Publicação mensal sobre Relações Internacionais

Página inicial do VOX MAGISTER

Author: Thaynar Dantas

O neoliberalismo como agenda ideológica: para onde vai?

O neoliberalismo como agenda ideológica: para onde vai?

Ian Rebouças Batista
Por Ian Rebouças Batista* Ao desbancarem-se como potência unipolar global, entre a década de 1980 e 1990, os Estados Unidos da América sugerem ao Sistema Internacional um pacote de ditames onde o neoliberalismo se caracterizava como a roupagem econômica adequada para a globalização financeira. A operacionalização desses ditames se dá principalmente através do Consenso de Washington e das cartilhas de instituições financeiras internacionais, tal qual o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. É sobre a aparente crise recente deste modelo e os limites da ideologia neoliberal que se interessa este texto, baseado na ameaça de ondas conversadoras, protecionistas e antiglobalização que tomam o centro do sistema financeiro capitalista global. Termo utilizado “mais pelos seus crít
O Multiculturalismo e a fragmentação social no Mundo Pós-Moderno

O Multiculturalismo e a fragmentação social no Mundo Pós-Moderno

Matheus Leite do Nascimento
Por Matheus Leite do Nascimento* Ao fazermos uma delimitação cronológica, o Pós-Modernismo nasce já no final do século XX, sendo fruto de uma série de movimentos sociais e ramificações do âmbito político, tendo forte caráter identitário e sendo percursor de mobilizações em prol da igualdade. A pós-modernidade surge como alternativa de supressão ao período conhecido como “Modernismo”, negando suas noções idealistas de progresso pautadas na Razão Iluminista e incorporando premissas mais específicas de diferentes grupos sociais. Movimentos que preconizam a igualdade de gênero, como o feminista, além de outros étnicos, como o negro, surgem nesse contexto visando promover reformas importantes para a concretização de uma sociedade mais plena, em que essas minorias conquistariam maiores graus
Ascensão chinesa e o papel dos Estados Unidos: deep engagement ou offshore balancing?

Ascensão chinesa e o papel dos Estados Unidos: deep engagement ou offshore balancing?

Rafael de Moraes Baldrighi, Vítor Barreto Canoves
Por Rafael de Moraes Baldrighi* Vítor Barreto Canoves** Ao longo dos últimos cem anos, a grande estratégia dos Estados Unidos para conter potências que buscavam hegemonia regional caracterizou-se pela intervenção direta, o deep engagement (MONTGOMERY, 2014). São exemplos os casos da Alemanha de Guilherme II, na Primeira Guerra Mundial, bem como a Alemanha Nazista e o Japão Imperial, durante a Segunda Guerra, e, ainda, contra a União Soviética, na Guerra Fria (MEARSHEIMER, 2001). A situação atual dos Estados Unidos difere-se dos anteriores. Como a grande potência em um mundo unipolar no imediato pós-Guerra Fria, pós-atentados de 11 de setembro, com guerras dispendiosas no oriente médio e com a opinião pública questionando a grande estratégia de deep engagement, os Estados Unidos, agora,
Dragões, Estudos Estratégicos e Game of Thrones: Entendendo a Vitória pelo Poder Aéreo

Dragões, Estudos Estratégicos e Game of Thrones: Entendendo a Vitória pelo Poder Aéreo

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* O seriado Game of Thrones exibido pela HBO tem conquistado cada vez mais adeptos para acompanhar o desenrolar da sua história. Baseada na obra do romancista e roteirista George R.R. Martin “A Song of Ice and Fire” (título original em inglês), o desenrolar da história possui muitas referências ao mundo real. O paredão de gelo defendido pela Patrulha é uma inspiração na Muralha de Adriano, concluída pelos romanos no ano de 126 na Escócia para evitar a entrada dos “bárbaros”. As disputas de poder em Westeros também são baseadas nos conflitos que ocorreram na Idade Média: em 1455 estourou a Guerra das Rosas na Inglaterra. A casa York (simbolizada pela rosa branca) e a Lancaster (simbolizada pela rosa vermelha) duelaram por 30 anos. Até mesmo os nomes das p
Infraestrutura Crítica na União Europeia

Infraestrutura Crítica na União Europeia

Thaynar Dantas
Por Thaynar Dantas* No texto anterior, pontuou-se que ataques cibernéticos representam uma ameaça ao funcionamento de infraestrutura crítica, que dependem do bom funcionamento de sistemas tecnológicos. O presente texto tratará das definições de infraestrutura crítica e da interconectividade dos sistemas na União Europeia. As infraestruturas críticas são infraestruturas essenciais para a manutenção de funções vitais para a sociedade, sendo estas: bancos e o setor financeiro, governo (instituições democráticas, serviços, forças de segurança), telecomunicações e tecnologias de informação e comunicação, serviços de emergência e resgate, energia e eletricidade, setor de saúde, transportes, logística e distribuição e fornecimento de água. Como pontuado por Schibberges (2011), infraestruturas s
Ataques, Armas e Guerra Cibernética

Ataques, Armas e Guerra Cibernética

Thaynar Dantas
Por Thaynar Dantas* Com o ataque cibernético em massa iniciado na semana passada, que atingiu hospitais, empresas e entidades em mais de 70 países, muito tem se discutido sobre segurança cibernética e sobre como lidar com ataques de tal magnitude. Ainda que diminuir as vulnerabilidades trazidas pela alta dependência tecnológica dos mais diversos setores da sociedade permaneça um desafio, é imprescindível entender os diversos tipos de agressões que podem ser empregadas no espaço cibernético e o papel dos Estados neste âmbito. Singer e Friedman (2014) mencionam que no âmbito do ciberespaço o termo “ataque” tem sido utilizado para caracterizar desde protestos online, a sabotagem de pesquisas nucleares e até atos de guerra, concebendo-os enquanto ações similares apenas por envolverem tecnol