Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Lattes dos Fracassos: uma aula motivacional

Uma regra fundamental na escrita de um currículo baseia-se no postulado não dito de que se deve omitir qualquer coisa que não saiu como planejada ou que realmente não deu certo. Esse princípio é duplamente válido e relevante quando elaboramos o nosso currículo Lattes. Cada Currículo Lattes é uma festiva celebração e uma lista onde se destacam vitórias e realizações pessoais!

Ora, nossa jornada profissional é realmente um caminho feito apenas de sucessos? Ou em alguns momentos e locais houve fracassos e perdas? Sim, claro! Apenas não existem rastros desses momentos ruins no Lattes.

Um Professor Assistente de Psicologia e Relações Públicas, na Universidade de Princeton, EUA, Johannes Haushofer, decidiu mostrar que nossas falhas e tropeços “invisíveis” são partes importantes de um caminho sinuoso rumo a uma carreira profissional bem-sucedida. Por isso, Haushofer compilou uma lista de fracassos durante sua carreira acadêmica e postou online seu Lattes dos Fracassos .

O documento está dividido nas seções: “Programas nos quais eu não entrei”, “Cargos que eu não consegui”, “Prêmios e bolsas que eu não consegui”, “Artigos rejeitados por periódicos acadêmicos” e “Financiamentos de pesquisa que eu não consegui”. Existem vários “nãos” aqui, como todos nós temos. Abaixo seguem alguns deles, caso não queira ver o link original do parágrafo anterior.

“A maior parte das coisas que eu tento eu falho”, Haushofer escreve honestamente na introdução de seu currículo, “mas esses fracassos são frequentemente invisíveis, enquanto os sucessos são visíveis. Eu percebi que isso geralmente passa a impressão para as outras pessoas de que a maioria das coisas dão certo para mim. Como resultado, as pessoas são levadas a atribuir seus fracassos a si mesmas, ao invés de notar que o mundo é aleatoriamente indeterminado, as candidaturas para vagas em universidades são tentativas e membros das bancas de seleção têm dias ruins. Esse Lattes do Fracasso é uma tentativa de equilibrar o jogo e apresentar alguma perspectiva”.

Sem exagero, acho esse ousado ato do Prof. Haushofer inspirador e encorajador, especialmente para calouros do mundo acadêmico. Na verdade, isso me lembra a incrível estória de rejeição do trabalho inovador de Mark Granovetter[1]. A lição de ambos é similar: recomponha-se, supere, tome impulso e siga em frente! Rejeições e fracassos são partes inseparáveis no curso da autorrealização.

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Oleg Komlik é professor conferencista na Escola de Ciências Comportamentais da Faculdade de Administração – Estudos Acadêmicos e doutorando no Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Ben-Gurion, em Israel. Você pode ler o original clicando aqui. Oleg Komlik é criador e editor do blog comunitário Economic Sociology and Political Economy.

Traduzido por Ian Rebouças Batista, bacharel em Relações Internacionais (UFS) e mestrando em Ciência Política (UFRGS), com autorização do autor.

[1]N.T.: Sociólogo norte-americano e professor na Universidade de Stanford. O trabalho inovador citado pelo autor do texto é “The Strength of Weak Ties”, “A força dos laços fracos”, em tradução livre.

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