Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Augusto W. M. Teixeira Júnior

Doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Atualmente é professor Adjunto do Departamento de Relações Internacionais da UFPB. Líder do Grupo de Pesquisa em Estudos Estratégicos e Segurança Internacional (GEESI/UFPB /CNPq). Membro da Associação Brasileira de Estudos de Defesa.

O que realmente importa para o Brasil no debate sobre as bases russas na Venezuela?

O que realmente importa para o Brasil no debate sobre as bases russas na Venezuela?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto W. M. Teixeira Júnior* Recentemente, um tema de política internacional de incomum repercussão pública voltou a tomar conta do noticiário: a possibilidade de implantação de novas bases militares na América do Sul por parte de potências extrarregionais. Nesta ocasião, a potência em questão é a Rússia. Entre aqueles que reverberaram a questão está o ex-embaixador Rubens Barbosa, agora presidente do Instituto de Relações e Comércio Exterior. Assumindo uma postura clara e direta, distinta da esperada de um diplomata, Barbosa apresentou um conjunto de argumentos em que afirma ser “inaceitável haver em nosso entorno de paz e cooperação bases de potência extrarregional” (BARBOSA, 2016, s/p), leia-se a Rússia. De fato, o ressurgimento do tema em apreço no contexto em que as relações
Contra o uso das Forças Armadas na Segurança Pública Interna: a favor da Ultima Ratio Regis

Contra o uso das Forças Armadas na Segurança Pública Interna: a favor da Ultima Ratio Regis

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto W. M. Teixeira Júnior* No último domingo (18/09) o Diário de Pernambuco publicou em sua seção “Contraditório” duas opiniões contrárias sobre o uso das Forças Armadas (FFAA) na Segurança Pública Interna. Posicionando-se contrariamente a esta prática, o atual Ministro de Estado da Defesa, Raul Jungmann, insere o uso das FFAA no espírito da Ultima Ratio Regis, último recurso do poder soberano. Por outro lado, o Prof. Dr. Jorge Zaverucha pondera positivamente, embora em termos, a favor do uso doméstico das FFAA no contexto de falência dos órgãos infra-estatais (governos estaduais) no que concerne a segurança pública. Cabe o uso da mais extrema expressão do poder do Estado no ambiente doméstico? Apesar da pergunta ecoar em infindáveis debates teóricos que reverberam as discussõe
The Military Components of The Venezuelan Crisis

The Military Components of The Venezuelan Crisis

Aaron Campos Marcelino, Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto W. M. Teixeira Júnior* Aaron Campos Marcelino** Since the rise to power of Hugo Chavez, Bolivarianism has changed the ideological landscape of Latin America. With the decline of the Cuban Revolution as a political model to the region since the fall of the USSR, Venezuela under Chávez quickly emerged as a hope for the leftist movements now under the banner of 21st century Socialism. More than 15 years from the rise of Chávez, Nicolás Maduro seems to be leading the collapse of this political project. The deep crisis currently ongoing in Venezuela affects not only its government, but mainly its people, economic and political institutions. One of the enduring effects of an increasingly divided society is a progressive lack of social cohesion. Thus, departing from the Clausewitz
A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

Augusto W. M. Teixeira Júnior, Marco Tulio Delgobbo Freitas
Por Augusto Teixeira Jr.* Marco Túlio Delgobbo Freitas** Na última sexta, dia 15 de julho o mundo viu aturdido a uma tentativa de Golpe de Estado na Turquia. Pouco após o início de unidades militares, por terra e ar, buscarem ocupar importantes postos de comunicação, comando e controle, o Presidente Erdogan se pronunciava para o povo daquele país chamando-o à resistir a tentativa de usurpação violenta do poder por parte de setores das Forças Armadas e grupos civis que os apoiavam. A tentativa de Putsch, rapidamente debelada ainda durante o final de semana passado por setores das Forças Armadas e polícia, traz um conjunto de indagações fundamentais para o quadro de instabilidade internacional contemporâneo. A seguir, discorremos sobre algumas delas. Apesar de não ser um país árabe e ne
“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Para quem é fã de Game of Thrones e ao mesmo tempo estuda temas ligados à Guerra, Estratégia e Segurança Internacional, a “Batalha dos Bastardos” é um excelente exemplo para analisar como forças em desvantagem numérica e cometendo equívocos táticos vencem batalhas. Apesar do mistério sobre essa estranha relação causal se dever muito mais à pena de R. R. Martin, para fins didáticos, vale a pena fazer um exercício de análise estratégica sobre este evento fictício. Para tal, o texto a seguir apresenta de forma breve um conjunto de erros e acertos de ambos os comandantes militares engajados no conflito: Jon Snow (Stark) e Ramsay Bolton. Nossa principal linha de raciocínio é que o resultado da batalha, uma vitória estratégica de Snow, se deveu mais aos equívocos tát
Vitória na guerra, condição para a paz: uma outra visão sobre o acordo de Paz Colombia-FARC

Vitória na guerra, condição para a paz: uma outra visão sobre o acordo de Paz Colombia-FARC

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Recentemente fiz uma palestra para o XIII Curso de Extensão em Defesa Nacional (Ministério da Defesa) sobre a questão do acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC. O primeiro estranhamento que tive ao ser convidado para proferir uma fala sobre o assunto consistiu na questão de como alguém que pensa a guerra poderia dissertar com isenção sobre a emergência da paz. Este primeiro inquietamento me fez voltar a algumas leituras sobre o bom e velho Clausewitz e textos sobre guerrilhas e insurgências. Se guerra é a continuação da política, nenhuma forma de guerrear é mais política do que a guerrilha. Optando por esta chave-explicativa desenvolvi o argumento que sintetizo abaixo. Após mais de 60 anos de guerra civil, o governo colombiano e as Forças Armadas
E se o Impeachment fosse um Golpe?*

E se o Impeachment fosse um Golpe?*

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.** O presente texto apresenta uma breve conjectura baseada num cenário onde um Golpe de Estado estaria em curso no Brasil contemporâneo. A ficção desenvolvida a seguir se apoia na compreensão de que um Golpe objetiva a mudança da ordem institucional por meios ilegais. Como poderemos atesar, a narrativa que segue esboça a possibilidade de um conjunto de dispositivos passíveis de utilização pelo Executivo Federal para pôr término a uma situação de agressão à democracia como a de um golpe. Sem buscar firmar posição no debate, o texto busca instigar o leitor a refletir acerca da natureza da conjuntura política não através dos fatos a que temos notícia pelos jornais ou meios institucionais, mas da sequência de eventos que não ocorreram. Baseados no cenário e nos poder
Para Pensar as Cartografias de Poder Geopolíticas

Para Pensar as Cartografias de Poder Geopolíticas

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Apesar de ser difícil encontrar a disciplina Geopolítica no currículo de cursos de graduação em Relações Internacionais no Brasil, a triade geografia/ história/ poder permeia tanto a imaginação do internacionalista como também várias análises da história e conjuntura internacional. Contudo, o alardeado processo de Globalização e a aceleração no desenvolvimento e difusão de tecnologias, civis e militares, faz parecer que o fruto da inventividade humana, seus produtos e processos, tenham subvertido o primado do espaço como componente fundamental da compreensão da realidade e do poder. Baseado nestes breves apontamentos, este ensaio enseja, de forma simples e clara, apresentar ao internacionalista a relevância de pensar Geopolítica, de incoporar à análise a dimen
Estratégias de Operacionalização de Conceitos Teóricos

Estratégias de Operacionalização de Conceitos Teóricos

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Se pensarmos na evolução das Relações Internacionais veremos que conceitos teóricos são centrais na nossa compreensão estruturada do mundo. Entre estes, dicotomias teórico-conceituais possuem um local especial no campo. Por exemplo, em oposição à Paz, a Guerra – pensada através da teoria clausewitziana –representa a manifestação fática de um fenômeno apreensível à luz da razão e da História. Destarte a relevância de conceitos teóricos e dicotomias, se faz necessário indagar: como operacionalizar a ideia de guerra em termos empíricos? De uma forma geral, indo além do conceito Guerra, como classificar e mensurar conceitos teóricos abstratos? Como avaliar sua presença e efeito? Na prática, estas indagações nos remetem a um desafio comum nas Ciências Sociais: conve
Como Melhorar a Qualidade das Inferências nos Estudos de Caso em Relações Internacionais?

Como Melhorar a Qualidade das Inferências nos Estudos de Caso em Relações Internacionais?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Seja pelo baixo apreço por métodos quantitativos em Relações Internacionais no Brasil ou pela predileção por explorar complexas cadeias causais, os Estudos de Caso podem ser uma poderosa ferramenta de pesquisa[1]. Apesar de ser um desenho de pesquisa cada vez mais relevante, dotado de uma expressiva literatura que o discute, tradicionalmente apresenta limites clássicos, em particular no que tange à qualidade ou força de suas inferências. Dito de uma forma simples, inferir é dizer algo sobre o que não se conhece a partir do que é conhecido. Desta forma, toda inferência pressupõe um grau de incerteza e possibilidade de falseamento. Na prática, o labor científico é feito da produção de inferências sobre a realidade, no nosso caso, internacional.  Possibilidades d