Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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BRICS e o Futuro da Ordem Global: uma palestra de Oliver Stuenkel

Relato por Ian Rebouças Batista*
Rafael de Moraes Baldrighi**

Na oportunidade do IV Seminário Internacional de Relações Internacionais (SIRI), realizado em junho na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Oliver Stuenkel ministrou uma palestra de lançamento de seu mais novo livro, “BRICS e o Futuro da Ordem Global” (Editora Paz e Terra, 2017). Este texto busca relatar os principais pontos levantados pelo autor durante sua fala, que introduz a temática encontrada no livro. Cumprindo a função de primeira grande publicação que trata exclusivamente dos BRICS, a discussão do livro, para além de apresentar o histórico de aproximação e de formação do grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, foca nas perspectivas futuras para o bloco em uma conjuntura pós década de bonanças para os países componentes.

O melhor momento dos BRICS é apontado como tendo sido fruto de uma estrutura sistêmica particular:  a política externa do Estados Unidos no século XXI e a crise de 2008 foram fundamentais para o ganho de importância e relevância dos países do BRICS no cenário internacional na década passada. Segundo o Stuenkel, apesar da crise econômica de alguns países do bloco (Brasil, Rússia e África do Sul), o valor dos BRICS hoje é maior do que no começo do milênio, já que continua contanto com grandes taxas de crescimento indiano e, principalmente, chinês

Ponto fundamental do livro é a perspectiva típica da leitura de Stuenkel sobre as relações internacionais, através da qual o autor identifica a Índia e a China como atores historicamente importantes no globo. Com história e cultura milenares, os países possuem as maiores populações do mundo e, até o final do século XIX, eram as principais economias globais – principalmente em seu livro “Post Modern World” (Polity Press, 2016), Stuenkel argumenta que durante centenas de anos o Oriente concentrava os principais detentores de poder e de riquezas no globo, sendo a ascensão dos países ocidentais historicamente recente.

Ainda de maneira sistêmica, o autor defende que a união dos países que compõem os BRICS, em qualquer tema, dada suas potencialidades particulares, gera um impacto muito forte no Sistema Internacional, afetando dessa forma a tomada de decisões das principais potências do globo, não só seus componentes. Dessa forma, assim como o comportamento da PE estadunidense possibilitou uma conjuntura favorável à ascensão dos BRICS, devemos estar atentos também a maneira que os EUA, por exemplo, entendem e se relacionam com o agrupamento, o que revelaria a maneira com qual o mainstream ocidental entende a emergência desses atores.

De acordo com Stuenkel, esse mainstream ocidental que se reflete também nas leituras acadêmicas de pesquisadores das relações internacionais, entende o mundo fora da égide estadunidense como caótico, desorientado e perigoso. Assim, podemos entender os BRICS como uma proposta de ordem e regras paralelas que fogem ao tradicional, com instituições e organismos alternativos como a ASEAN + 3; One Belt, One Road; encontros dos líderes do BRICS; New Development Bank; etc.

Portanto, o autor sugere que o crescimento de importância do BRICS e de outros atores emergentes é fundamental para uma maior democratização dos processos decisórios internacionais e das relações internacionais. O mundo pós-Ocidental que emerge com os BRICS, segundo o autor, será mais completo, diverso e demandará mais conhecimento.


*Ian Rebouças Batista é Mestrando em Ciência Política (PPGCP/UFRGS) e Bacharel em Relações Internacionais (DRI/UFS). Trabalha em rede com os seguintes grupos: Centro de Estudos sobre a União Europeia (CEURO/UFS), Núcleo de Estudos Políticos e Administrativos (UFRGS) e membro do GT Desenvolvimento Regional e Atores sociais da CLACSO (Méx). Bolsista CAPES. E-mail: reboucas.ian@gmail.com

**Graduando em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Sergipe. Vinculado ao projeto de pesquisa “O que quer cada país sul-americano com a América do Sul e com os Estados Unidos? Estudo comparativo sobre identidade cooperativa dos países que compõem o Conselho de Defesa Sul-Americano”, com o plano de trabalho “A liderança brasileira no CDS e as relações entre Brasil, Argentina e Venezuela”. Bolsista COPES (IC), sob orientação da professora Érica Cristina Alexandre Winand


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