Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Month: June 2016

Brexit, Escócia e o processo de integração europeia como catalisador de movimentos separatistas

Brexit, Escócia e o processo de integração europeia como catalisador de movimentos separatistas

Ian Rebouças Batista
Por Ian Rebouças Batista* O Reino Unido votou em 23 de junho, com aproximadamente 52% dos votos da população, pela sua retirada da União Europeia (UE). Como parte da série de textos do Vox Magister que tratam das consequências do Brexit, o presente texto trata da reascensão do movimento separatista escocês, que se fortalece com a integração europeia e que deve reagir à saída do Reino Unido da UE. Em 2014, a vitória do “Não” para o separatismo da Escócia do Reino Unido pareceu pôr fim às aspirações de independência do Partido Nacional Escocês (PNE). A vitória do Brexit nas urnas deve fazer com que Edimburgo reveja o alinhamento com Londres – o que já está sendo tratado abertamente pela primeira ministra escocesa, Nicola Sturgeon. Isso porque, sendo parte do Reino Unido, a saída do RU da
O Conselho de Segurança da ONU e o Brasil: revisitando velhas e novas teses

O Conselho de Segurança da ONU e o Brasil: revisitando velhas e novas teses

Thales Castro
Por Thales Castro* Ontem fui convidado pelo Itamaraty para participar de um evento internacional no Palácio sobre o presente e o futuro do Conselho de Segurança da ONU, articulando algumas linhas gerais para a política externa brasileira. Lá estavam vários embaixadores estrangeiros e várias personalidades.Minha fala, em linhas gerais, foi na linha de que a tese de defesa da posição brasileira na tentativa de buscar uma cadeira permanente ainda é válida, porém precisará de atualizações contextuais e de senso de realismo engajado na compreensão, de forma ampla e crítica, sobre as engrenagens e dinâmicas da ONU e do Conselho de Segurança, em particular. Mister se faz uma revisão crítica sobre a ONU e seu CS – aproveito aqui a oportunidade para tecer alguns dessas visões críticas. Pade
O Reino em xeque: do Brexit à turbulência política

O Reino em xeque: do Brexit à turbulência política

Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Rodrigo Barros de Albuquerque*   Em postagem anterior, refleti brevemente sobre alguns pontos importantes decorrentes da recente decisão do Reino Unido pela saída da União Europeia, prometendo exame mais cuidadoso a posteriori. Neste, analisarei a questão da  possibilidade de fragmentação do Reino Unido e as primeiras notícias sobre como isto tem sido abordado à luz dos recentes acontecimentos. A turbulência interna ao Reino Unido, como era de se esperar, começou na própria manhã da sexta-feira, quando da divulgação do resultado do referendo. A S&P anunciou a mudança do status de risco de investimentos do Reino Unido para os próximos dias, caso o referendo aprovasse a saída da União Europeia. Como era a única instituição de análise de crédito e risco que ainda manti
Quando “sexo frágil” é uma construção social: a guerra das mulheres curdas contra o Estado Islâmico

Quando “sexo frágil” é uma construção social: a guerra das mulheres curdas contra o Estado Islâmico

Antonio Henrique Lucena Silva, Mariana Ribeiro do Nascimento
Por Mariana Ribeiro do Nascimento* Antonio Henrique Lucena Silva**     A Guerra Civil Síria (2011-) se intensificou a partir de uma revolta armada e a formação do Exército Livre Sírio. O vácuo de poder deixado por Damasco em algumas regiões do país abriu espaço para que grupos se fortalecessem, entre eles, o Estado Islâmico. A expansão do grupo EI no Oriente Médio, principalmente no Iraque e Síria, pode ser observado o grande números de refugiados que fogem em massa rumo a países onde possam ter o mínimo de segurança. O Estado Islâmico buscou expandir a sua área de controle e realizou ofensivas que chegaram em áreas controladas pelo povo curdo. Eles veem combatendo e resistindo às incursões dos terroristas e algumas áreas foram retomadas, com o apoio dos ataques aéreos feito
O Brexit chegou… e agora, Reino Unido?

O Brexit chegou… e agora, Reino Unido?

Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Rodrigo Barros de Albuquerque* O Brexit aconteceu. Após meses de muita expectativa e um adiamento causado por uma tragédia, o referendo foi realizado e a maioria da população votou a favor de o Reino Unido sair da União Europeia. Há várias considerações em jogo. Nos próximos dias, o Vox Magister terá postagens específicas sobre os pontos abaixo elencados, todos diretamente relacionados ao Brexit. 1) Em primeiro lugar, o resultado (aproximadamente 52% a favor da saída e 48% contra) mostra uma margem bastante apertada, o que indica alta polarização. Resultados de votações com pequena vantagem para a maioria vencedora costumam indicar maior arrefecimento nas disputas internas. Dificilmente, porém, o Reino Unido sofrerá uma situação de conflito interno alarmante sobre esta questão, par
“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

“All Hail the King in the North”: como os erros táticos de Ramsay Bolton levaram à vitória estratégica de Jon Snow na Batalha dos Bastardos?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Para quem é fã de Game of Thrones e ao mesmo tempo estuda temas ligados à Guerra, Estratégia e Segurança Internacional, a “Batalha dos Bastardos” é um excelente exemplo para analisar como forças em desvantagem numérica e cometendo equívocos táticos vencem batalhas. Apesar do mistério sobre essa estranha relação causal se dever muito mais à pena de R. R. Martin, para fins didáticos, vale a pena fazer um exercício de análise estratégica sobre este evento fictício. Para tal, o texto a seguir apresenta de forma breve um conjunto de erros e acertos de ambos os comandantes militares engajados no conflito: Jon Snow (Stark) e Ramsay Bolton. Nossa principal linha de raciocínio é que o resultado da batalha, uma vitória estratégica de Snow, se deveu mais aos equívocos tát
O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular: a conduta operacional do neoterrorismo político religioso  (Parte I)

O Ato De Terror Como Estratégia De Guerra Irregular: a conduta operacional do neoterrorismo político religioso (Parte I)

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Terrorismo pensado em sentido amplo O Ocidente ainda está chocado com os  recentes atentados perpetrados com explosivos e armas automáticas contra civis concentrados em locais públicos na Europa e nos Estados Unidos. Diante do assombro provocado pela violência dos atos, a comunidade internacional busca novamente conceituar e discutir as causas e o modus operandi do terrorismo. Nenhum conceito formal ou categoria analítica é perfeitamente capaz de definir  com eficácia jurídica e sócio política toda a vasta gama de organizações e práticas de guerra irregular que constituem aquilo que ao longo da sucessão histórica pode ser chamado de terrorismo. A  exemplo do que fazem os principais serviços de segurança e do mundo na contemporaneidade, a Agência Brasileira
Pode o Brasil voltar a ser uma Potência?*

Pode o Brasil voltar a ser uma Potência?*

Andrés Malamud, Júlio César Cossio Rodriguez
Por Andrés Malamud** Júlio Cossio Rodriguez*** A época dos BRICS, IBSA e BASIC terminou. A letra B já não brilha. E as chances de reemergir poderiam acabar nas eliminatórias. “O Brasil é o país do futuro”, escreveu o otimista Stefan Zweig; “e sempre será”, respondiam jocosos os brasileiros. Justamente quando parecia que o futuro havia chegado, se cruzaram a Lava Jato e o Tchau Dilma. Será possível voltar a emergir depois de ter afundado? O Brasil depende de si, mas sobretudo dos outros. Quinto país do mundo em população e território, sexto em função do tamanho de sua economia e primeiro em participações em Copas do Mundo, o gigante latino-americano parecia imparável há uma década e hoje também. A ironia é que antes não parava de subir e hoje não para de cair. Como qualquer relação
O Engajamento Brasileiro na MINUSTAH e suas inovações*

O Engajamento Brasileiro na MINUSTAH e suas inovações*

Andrea Steiner, Danilo de Barros Rodrigues
Por Danilo de Barros Rodrigues** Andrea Steiner*** De 2004 a 2016 foram instituídas doze operações de paz da ONU, dentre as quais o Brasil contribuiu em dez. O maior destaque da participação nesse período é a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti – MINUSTAH. Instituída em 2004, ainda está ativa em 2016, em razão de uma grave crise política que assolou aquele país. O Brasil, ao enviar o maior contingente de tropas ao exterior desde a II Guerra Mundial (cerca de 1.200 homens), foi incumbido de liderar o braço militar da operação, que desde a criação da operação, alterna generais brasileiros na posição de comandante de força. Esse fato é algo histórico na ONU, pois o comando militar de uma operação nunca permaneceu por tanto tempo nas mãos de um mesmo país (GOMES, 2014).
Democracia e Integração Regional: o Controverso Papel da Comissão Europeia – Parte 2

Democracia e Integração Regional: o Controverso Papel da Comissão Europeia – Parte 2

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* A Comissão Européia é considerada uma das instituições mais importantes do sistema europeu, seja no processo decisório, pelo seu poder de iniciativa legislativa, seja em virtude do seu papel na implementação e monitoramento da política pública comunitária. No entanto, apesar dos mais de 60 anos de existência, poucos estudos empíricos já se dedicaram a traçar o perfil político-profissional dos membros da instituição e, por conseguinte, entender as dinâmicas que envolvem sua nomeação e posterior controle. Por sua vez, estas pesquisas indicam que a Comissão tem cada vez mais membros com um perfil mais político do que tecnocrático, em que os comissários apresentam uma larga experiência política, principalmente em cargos eletivos. Wonka (2004), a partir de dados do Munzi