Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Antonio Henrique Lucena Silva

Doutor em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professor de Relações Internacionais da Faculdade Damas da Instrução Cristã. Atua na área de Segurança Internacional, Estudos Estratégicos e Política Internacional. E-mail para contato: antoniohenriquels@gmail.com.

Extremismo 2.0*

Extremismo 2.0*

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva** Imagine se o ex-chanceler Adolf Hitler, morto em 1945, reaparecesse no cenário atual. Como as pessoas reagiriam? É com essa ideia que o autor Timur Vermes escreve a obra satírica “Ele está de volta” (no original: Er ist wieder da), lançado em 2012. O livro rendeu um filme na Alemanha com o mesmo roteiro do texto. Na obra, Hitler ressurge atordoado em um terreno em Berlim, sem saber direito o que aconteceu com a queda do regime nazista. Apesar de ninguém acreditar que ele seja o verdadeiro Hitler, as pessoas o encaram como um ator de comédia que ganha o seu próprio programa e começa a fazer vídeos no Youtube. Logo os vídeos postados passam a ter milhões de visualizações na rede e ele começa a usar a sua popularidade para voltar à política. Atualmente,
Dois momentos de uma nação

Dois momentos de uma nação

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* A expansão das oportunidades nas economias negras da África do Sul, durante a Segunda Guerra Mundial, impeliu os receosos indivíduos brancos no país a eleger o governo do Partido Nacional, cuja tarefa era a de implementar uma forma de segregação racial chamada de apartheid. O sistema foi construído através de legislações anteriores e de discriminação, tendo sido desenvolvido nos anos 1950 por meio de uma série de leis, como o “Population Registration Act”. O “Population Registration Act” caracterizou todos os grupos sul-africanos num número de identidades raciais através do “Group Areas Act”, que definia onde cada grupo deveria viver. Posteriormente, o “Bantu Authorities Act” dividiu a maioria negra em grupos étnicos que foram delegados para áreas pequ
A China e a sua modernização militar

A China e a sua modernização militar

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* A ascensão chinesa tem gerado muitos questionamentos sobre as “pretensões” chinesas nesse momento de realinhamento do poder mundial. Na sua política externa e de defesa, a China tem apresentado mudanças importantes. Ela passou a caminhar com as “duas pernas” nas suas relações com o mundo exterior, priorizando os elementos multilaterais de política externa, bem como a construção unilateral de seus recursos econômicos, políticos e militares (BELLO & GREBREWOLD, 2010, p.216). Um dos elementos que causa maior preocupação entre os seus vizinhos é que a China investe uma grande quantidade de recursos na modernização das suas Forças Armadas desde o início dos anos 1990. Além da defesa territorial do país e das suas fronteiras, a extensão do alcance estra
As diferenças entre Armas Leves (SALW) e os Grandes Sistemas de Armas (MWS)

As diferenças entre Armas Leves (SALW) e os Grandes Sistemas de Armas (MWS)

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* A terminologia “transferência de armas” descreve a movimentação de armas de um país para outro, de sistemas de armas, munição e equipamentos de apoio tático. Tais transferências são normalmente realizadas em um acordo comercial, ou seja, através da venda de armas com pagamento em dinheiro, mas às vezes elas são fornecidas gratuitamente através dos diversos canais de assistência militar. Além dessas transferências, que são evidentes, as quais são sancionadas pelos estados supridores (vendedores) entre os receptores (compradores), existe também um importante mercado negro para insurgentes, grupos separatistas e outras formações paramilitares. Toda transferência internacional de armas é um vasto composto de transações individuais entre países fornecedore
A guerra do Iêmen e o papel da Arábia Saudita

A guerra do Iêmen e o papel da Arábia Saudita

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* As negociações de paz para por fim ao conflito no Iêmen iniciadas há cinco dias, em Berna, Suíça, serão retomadas em 14 de janeiro do próximo ano. Não houve consenso entre as partes para se chegar a um acordo. Os combates se intensificaram na província de Jawf, na fronteira com a Arábia Saudita, entre as forças apoiadas por Riad e os rebeldes xiitas houthis. Desde março a Real Força Aérea Saudita têm realizado bombardeios tanto na capital do Iêmen, Sana’a, como no interior do país. Segundo a ONU, a guerra já deixou 6.000 mortos e 28.000 feridos. Nomeada inicialmente de “Operação Tempestade Decisiva” a campanha militar saudita ainda não levou, ironicamente, a uma definição da guerra. Os houthis já travaram seis guerras contra o governo desde 2004 e obti
Desafios e dilemas do enfrentamento ao Estado Islâmico

Desafios e dilemas do enfrentamento ao Estado Islâmico

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Os últimos atentados terroristas perpetrados pelo grupo autodenominado “Estado Islâmico” em Paris, França, no dia 13 de novembro deixou 130 mortos e outra centena de feridos. A materialização desse ataque levantou dúvidas sobre a eficácia do setor de inteligência francês que não conseguiu prever os golpes desferidos contra a casa de shows Bataclan, o Stade de France e outros pontos da cidade. O massacre dos 12 cartunistas do semanário Charlie Hebdo, no dia 7 de janeiro, realizado pelos irmãos Said e Cherif Kouachi, e outra investida, no mesmo dia, ao um supermercado Kosher da comunidade judaica também foram reivindicados pelo grupo extremista. A organização terrorista assumiu a autoria do atentado a bomba que derrubou o avião russo na península do Sinai.