latino-americano parecia imparável há uma década e hoje também. A ironia é que antes não parava de subir e hoje não para de cair. Como qualquer relação
Poder Duro e Poder Brando na Política Internacional

Poder Duro e Poder Brando na Política Internacional

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* O estudo do poder, de seus usos e suas possíveis manifestações estão no centro das preocupações da Ciência Política. As derivações internacionais deste ficam a cargo da Política Internacional. Uma das concepções clássicas de poder é a definida por Robert Dahl (1957) e que foi amplamente difundida dentro da área. O poder então consistiria na capacidade que A tem de fazer com que B faça o que A quer. Os meios utilizados para isto são a força ou coerção e o incentivo, em outros termos, o bastão (stick) e a cenoura (carrot). Esta definição se aplica com mais frequência às formas de poder duro, às quais se refere Joseph S. Nye Jr (2002). O poder militar seria o bastão e o econômico a cenoura. Por outro lado, o poder brando ou soft consiste naquele poder não
EUROPOL, uma agência de policiamento que atua contra o Terrorismo de cunho religioso?

EUROPOL, uma agência de policiamento que atua contra o Terrorismo de cunho religioso?

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* Os últimos atentados de março de 2016 em Bruxelas somam-se aos diversos ataques em solo europeu realizados por grupos que se valem do terrorismo como manifestação de força. A autoria destes atentados foi assumida pelo Estado Islâmico. Grupo este que também assumiu a autoria dos atentados em novembro de 2015 em Paris. O que chama a atenção é o número de vítimas fatais destes atentados, que vão contra a tendência recente de atentados de motivação religiosa dentro da União Europeia. Mas qual o tipo de terrorismo é o mais frequente na Europa, qual tipo produz o maior número de atentados e qual o que apresenta o maior número de condenações? A resposta emotiva a basear-se no número de mortes seria o terrorismo de cunho religioso, do qual fazem parte estes últ
As Potências no Sistema Internacional: as potências médias!

As Potências no Sistema Internacional: as potências médias!

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* O conceito de potência média foi muito utilizado por analistas de relações internacionais durante o século XX, em especial, durante a guerra fria. Referia-se àqueles atores internacionais que se adaptavam ao sistema bipolar articulando interesses de um dos grandes polos. O ponto fundamental para definir uma potência média seria a relação que teria com uma grande potência, pois valeriam mais pela aliança com as grandes potências do que pelo potencial dano que poderiam causar aos atores com maior poder. Martin Wight (2002, p.49) definiu bem esta relação entre as grandes e as médias: uma potência média é uma potência com poderio militar, recursos e posição estratégica de tal ordem que em tempos de paz as grandes potências desejam ter seu apoio. Em tem
As Potências no Sistema Internacional – Parte 1

As Potências no Sistema Internacional – Parte 1

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* O conceito de potência é um dos mais utilizados na área de Relações Internacionais, mas isto não significa que seu uso seja consensual. Cada programa de investigação da área define os critérios para categorizar os atores internacionais principais, os estados, em relação ao seu potencial. Neste sentido, não é tarefa difícil identificar uma grande potência, seja levando em conta agregados de poder ou critérios minimalistas. Os principais autores realistas vão considerar, para definir o potencial de um estado, medidas no poder econômico, militar e político. Entretanto, mesmo dentre os realistas, não há consenso sobre quais são os critérios principais. Considerando os escritos de Hans Morgenthau, podem ser levados em conta os recursos não-operacionalizáveis
O Método Histórico-Comparativo e a Matemática!

O Método Histórico-Comparativo e a Matemática!

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* Como demonstrado nas postagens anteriores (Em defesa do Método Histórico Comparativo (MHC); O Process Tracing e o teste de hipóteses) , o MHC passa por uma recuperação dentro das ciências sociais. Uma das mudanças realizadas pelos autores que operam a atualização deste método é a defesa do uso de diagramas para a representação gráfica das relações causais. A sua utilização se faz necessária devido a uma das fraquezas desta metodologia, ou seja, o difícil entendimento das condições e de suas relações por meio do texto escrito. Desta forma, não é tarefa fácil para os leitores dos textos que se valem deste método a compreensão de, por exemplo, como se relacionam as diferentes condições INUS de um determinado resultado. Assim, autores como James Mahoney e R
O Process Tracing e o teste de hipóteses*

O Process Tracing e o teste de hipóteses*

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez** A postagem anterior no blog fez a defesa inicial da aplicação nas RI do Método Histórico-Comparativo (MHC). Para isto, tratou de demonstrar quais são os passos iniciais para a sua aplicação. Nesta postagem aborda-se um dos instrumentos principais do MHC: o mapeamento de processos ou process tracing. Este serve, segundo David Collier (2011), para identificar a partir de rastros de evidências, principalmente históricas, uma sequência lógica de eventos, suas causas e quais são os mecanismos que ligam as causas encontradas aos resultados. Portanto, é um instrumento muito utilizado por acadêmicos que sustentam seus argumentos em evidências históricas. Outro aspecto central deste instrumento é que ele permite o teste das hipóteses causais do trabalho. Na lit
Em defesa do uso do Método Histórico-Comparativo (MHC)*

Em defesa do uso do Método Histórico-Comparativo (MHC)*

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez** A postagem da colega Cinthya Campos, inaugurando este blog, mostrou bem quais são os desafios prementes à área de Relações Internacionais (RI) no Brasil. Dentre eles a autora elencou o necessário aumento do uso rigoroso de metodologias qualitativas pela área. Esta afirmação vai na mesma direção do que apontou Gláucio Soares, em 2005, sobre a Ciência Política (CP), quando afirmava ser fundamental aumentar o uso rigoroso de metodologias qualitativas. A área de RI passa por problemas semelhantes, todavia, os efeitos notados por ele sobre a CP se aplicam com mais força à produção nacional em RI. Ou seja, não há grande preocupação metodológica e, portanto, não houve o aprimoramento das metodologias qualitativas mais recorrentes. Desta forma, como é necessár