Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Month: July 2016

A caracterização do tráfico humano como problema político internacional*

A caracterização do tráfico humano como problema político internacional*

Andrea Steiner, Camilly Regueira
Por Camilly Regueira** Andrea Steiner*** O tráfico de pessoas é um problema grave que afeta, anualmente, pessoas de todas as partes do mundo. O último Relatório Global sobre o Tráfico de Pessoas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, referente ao ano de 2014, revela que 49% das vítimas são mulheres adultas. Logo depois vêm as crianças, com 33%. Homens também são explorados, mas em menor escala. As mulheres vitimadas são geralmente jovens adultas, com baixa escolaridade, oriundas de classes populares, com algum vínculo familiar (geralmente com filhos, mas solteiras) e com dificuldades em conseguir emprego (Leal e Leal, 2002; Colares, 2004; Birol, 2013). A maioria dos aliciadores são homens, embora também haja mulheres envolvidas, e a atividade predominante é relacionada
Diplomacia e Semiótica: a linguagem como ferramenta política das Nações

Diplomacia e Semiótica: a linguagem como ferramenta política das Nações

Thales Castro
Por Thales Castro*   A semiótica opera a ponte científica de compreensão e manipulação dos conceitos e usos da linguagem humana. Há finalidade bem definidas neste âmbito cientifico. Neste contexto, a própria semiótica torna-se a ferramenta de poder e de politicidade na diplomacia – foco de nossas análises aqui. Convém mencionar que será objeto de nossas análises como esta semiótica especificamente aplicada à dinâmica diplomática pode servir aos interesses de curto e médio prazos dos Estados Nacionais. Diplomacia como arte, como práxis e como política pode ser estruturada e classificada quanto à natureza dos atores envolvidos e quanto à sua finalidade operacional. Pela quantidade de atores envolvidos, a diplomacia pode ser de cunho bilateral ou multilateral, quando envolver, res
O que o seu orientador gostaria que você fizesse*

O que o seu orientador gostaria que você fizesse*

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva** Durante a elaboração de trabalhos de conclusão de curso (TCC), ou até mesmo na pós-graduação com o mestrado ou doutorado, a relação entre orientadores e orientandos pode (e deve) ser frutífera. Em muitos casos elas se tornam associações de longa duração porque eles tendem a trabalhar conjuntamente na escrita de artigos, textos, projetos, caso o orientando resolva seguir a carreira acadêmica, seja “partial” ou “full time”, e a construção da relação com o professor seja profícua. É comum que os alunos reclamem da orientação que eles recebem. As razões são as mais variadas: ausência do orientador, e-mails não respondidos ou respondidos depois de alguns dias, o não respeito do professor pelas opções teóricas ou metodológicas que o aluno(a)/orientando(a) t
A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

A tentativa de Golpe de Estado na Turquia: possíveis consequências geopolíticas e estratégicas

Augusto W. M. Teixeira Júnior, Marco Tulio Delgobbo Freitas
Por Augusto Teixeira Jr.* Marco Túlio Delgobbo Freitas** Na última sexta, dia 15 de julho o mundo viu aturdido a uma tentativa de Golpe de Estado na Turquia. Pouco após o início de unidades militares, por terra e ar, buscarem ocupar importantes postos de comunicação, comando e controle, o Presidente Erdogan se pronunciava para o povo daquele país chamando-o à resistir a tentativa de usurpação violenta do poder por parte de setores das Forças Armadas e grupos civis que os apoiavam. A tentativa de Putsch, rapidamente debelada ainda durante o final de semana passado por setores das Forças Armadas e polícia, traz um conjunto de indagações fundamentais para o quadro de instabilidade internacional contemporâneo. A seguir, discorremos sobre algumas delas. Apesar de não ser um país árabe e ne
A aposta de Erdogan: como os excessos do presidente e a tentativa de retomada do poder pelos militares fragilizam a democracia na Turquia

A aposta de Erdogan: como os excessos do presidente e a tentativa de retomada do poder pelos militares fragilizam a democracia na Turquia

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Um Golpe em Andamento Na última sexta-feira o mundo foi surpreendido por imagens de tiroteio e blindados nas ruas de Istambul. O Exército turco iniciara a tomada do poder para, segundo um general, "preservar a ordem democrática". Os excessos praticados pelo líder Turco Tayyip Erdogan, desafiando a ordem secular instaurada no país, e a sua dificuldade de lidar com os problemas de segurança em face do terrorismo, do conflito na Síria e das pressões dos russos  pesaram na decisão das forças armadas. Os relatos desencontrados  mostraram uma infowar que tornava difícil saber o que realmente estava acontecendo na Turquia. Porém, uma coisa era certa: o mundo se via diante de mais um episódio tenso da segurança internacional. A guerra de versões continuou. Os militar
O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular : a conduta operacional do neoterrorismo político religioso  (Parte II)

O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular : a conduta operacional do neoterrorismo político religioso (Parte II)

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* O último texto discorreu em linhas gerais sobre  as grandes linhas do terrorismo  enquanto estratégia de guerra assimétrica (impacto psicológico e publicização). Da mesma forma, foram discutidas as características do neoterrorismo religioso e o extensivo emprego da “propaganda pelo ato” por parte dos radicais islâmicos ocorrido em período mais recente.  No presente artigo examina-se sumariamente algumas das principais  táticas associadas ao neoterrorismo religioso e suas implicações para a segurança internacional. As organizações que recorrem ao terrorismo como instrumento de luta não convencional foram grandemente dinamizadas pela introdução de novas tecnologias informacionais e pela redefinição de tempo e de espaço provocada pelo fenômeno da globalização. A
Globalização, ou Capitalismo 2.0

Globalização, ou Capitalismo 2.0

Mariana Meneses
Por Mariana Meneses* A cultura política moderna ocidental é enraizada em um individualismo político, econômico, filosófico e metodológico. A globalização é sua última expressão (Cox, In Gill 1995). Por mais de três décadas, o modelo de governança global tem sido resultado dos imperativos e das falhas do neoliberalismo (BRODIE, 2015). Esse modelo se estabeleceu a partir da aceitação geral de um discurso que pregava a necessidade de abertura de mercados, privatizações e desregulamentação para a inserção de Estados na economia globalizada e, assim, a sobrevivência desses enquanto competitivos internacionalmente. O neoliberalismo foi e continua a ser caracterizado por diversas crises que continuam a ser justificadas pelos Estados e economistas tradicionais como excepcionais, derivadas
Tráfico humano: ascensão do tema na agenda política internacional*

Tráfico humano: ascensão do tema na agenda política internacional*

Andrea Steiner, Camilly Regueira
Por Camilly P. Regueira** Andrea Q. Steiner*** O tráfico humano é um fenômeno que atinge milhões de pessoas ao redor do mundo. Sua existência é uma grave violação de direitos humanos, uma vez que suas vítimas têm sua liberdade cerceada a fim de serem exploradas. Como um tipo de crime organizado transnacional, o tráfico humano precisa ser combatido dentro e fora das fronteiras nacionais. Desse modo, a fim de olhar de forma integrada para o que os Estados estão fazendo para enfrentar este problema, ao longo do tempo foram criados instrumentos internacionais para agir nesse sentido. Aqui apresentaremos, de forma breve, um histórico da entrada e evolução do tema na agenda internacional. No início do século XX, em 1904, houve a primeira manifestação legal sobre o problema, com o Acordo Int
Os novos desafios da Diplomacia

Os novos desafios da Diplomacia

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Tradicionalmente a diplomacia é exercida com exclusividade pelos membros dos Ministérios das Relações Exteriores dos países. Embaixadores, Autoridades Consulares, Ministros e Secretários formam um corpo político especial, altamente qualificado (na maioria dos casos) que tem sido o responsável único pela implementação da política externa dos países. Importante salientar a diferença entre política externa e diplomacia. Conforme afirma Moita, a política externa é o conjunto de opções de um país no que toca à sua colocação no mundo e às suas relações com os outros, enquanto a diplomacia é uma atividade através da qual se aplica a política externa. A diplomacia é instrumental face à política externa. Designamos então ‘diplomacia’ aquele conjunto de pessoas, de ins
Questões legais no separatismo de sub-regiões na União Europeia

Questões legais no separatismo de sub-regiões na União Europeia

Ian Rebouças Batista
Por Ian Rebouças Batista* Como visto no texto anterior, a maior integração regional na Europa tem incentivado o crescimento de movimentos separatistas que clamam maior autonomia para suas sub-regiões. No presente texto, analisaremos as nuances legais por trás de uma secessão de uma sub-região da União Europeia (UE). É importante frisar que não analisamos aqui a retirada legal do Reino Unido da UE, ou a independência escocesa pós-Brexit. O texto aqui se refere à independência de uma sub-região de um Estado-membro da UE, e como o bloco prevê tal secessão. Para tanto, utilizaremos o exemplo da tentativa escocesa de independência em 2014, quando o Brexit era ainda distante. Contudo, após os levantamentos desse trabalho, é impossível não traçarmos alguns comentários sobre o futuro do caso es