Publicação mensal sobre Relações Internacionais

Author: Thaynar Dantas

Resenha: BRICS e o futuro da Ordem Global

Resenha: BRICS e o futuro da Ordem Global

Matheus Leite do Nascimento
Por Matheus Leite do Nascimento* Para além do acrônimo “BRICS”, de que forma um conjunto de países detentores de tantas particularidades poderia se mostrar como uma voz para o mundo emergente dentro do sistema internacional? É com esse questionamento que o professor Oliver Stuenkel norteia sua análise sobre a atuação de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, a partir de sua aproximação e transformação num grupo de nações com potencialidades políticas que iriam além das concepções imaginadas por Jim O’Neil. A institucionalização dos BRICS vem se mostrando como uma realidade. A consolidação e o adensamento de arranjos cooperativos têm servido de estímulo para o aumento da disposição entre os cinco países no intuito de fortalecer o diálogo Sul-Sul. Com isso, nos debruçamos com a te
O acordo Kim-Trump de desnuclearização da península coreana: as possibilidades de um tit-for-tat

O acordo Kim-Trump de desnuclearização da península coreana: as possibilidades de um tit-for-tat

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Desde a Guerra da Coreia na década de 1950 as relações entre Estados Unidos e Coreia do Norte foram tensas. Ao longo do tempo, Pyongyang buscou desenvolver armas nucleares como forma de atender às suas necessidades de segurança. Algumas tentativas de governos americanos anteriores de trazer o regime comunista para arcabouço do Tratado de Não-Proliferação Nuclear fracassaram. Razões de cunho interno ou externo que ajudam a compreender os insucessos de coibir a aquisição de tecnologia nuclear por parte dos norte coreanos, mas o principal fator é a política de deterrence do país. Kim Jong-un afirmou que a política nuclear é um dos pilares das estratégias do regime, declarando que: "nossa força nuclear é uma dissuasão bélica confiável, e uma garantia de p
Unasul Estancada

Unasul Estancada

Ian Rebouças Batista
Por Ian Rebouças Batista* A União das Nações Sul-Americanas (Unasul) está cambaleando. Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru anunciaram a suspensão por um ano em reuniões dos conselhos da organização, bem como a interrupção do financiamento do organismo. O argumento desse grupo de países é o inadequado funcionamento do bloco, decorrente, principalmente, da ausência de um Secretário Geral. Desde a saída de Ernesto Samper, também ex-presidente da Colômbia, em janeiro de 2017, o cargo está desocupado devido à inexistência de um consenso em relação a quem deveria ser seu sucessor ou sucessora. Como pano de fundo, o anúncio da suspensão das atividades dos referidos países se deu alguns dias após Evo Morales, presidente boliviano, assumir a presidência pro tempore da Unasul, suc
“Corra!”: a arte como ferramenta de conscientização sobre a questão racial

“Corra!”: a arte como ferramenta de conscientização sobre a questão racial

Artur Melo
Por Artur Melo* Em tempos de recrudescimento dos movimentos supremacistas ao redor do mundo - nos EUA sob as asas da alt-right e dos discursos “apaziguadores” por parte da atual administração -, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas deu espaço este ano ao diretor estreante Jordan Peele e seu trabalho indicado a quatro Oscars (incluindo Melhor Filme), “Corra!” (Get Out!, 2017) - muito merecidamente, diga-se de passagem. A questão racial nos EUA tem sido abordada no cinema Hollywoodiano há décadas. Comumente ambientados no Mississipi (desde clássicos como “No Calor da Noite”, “Mississipi em Chamas” e “Tempo de Matar” até outros mais recentes, como “Mudbound”), os filmes sobre a segregação racial costumam retratar a violência nos conflitos entre negros e brancos de maneira dramá
Guerras, amor, política e superação: o mundo no Oscar 2018

Guerras, amor, política e superação: o mundo no Oscar 2018

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Cena de Zhenya em "Sem Amor", da Rússia (reprodução). Na premiação do Oscar de 2018 que ocorrerá no próximo dia 4 de março, vários filmes disputam a estatueta do maior prêmio do cinema mundial. As relações internacionais e questões políticas permeiam os temas que são tratados nos filmes das mais diversas formas. Muitas vezes eles tratam das relações humanas como alegorias do mundo real e dos conflitos que nos cercam. Inclusive dos seus países de origem. Abordaremos as películas dos indicados desse ano, passando desde a categoria de melhor filme para melhor filme estrangeiro. Os indicados para melhor filme são quase todos, sem exceção, obras-primas. Estrelado por Daniel Kaluuya e Allison Williams, "Corra!" trata de forma interessante o racismo nos Estad
Qual seria o caminho a ser trilhado por uma Catalunha independente?

Qual seria o caminho a ser trilhado por uma Catalunha independente?

Matheus Leite do Nascimento
Por Matheus Leite do Nascimento* Nas últimas semanas, as crescentes tensões entre as representações separatistas catalãs e o governo espanhol têm ganhado atenção do mundo e levantado debates acerca do desfecho que tal cenário terá para o futuro do Estado espanhol e da Europa como um todo. No último dia 27 de outubro, a intransigência dos independentistas catalães atingiu seu ápice ao declararem unilateralmente a independência da região, apesar da ação não contar com o reconhecimento legal da Constituição espanhola. Em resposta, o governo espanhol acionaria o artigo 155 da mesma, implicando na remoção do presidente catalão (Carles Puigdemont) e suspensão dos poderes do Parlamento da Catalunha, ao restringir as atividades políticas da comunidade autônoma. O acirramento das disputas polít
Os obstáculos da Integração Sul-americana na Política Externa Brasileira Contemporânea (Parte I)

Os obstáculos da Integração Sul-americana na Política Externa Brasileira Contemporânea (Parte I)

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Introdução A literatura acadêmica sobre a Política Externa Brasileira (PEB) (VIGEVANI;CEPALUNI,2011) entende que a grande temática da continuidade e ruptura da Política Externa Brasileira através das distintas lógicas de autonomia que nortearam Fernando Henrique Cardoso (FHC) e Lula na condução das relações exteriores. Segundo eles, enquanto o governo FHC foi caracterizado pela autonomia pela participação, Lula adotou a estratégia de autonomia pela diversificação. A análise do comportamento estratégico do Brasil no que concerne à condução da política externa. Discute-se a opção multilateralista de participação nos regimes internacionais adotada por FHC, assim como analisam suas mudanças no governo Lula.  Os autores concluem que enfrentando momentos críticos p
A política externa e a política de defesa da Rússia: assertividade, geopolítica e instrumentos coercitivos

A política externa e a política de defesa da Rússia: assertividade, geopolítica e instrumentos coercitivos

Antonio Henrique Lucena Silva, Heviane Santana de Lima
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Heviane Santana de Lima** A Rússia está passando por um processo de busca de reafirmação do seu poder, principalmente na Eurásia. Com o fim da União Soviética em 1991, o país perdeu o controle imperial sobre o resto da região. A área formada pelos Estados satélites, como os componentes da sua esfera de influência durante a Guerra Fria, mudou imediatamente para um complexo europeu, assim como os três Estados bálticos da Estônia, Lituânia e Letônia. A Federação Russa, ao longo dos anos 1990, era um dos países mais fortes dos restantes 12 novos independentes Estados soviéticos, embora com um forte declínio durante esse período. As estratégias que a Rússia atual promove buscando a restauração e seu equilíbrio no sistema internacional é estruturada ge

O déficit democrático europeu: a atuação parlamentar e a promoção da identidade europeia (2)

Irene Rodrigues Gois
Por Irene Rodrigues* Desde o tratado de Maastricht, em 1992, que resultou em um maior aprofundamento do processo de integração na União Europeia, começaram os debates em função do déficit democrático. A questão em foco era como garantir a participação geral de todos os Estados membros e que não houvessem disparidade representativas entre os antigos membros e os membros ingressantes, assim como entre os países mais poderosos e os mais fracos. Questionava-se em função do pouco entendimento sobre os processos de decisão política que os cidadãos possuem, mostrados através dos referendos negativos, recusando inúmeros projetos introduzidos pela União que foram reelegidos por voto popular, significando uma discrepância de interesses entre os cidadãos Europeus e a EU, como o Tratado de Nice na
O déficit democrático europeu: a atuação parlamentar e a promoção da identidade europeia (1)

O déficit democrático europeu: a atuação parlamentar e a promoção da identidade europeia (1)

Irene Rodrigues Gois
Por Irene Rodrigues* A União Europeia, ao consolidar-se como um processo de integração fundou suas bases em uma democracia que defendia o princípio de que seus Estados eram livres para desempenhar e planejar seus governos de acordo com seus desejos. E, logo, para garantir um melhor funcionamento, em função das divergências que eram constituídos, o bloco procurou firmar suas características em princípios como participação política, accountability, transparência e igualdade. Essas características, portanto, seriam levadas em conta ao implementar e monitorar políticas e programas, adotando a representação como forma de equilibrar as diferentes características unitárias de cada membro. O princípio da subsidiariedade[1] e a redução das desigualdades, logo, mostram-se como aspectos essenciais