Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Author: admin

O sentido do supranacionalismo na União Europeia

O sentido do supranacionalismo na União Europeia

José Victhor Bezerra de A. A. Silva
No dia 24 de março de 2017, houve uma reunião no Estado da Cidade do Vaticano, entre Francisco I e os atuais 27 chefes de Estado e Governo da União Europeia (UE). O evento é parte da cerimônia de assinatura da Declaração de Roma, marcando o sexagésimo ano de fundação do bloco e edição do Livro Branco sobre o Futuro da Europa para traçar cenários prospectivos. Por que tanto o Tratado de março de 1957 quanto a hodierna Declaração de Roma foram assinados no Appartamento de Conservatori, ao abrigo de uma estátua de Inocêncio X, um defensor do poder supranacional do papa e do sacro-imperador? Para compreender a relevância da sede de assinatura do tratado fundador da Comunidade/União Europeia, discutiremos neste artigo o papel da Democracia Cristã (DC) e também da Igreja Católica na formação d

Lattes dos Fracassos: uma aula motivacional

Ian Rebouças Batista, Oleg Komlik
Uma regra fundamental na escrita de um currículo baseia-se no postulado não dito de que se deve omitir qualquer coisa que não saiu como planejada ou que realmente não deu certo. Esse princípio é duplamente válido e relevante quando elaboramos o nosso currículo Lattes. Cada Currículo Lattes é uma festiva celebração e uma lista onde se destacam vitórias e realizações pessoais! Ora, nossa jornada profissional é realmente um caminho feito apenas de sucessos? Ou em alguns momentos e locais houve fracassos e perdas? Sim, claro! Apenas não existem rastros desses momentos ruins no Lattes. Um Professor Assistente de Psicologia e Relações Públicas, na Universidade de Princeton, EUA, Johannes Haushofer, decidiu mostrar que nossas falhas e tropeços “invisíveis” são partes importantes de um caminho s
Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte II) : contenção da China

Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte II) : contenção da China

Elton Gomes dos Reis
O Cenário Asiático: uma delicada relação com a China Em período mais recente a imagem dos EUA na Ásia tem passado por um grande desgaste diante da ascensão da China. O país hegemônico é acusado de não se fazer presente em termos militares na região para garantir importantes aliados como  o Japão, a Coréia do Sul e Taiwan contra os perigos representados pelas ambições chinesas e pelo programa nuclear norte-coreano. Até mesmo países historicamente alinhados com os EUA como as Filipinas mostram um incomum anti-americanismo. Contudo, antes de pensar em lidar com as Filipinas, o novo presidente precisará  definir as linhas diretivas da política externa americana para a China. Trump precisa promover uma cuidadosa avaliação (assumindo que alguém com tal personalidade possa de fato fazer alg
Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança               de poder Com a Rússia?

Política Externa Americana e Segurança Internacional (Parte I): balança de poder Com a Rússia?

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Contrariando todas as pesquisas o magnata Donald Trump chegou à Casa Branca. A postura do novo governo americano com relação à segurança na Europa e na Ásia é alvo de profundo interesse e preocupação da comunidade internacional.  A política de projeção de poder da Rússia de Putin e o chamado pivô asiático se colocam como temas da mais alta relevância para Washington. Depois de iniciada a gestão, os analistas afirmam que é bastante razoável acreditar que boa parte das promessas de campanha de Trump não possam ser efetivamente cumpridas por não serem factíveis em termos políticos e econômicos[1]. Apesar disso, por tudo o que pôde ser visto durante o tenso processo eleitoral, em nenhuma outra área Donald Trump teve uma opinião tão diferente da política dos Estado
O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

O arrow 3 e seus impactos na política dissuasória israelense

Marco Tulio Delgobbo Freitas, Renato Prado Kloss
Por Marco Tulio Delgobbo Freitas* Renato Prado Kloss** No dia 18 de janeiro de 2017, a força aérea israelense declarou que entrou em operação o seu mais novo sistema de interceptação antimísseis: o Arrow 3. Este novo sistema, propicia uma melhor performance em sua rede de defesa, baseada em multicamadas, contra mísseis balísticos. Projetado para voar o dobro do alcance e com metade do peso do Arrow 2, este novo sistema permite a Israel a consolidação de seu sistema de defesa antimísseis, já testados e aprovados durante a Operação Iron Dome, principalmente contra os mísseis balísticos que possuem a mesma tecnologia do míssil norte-coreano BM-25 Musudan, como é o caso dos mísseis classe Shahab-3 do Irã (DAILY MAIL, 2016). O sistema antimísseis elaborado por Israel é uma resposta para u
Prostituição internacional e migração: visões divergentes*

Prostituição internacional e migração: visões divergentes*

Laura Melo Araújo
Por Laura Melo Araújo** Com o fim das guerras mundiais e a reconstrução da Europa Ocidental, essa parte do continente se tornou um polo de atração para quem busca trabalho e uma vida melhor, em especial para aqueles que vivem nas ex-colônias europeias. A França, por exemplo, exerce um grande poder de atração para os tunisianos, malianos e senegaleses, assim como a Inglaterra  em relação aos indianos. A temática da migração, entretanto, possui várias nuances. Ao levar em conta a questão de gênero, o artigo Migrants in the Mistress’s House: Other Voices in the “Trafficking” Debate (Agustín 2010) discute o fluxo migratório ligado à prostituição, em que  mulheres de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento migram para países onde podem melhorar a qualidade de vida de suas famílias e d
O superpresidencialismo na Rússia de Putin

O superpresidencialismo na Rússia de Putin

Antonio Henrique Lucena Silva, Maria Eduarda Buonafina Franco Dourado
Por Maria Eduarda Buonafina Franco Dourado* Antonio Henrique Lucena Silva**    Introdução O modelo de governo autoritário do atual presidente Vladimir Putin em um sistema que, em teoria, é classificado como democrático, tem se apoiado na Constituição Russa de 1993. Sua principal característica é a hierarquização do poder, sendo o executivo como principal detentor do nível mais alto. O presidente, através dos seus poderes, tem criado mecanismos que o permite obter controle das instituições democráticas do país. O país russo vêm enfrentando uma crise democrática após a entrada de Putin no poder, em que os mecanismos democráticos estão sendo constantemente controlados no seu interior pelo poder executivo. Observando as últimas eleições desde a entrada de Putin no governo até as eleições
A mulher nas missões de paz da ONU

A mulher nas missões de paz da ONU

Rodrigo Pedrosa
*Por Rodrigo Pedrosa Entre os vários âmbitos da vida internacional em que as questões de gênero têm gerado reflexões e mudanças, especialmente a partir da década de 1990, as missões de paz das Nações Unidas revelaram-se terreno fértil para pesquisadores abordarem as relações masculinidade/feminilidade. Tradicionalmente, as forças armadas são observadas e conduzidas como uma instituição masculina. Assim, enquadram-se nas chamadas gendered organizations, expressão que explicita a predominância de um gênero na estrutura e hierarquia da organização enfocada. Outra acepção do termo, mais profunda e completa, permite perceber que os discursos, valores e práticas de uma organização caracterizada como gendered estão lastreados, simbólica e ideologicamente, em determinado gênero. No contexto d
Direitos humanos de mulheres refugiadas*

Direitos humanos de mulheres refugiadas*

Janeide Maria de Moura
Por Janeide Maria de Moura** De acordo com a Convenção das Nações Unidas Relativa ao Estatuto dos Refugiados (conhecida como Convenção de 1951) e seu respetivo Protocolo, que entrou em vigor em 1967, os refugiados são indivíduos que, ameaçados e perseguidos por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, precisam deixar seu local de origem ou residência habitual para encontrarem abrigo e morada em outros países. Entretanto, além dessa definição de refugiados omitir a categoria e a perseguição com base em gênero não é reconhecida pela convenção. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), o número de pessoas deslocadas mundialmente é o maior da história. Desses, cerca de 50% são do sexo feminino – um total de 10 mil
Os Direitos das Mulheres Também Seriam Direitos Humanos?

Os Direitos das Mulheres Também Seriam Direitos Humanos?

Maria Alice Venâncio Albuquerque
Por Maria Alice Venâncio Albuquerque* Quando se fala em violações aos direitos humanos, logo se pensa em violência física e crimes como tortura, inanição, terrorismo e mutilação, cometidos durante períodos de conflitos e guerra. Outra associação, comumente realizada, é a de se confiar à comunidade internacional – mais especificamente às organizações internacionais – a responsabilidade de identificar, socorrer e proteger àqueles que sofrem tais violações. Porém, também há muitos crimes graves que até recentemente não eram considerados, propriamente, violações aos direitos humanos (e cujo status, nesse sentido, ainda é discutido): humilhações, abuso sexual, escravidão sexual feminina, mortes por dote, violência doméstica/matrimonial, supressão de direitos reprodutivos e de liberdade sexual