Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Antonio Henrique Lucena Silva

Doutor em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Professor de Relações Internacionais da Faculdade Damas da Instrução Cristã. Atua na área de Segurança Internacional, Estudos Estratégicos e Política Internacional. E-mail para contato: antoniohenriquels@gmail.com.

Dragões, Estudos Estratégicos e Game of Thrones: Entendendo a Vitória pelo Poder Aéreo

Dragões, Estudos Estratégicos e Game of Thrones: Entendendo a Vitória pelo Poder Aéreo

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* O seriado Game of Thrones exibido pela HBO tem conquistado cada vez mais adeptos para acompanhar o desenrolar da sua história. Baseada na obra do romancista e roteirista George R.R. Martin “A Song of Ice and Fire” (título original em inglês), o desenrolar da história possui muitas referências ao mundo real. O paredão de gelo defendido pela Patrulha é uma inspiração na Muralha de Adriano, concluída pelos romanos no ano de 126 na Escócia para evitar a entrada dos “bárbaros”. As disputas de poder em Westeros também são baseadas nos conflitos que ocorreram na Idade Média: em 1455 estourou a Guerra das Rosas na Inglaterra. A casa York (simbolizada pela rosa branca) e a Lancaster (simbolizada pela rosa vermelha) duelaram por 30 anos. Até mesmo os nomes das p
O superpresidencialismo na Rússia de Putin

O superpresidencialismo na Rússia de Putin

Antonio Henrique Lucena Silva, Maria Eduarda Buonafina Franco Dourado
Por Maria Eduarda Buonafina Franco Dourado* Antonio Henrique Lucena Silva**    Introdução O modelo de governo autoritário do atual presidente Vladimir Putin em um sistema que, em teoria, é classificado como democrático, tem se apoiado na Constituição Russa de 1993. Sua principal característica é a hierarquização do poder, sendo o executivo como principal detentor do nível mais alto. O presidente, através dos seus poderes, tem criado mecanismos que o permite obter controle das instituições democráticas do país. O país russo vêm enfrentando uma crise democrática após a entrada de Putin no poder, em que os mecanismos democráticos estão sendo constantemente controlados no seu interior pelo poder executivo. Observando as últimas eleições desde a entrada de Putin no governo até as eleições
“The Sound of the Trumpet” – Razões e significados da vitória de Donald Trump

“The Sound of the Trumpet” – Razões e significados da vitória de Donald Trump

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Desde quando começaram as disputas pelas primárias nos Estados Unidos, muitos analistas viam com certo desdém a candidatura do bilionário americano Donald Trump. Na medida em que a corrida para a nomeação foi avançando, os rivais do empresário não conseguiam romper com a onda que se formou em torno da sua candidatura. Políticos experientes do Partido Republicano, como Ted Cruz, não conseguiram se estabelecer. A retórica agressiva de Trump ficou evidente e, ao contrário do que muitos acreditavam, o ataque aos adversários não fragilizaram a sua campanha. Mesmo com um discurso muitas vezes misógino e racista, Donald Trump foi conquistando adeptos. Do lado Democrata, Hillary Clinton se surpreendeu com um candidato que corria por fora, bastante crítico das
Coerção e Responsabilidade: o cerco de Jerusalém, 72 d.C.

Coerção e Responsabilidade: o cerco de Jerusalém, 72 d.C.

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* O cerco a cidades, ou sítio, é uma das formas mais antigas de guerra total. Civis são atacados junto com soldados, com o objetivo de atingir soldados, com muita frequência, seja nos tempos antigos ou contemporâneos. Michael Walzer (2003) no livro “Guerras Justas e Injustas: uma argumentação moral com exemplos históricos” ressalta que, no círculo fechado das muralhas, civis e soldados estão expostos a riscos. Porém, os não-combatentes têm maior probabilidade de morrer. Os soldados combatem a partir de locais defendidos ou protegidos, os civis, por outro lado, não lutam e sofrem as consequências dos embates. Via de regra eles morrem primeiro. Os cercos são comuns na história da guerra: de Leningrado, onde houve uma grande quantidade de civis mortos, pass
A contenção dos indesejáveis: imigração, refugiados e a retórica do UKIP

A contenção dos indesejáveis: imigração, refugiados e a retórica do UKIP

Andrya Mickaelly da Silva Santos, Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Andrya Mickaelly da Silva Santos** Os líderes da União Europeia se reuniram nesse sábado (24/09/2016) para discutir mecanismos para frear a imigração e alternativas para a crise migratória que afeta o bloco. Longe de atingirem um consenso, os chefes de governo buscam fechar a rota de migração pelos Bálcãs, que foi o caminho para o contingente de refugiados que entraram pela Grécia querendo chegar à Alemanha. O acordo migratório firmado entre a UE e a Turquia em março deste ano diminuiu o fluxo para as ilhas gregas. A ideia da liderança europeia é de firmar outros acordos como esse com países como o Níger, Egito, Paquistão e Afeganistão. Mas e como a crise dos refugiados e da imigração se desenvolveu? Faremos uma breve análise da Guerra Civil Síria, os
Assassinatos em massa, violência e controle de armas: algumas evidências internacionais

Assassinatos em massa, violência e controle de armas: algumas evidências internacionais

Antonio Henrique Lucena Silva, Bruna Valença Bacelar, Juliano Cesar Shishido Goes
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Bruna Valença Bacelar** Juliano Cesar Shishido Goes*** No último dia 12 de junho, os Estados Unidos sofreram um outro massacre realizado com armas de fogo automáticas, desta vez em uma boate frequentada por homossexuais, em Orlando. Este foi o maior assassinato do gênero na história do país, deixando 50 mortos, incluindo o responsável pelos tiros que foi alvejado pela polícia, e 53 feridos. O executor, Omar Mateen, de origem afegã, pouco antes do ato entrou em contato com a polícia e jurou fidelidade ao Estado Islâmico, o grupo assumiu a responsabilidade do ataque algumas horas depois. Apesar da declaração do pai e da esposa do atirador quanto a sua pouca religiosidade, o caso não foi considerado pela polícia norte-americana como um ato de terroris
O que o seu orientador gostaria que você fizesse*

O que o seu orientador gostaria que você fizesse*

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva** Durante a elaboração de trabalhos de conclusão de curso (TCC), ou até mesmo na pós-graduação com o mestrado ou doutorado, a relação entre orientadores e orientandos pode (e deve) ser frutífera. Em muitos casos elas se tornam associações de longa duração porque eles tendem a trabalhar conjuntamente na escrita de artigos, textos, projetos, caso o orientando resolva seguir a carreira acadêmica, seja “partial” ou “full time”, e a construção da relação com o professor seja profícua. É comum que os alunos reclamem da orientação que eles recebem. As razões são as mais variadas: ausência do orientador, e-mails não respondidos ou respondidos depois de alguns dias, o não respeito do professor pelas opções teóricas ou metodológicas que o aluno(a)/orientando(a) t
Quando “sexo frágil” é uma construção social: a guerra das mulheres curdas contra o Estado Islâmico

Quando “sexo frágil” é uma construção social: a guerra das mulheres curdas contra o Estado Islâmico

Antonio Henrique Lucena Silva, Mariana Ribeiro do Nascimento
Por Mariana Ribeiro do Nascimento* Antonio Henrique Lucena Silva**     A Guerra Civil Síria (2011-) se intensificou a partir de uma revolta armada e a formação do Exército Livre Sírio. O vácuo de poder deixado por Damasco em algumas regiões do país abriu espaço para que grupos se fortalecessem, entre eles, o Estado Islâmico. A expansão do grupo EI no Oriente Médio, principalmente no Iraque e Síria, pode ser observado o grande números de refugiados que fogem em massa rumo a países onde possam ter o mínimo de segurança. O Estado Islâmico buscou expandir a sua área de controle e realizou ofensivas que chegaram em áreas controladas pelo povo curdo. Eles veem combatendo e resistindo às incursões dos terroristas e algumas áreas foram retomadas, com o apoio dos ataques aéreos feito
Crime e Preconceito: as lições do Caso Dreyfus 122 anos depois

Crime e Preconceito: as lições do Caso Dreyfus 122 anos depois

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Quando ocorre uma denúncia de crime na mídia é normal que se espere uma revolta da população contra os que foram acusados. Geralmente, as pessoas desejam a imediata prisão dos culpados e a sua punição rápida. A comoção que move os indivíduos desperta paixões e um desejo de “vingança” muitas vezes aflora nas pessoas. Afinal, aquele indivíduo cometeu um ato delituoso que fere a moral estabelecida, a sociedade exige a seu castigo. Quando a condenação se consolida, o desejo manifesto na sociedade é atendido e, por consequência, há uma tendência de que as coisas voltem à normalidade. Todo julgamento deve proporcionar ao acusado ampla defesa e nem ser rápido demais que se revele sumário, nem muito lento que leve a uma prescrição.  E quando a justiça comete e
Extremismo 2.0*

Extremismo 2.0*

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva** Imagine se o ex-chanceler Adolf Hitler, morto em 1945, reaparecesse no cenário atual. Como as pessoas reagiriam? É com essa ideia que o autor Timur Vermes escreve a obra satírica “Ele está de volta” (no original: Er ist wieder da), lançado em 2012. O livro rendeu um filme na Alemanha com o mesmo roteiro do texto. Na obra, Hitler ressurge atordoado em um terreno em Berlim, sem saber direito o que aconteceu com a queda do regime nazista. Apesar de ninguém acreditar que ele seja o verdadeiro Hitler, as pessoas o encaram como um ator de comédia que ganha o seu próprio programa e começa a fazer vídeos no Youtube. Logo os vídeos postados passam a ter milhões de visualizações na rede e ele começa a usar a sua popularidade para voltar à política. Atualmente,