Publicação mensal sobre Relações Internacionais

Página inicial do VOX MAGISTER

Author: Thaynar Dantas

O déficit democrático europeu: a atuação parlamentar e a promoção da identidade europeia (2)

Irene Rodrigues Gois
Por Irene Rodrigues* Desde o tratado de Maastricht, em 1992, que resultou em um maior aprofundamento do processo de integração na União Europeia, começaram os debates em função do déficit democrático. A questão em foco era como garantir a participação geral de todos os Estados membros e que não houvessem disparidade representativas entre os antigos membros e os membros ingressantes, assim como entre os países mais poderosos e os mais fracos. Questionava-se em função do pouco entendimento sobre os processos de decisão política que os cidadãos possuem, mostrados através dos referendos negativos, recusando inúmeros projetos introduzidos pela União que foram reelegidos por voto popular, significando uma discrepância de interesses entre os cidadãos Europeus e a EU, como o Tratado de Nice na
O déficit democrático europeu: a atuação parlamentar e a promoção da identidade europeia (1)

O déficit democrático europeu: a atuação parlamentar e a promoção da identidade europeia (1)

Irene Rodrigues Gois
Por Irene Rodrigues* A União Europeia, ao consolidar-se como um processo de integração fundou suas bases em uma democracia que defendia o princípio de que seus Estados eram livres para desempenhar e planejar seus governos de acordo com seus desejos. E, logo, para garantir um melhor funcionamento, em função das divergências que eram constituídos, o bloco procurou firmar suas características em princípios como participação política, accountability, transparência e igualdade. Essas características, portanto, seriam levadas em conta ao implementar e monitorar políticas e programas, adotando a representação como forma de equilibrar as diferentes características unitárias de cada membro. O princípio da subsidiariedade[1] e a redução das desigualdades, logo, mostram-se como aspectos essenciais
Coreia do Norte e a administração Trump – cenários de crise

Coreia do Norte e a administração Trump – cenários de crise

Carlos Eduardo Valle Rosa
Por Carlos Eduardo Valle Rosa* Em 26 de setembro de 2017, a Universidade Potiguar, em Natal-RN, promoveu a II Semana de Relações Internacionais e Comércio Exterior, na qual esta comunicação foi apresentada na Mesa-Redonda “O que esperar do Governo de Donald Trump?”. O artigo é uma síntese da apresentação e aborda os principais cenários futuros da crise na Península Coreana. Um importante analista de cenários, Michel Godet, professor por 32 anos no Conservatório Nacional de Artes e Negócios, na França, onde atuou na disciplina de Prospecção Estratégica, afirmou que “Todos os que pretendem predizer ou prever o futuro são impostores, pois o futuro não está escrito em parte alguma, ele está por fazer.” (GODET; ROUBELAT, 1996, p. 164). A intenção não é realizar um exercício de futurologia,
O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e a soberania nacional

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e a soberania nacional

Débora C. S. Araújo, Gills Vilar-Lopes
Por Gills Vilar-Lopes* Débora C. S. Araújo** Lançado em maio último (CRAIDE, 2017a), o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) foi concebido pelo governo brasileiro para atender a demandas telecomunicacionais relativas a políticas públicas e necessidades estratégicas – na seara da Segurança Pública e, sobretudo, da Defesa Nacional –, bem como comerciais. Trata-se, portanto, de artefato imprescindível para garantir a vigilância do território nacional e promover comunicações estratégicas em locais de difícil acesso. Todavia, diante de tal possibilidade pioneira, já se debate a possiblidade de privatizar quase 60% da capacidade civil disponível no satélite, devido ao atual momento de crise. Diante disso, o presente texto reforça a importância de se manter o
BRICS e o Futuro da Ordem Global: uma palestra de Oliver Stuenkel

BRICS e o Futuro da Ordem Global: uma palestra de Oliver Stuenkel

Ian Rebouças Batista, Rafael de Moraes Baldrighi
Relato por Ian Rebouças Batista* Rafael de Moraes Baldrighi** Na oportunidade do IV Seminário Internacional de Relações Internacionais (SIRI), realizado em junho na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Oliver Stuenkel ministrou uma palestra de lançamento de seu mais novo livro, “BRICS e o Futuro da Ordem Global” (Editora Paz e Terra, 2017). Este texto busca relatar os principais pontos levantados pelo autor durante sua fala, que introduz a temática encontrada no livro. Cumprindo a função de primeira grande publicação que trata exclusivamente dos BRICS, a discussão do livro, para além de apresentar o histórico de aproximação e de formação do grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, foca nas perspectivas futuras para o bloco em uma conjuntura pós década de bonan
Países em desenvolvimento como origem dos fluxos de investimento estrangeiro direto

Países em desenvolvimento como origem dos fluxos de investimento estrangeiro direto

Rafael Lima Santos
Por Rafael Lima Santos* François Chesnais (1996) adverte que o fenômeno dos investimentos externos não deve ser interpretado como recente: teóricos do imperialismo, ao analisarem a economia mundial como conjunto de relações moldadas pelo capital, já no início do século XX, consideravam a exportação de capitais em suas análises. Segundo o autor, a partir da Segunda Guerra Mundial, com o aumento quantitativo dos investimentos – como é possível observar no gráfico abaixo –ocorre uma tomada de consciência sobre a necessidade de se estudar o fenômeno e suas consequências. Baseando-se nesta afirmação, adota-se os anos 1950 como ponto de partida para um panorama histórico do Investimento Estrangeiro Direto (IED) em escala mundial, destacando o papel dos países em desenvolvimento como origem do
A evolução dos sistemas defesas antimísseis: um desafio a ser ultrapassado

A evolução dos sistemas defesas antimísseis: um desafio a ser ultrapassado

Marco Tulio Delgobbo Freitas, Renato Prado Kloss
Por Marco Tulio Delgobbo Freitas* Renato Prado Kloss** Com os recentes avanços do programa norte-coreano nuclear e a ameaça de seu líder Kim Jong-un, o mundo revive os dias de tensão da Crise de Mísseis de Cuba em 1962. A possibilidade de um ataque nuclear por meio de mísseis balísticos ainda é duvidosa, mas, no campo da ameaça – dissuasão – a guerra já começou. Mas, não há desespero, não devemos apertar os cintos, pois o piloto não sumiu. Hoje, estamos em uma etapa que mais parece um jogo complexo de xadrez, em que ambos lados, mostram suas armas. De um lado o míssil de Kim e de outro, um sistema de defesa que não é recente e tem uma longa trajetória. Como Sistema Antimísseis Balísticos funciona? Mísseis balísticos podem ser lançados a partir de uma variedade de plataformas, incluin
Em busca de segurança: o pleito da Turquia para entrar no guarda-chuva securitário dos EUA entre 1945 e 1952

Em busca de segurança: o pleito da Turquia para entrar no guarda-chuva securitário dos EUA entre 1945 e 1952

Vlademir Monteiro
Por Vlademir Monteiro* As necessidades securitárias da Turquia constituíram um aspecto central de sua relação com o Ocidente, no cenário posterior a 1945, tendo, inclusive, influenciado decisivamente seu alinhamento com o bloco no contexto da Guerra Fria. De acordo com Kösebalaban (2011), sua política externa, nesse período, manifesta a continuidade da prática de se valer de esquemas defensivos com alguma potência ocidental no intuito de fazer frente às hostilidades de outros Estados – e esse expediente era, com frequência, adotado pelo Império Otomano (o antecessor da República Turca) para contrabalancear a Rússia czarista. O principal fator desencadeador da aproximação da Turquia com o bloco Ocidental foi a ameaça soviética sobre seu território, mais precisamente, a intenção de Stálin
Paz violenta na América Latina: a disputa entre Chile e Bolívia pelas águas do Silala.

Paz violenta na América Latina: a disputa entre Chile e Bolívia pelas águas do Silala.

Rafael Paixão
Por Rafael Paixão* Os estudos de Segurança na América Latina têm sido dominados pela dinâmica da comunidade de segurança, que tem como pressuposto básico que os países da região caminham cada vez mais para o avanço da integração econômica, cooperação entre os países e uma maior institucionalização. No entanto, o uso da força militar é recorrente e as disputas militarizadas interestatais estão presentes com muita frequência na América Latina, como a disputa entre Chile e Bolívia pelas águas do Silala. David Mares (2001) desenvolve o modelo teórico da paz violenta para tentar responder por qual motivo os Estados da região usam a força militar uns contra os outros e mantêm, ao mesmo tempo, uma retórica da paz. A hipótese da teoria da paz violenta é de que os líderes usam a política extern
A Geopolítica do Conflito Sírio: interesses conflitantes e guerra assimétrica por procuração

A Geopolítica do Conflito Sírio: interesses conflitantes e guerra assimétrica por procuração

Elton Gomes dos Reis, Maria Carneiro de Albuquerque Franca
Por Elton Gomes dos Reis* Maria Carneiro de Albuquerque Franca** Guerra Civil na Síria e Fragmentação interna Em guerra civil desde 2011, quando, no contexto da Primavera Árabe, milhares foram às ruas de Daa’ra protestar contra a prisão de quinze estudantes por picharem frases anti-regime no muro de uma escola, a Síria tem vivido nos últimos seis anos um dos conflitos mais sangrentos da história recente. A situação no país, contudo, evoluiu e deixou de limitar-se apenas às suas fronteiras. A medida que o conflito foi se prolongando sem um vencedor, novos atores com variados interesses e poder de combate foram sendo adicionados ao cenário da guerra. Às forças do governo e aos rebeldes (personagens originais da contenda), somaram-se grupos paramilitares, grupos terroristas e atores Est