Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Cinthia Campos

Doutora em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco. Bolsista do Programa Nacional de Pós-doutorado/CAPES; membro do Núcleo de Política Comparada e Relações Internacionais/ UFPE; do Preator/UFPE e do Centro de Estudos Internacionais/UFS. Este texto faz parte de artigo a ser publicado na próxima edição da Política Hoje/UFPE.

Democracia e Integração Regional: o Controverso Papel da Comissão Europeia – Parte 2

Democracia e Integração Regional: o Controverso Papel da Comissão Europeia – Parte 2

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* A Comissão Européia é considerada uma das instituições mais importantes do sistema europeu, seja no processo decisório, pelo seu poder de iniciativa legislativa, seja em virtude do seu papel na implementação e monitoramento da política pública comunitária. No entanto, apesar dos mais de 60 anos de existência, poucos estudos empíricos já se dedicaram a traçar o perfil político-profissional dos membros da instituição e, por conseguinte, entender as dinâmicas que envolvem sua nomeação e posterior controle. Por sua vez, estas pesquisas indicam que a Comissão tem cada vez mais membros com um perfil mais político do que tecnocrático, em que os comissários apresentam uma larga experiência política, principalmente em cargos eletivos. Wonka (2004), a partir de dados do Munzi
Democracia e Integração Regional: o Controverso Papel da Comissão Européia – parte 1

Democracia e Integração Regional: o Controverso Papel da Comissão Européia – parte 1

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* A crescente complexidade do processo decisório europeu, bem como seu arranjo institucional próprio, permite afirmar com segurança que a União Européia (UE) se configura como um caso sui generis na literatura, dificilmente comparável a outros fenômenos políticos presentes na realidade. Ao passo que não se caracteriza como uma confederação de Estados, tendo em vista que há áreas temáticas de competência exclusiva da União, a UE também não é uma federação aos moldes de um Estado-nação moderno, pois além de não ter uma Constituição formal, possui diversas matérias que ainda pertencem à jurisdição isolada dos governos nacionais. De fato, o grau de centralização decisória da UE é de difícil mensuração e pouco comparável a outros casos.  Ao lado do Conselho de Ministros e
TRIP – Around the World: A Prática da Pesquisa nas Relações Internacionais*

TRIP – Around the World: A Prática da Pesquisa nas Relações Internacionais*

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos** No artigo de abertura deste blog, abordei os desafios e os problemas inerentes da pesquisa na área de Relações Internacionais, estimando as dificuldades de definição conceitual, de mensuração e de modelagem. No entanto, para além desses dilemas, sempre é relevante perceber como essas questões afetam na prática o pesquisador na área. Um bom termômetro tem sido o TRIP Around the World: Teaching, Research, and Policy Views of International Relations Faculty in 20 Countries[1], realizado em 2012[2] e no qual inclui o Brasil em um dos seus casos, é possível identificar algumas nuances do ensino e da pesquisa das RIs no país. De uma amostra de 270 profissionais selecionados no Brasil, 193 (71,5%) responderam às questões, que buscaram avaliar o perfil do docente de Relaçõ
O Dilema da Democratização da Política Externa Brasileira – Parte 2

O Dilema da Democratização da Política Externa Brasileira – Parte 2

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* No último artigo, primeira parte da discussão aqui proposta, tratou-se das variáveis teorico-empíricas a serem consideradas na análise de política externa. Avalia-se que com o fim da Guerra Fria, tem crescido o papel da sociedade na concepção da política externa, em virtude da própria reconfiguração do cenário mundial e do aumento da importância da estabilidade econômica. A multiplicidade de atores, o reforço do ideal democrático liberal acompanhado do fim das ditaduras na nações latino-americanas contribuiu para a literatura especializada nacional voltar-se para as principais instituições envolvidas nesse processo. De uma forma geral, investiga-se o grau de participação tanto das elites sociais quanto dos demais atores político-institucionais na agenda de política
O Dilema da Democratização da Política Externa Brasileira – Parte 1

O Dilema da Democratização da Política Externa Brasileira – Parte 1

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* Como bem fez referência em seu último texto, Elton Gomes lembra que a análise de política externa teve seu ápice em uma conjuntura política internacional marcada pelos conflitos armados, pela geopolítica e sobretudo pela estratégia. Este quadro foi latente durante o período da Guerra Fria, evento este que contribuiu para fragilizar a fronteira entre os níveis doméstico e internacional no processo decisório por parte dos atores políticos pivotais. No entanto, com o fim do bloco soviético, o surgimento de um mundo multipolar e a proliferação de novos atores políticos não-estatais, passa a ser questionada a primazia do chefe de Estado como agente responsável pela formulação, negociação e execução da política externa de uma nação. Além disso, a temática da segurança muda
A Crise Migratória Européia e o Ressurgimento das Fronteiras

A Crise Migratória Européia e o Ressurgimento das Fronteiras

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* O aprofundamento da integração político-econômica nas últimas décadas exigiu do bloco europeu uma maior flexibilidade em suas fronteiras. A livre circulação de bens, serviços e pessoas é uma exigência mínima de qualquer espaço de integração regional que ambicione um fortalecimento da economia intra-regional. Para tanto, o Acordo de Schengen, criado em 1985, envolvendo inicialmente a França, Alemanha e países do Benelux (Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo), configura-se como a ferramenta europeia mais importante na liberalização das fronteiras. Apesar de ser um acordo construído a partir da dinâmica da Comunidade Europeia, atualmente o Espaço Schengen possui membros europeus que não fazem parte da União Europeia, ao passo em que há membros da União Europeia que não a
O Brasil e a crise: o internacional importa?

O Brasil e a crise: o internacional importa?

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* Essa simples palavra de cinco letras tem dominado os noticiários nos últimos meses e muito se questiona se estamos diante de uma crise política reverberando na economia, ou seria de fato uma crise econômica implicando na estabilidade política. Provavelmente ambas estão conectadas, reforçando-se mutuamente. No entanto, pouco se questiona sobre o papel do sistema internacional na crise econômica nacional. Se a crise de 2008 iniciada nos Estados Unidos não afetou o Brasil como afetou outras nações, como apontam alguns analistas, quais seriam então as causas da turbulência atual? Em clássico texto de 1977, Keohane & Nye buscavam entender de que forma as nações estão interligadas no sistema internacional, em uma tentativa de estabelecer parâmetros mínimos para mensur
Os desafios da pesquisa em Relações Internacionais

Os desafios da pesquisa em Relações Internacionais

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* Qual o objeto de estudo das Relações Internacionais (RI)? Uma resposta automática seria "o sistema internacional". Não estaria completamente errada, porém não abarcaria toda a dinâmica inerente à área. Um exemplo claro desta contradição é a Análise de Política Externa, dedicada ao contexto doméstico na formação da agenda internacional. Dessa forma, afirmar que o objeto da disciplina é apenas o que acontece no âmbito internacional, ou seja o "lá fora", é limitar a sua capacidade analítica. Apesar da ausência de consenso entre as abordagens clássicas como o Realismo e o Liberalismo, em geral, as RI contemporâneas dedicam-se a compreender a interação presente entre as esferas nacional e internacional. Portanto, as diferenças de análise estabelecem-se principalmente por