Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Month: May 2016

Relações Internacionais, política internacional, política externa e política estrangeira: quais as diferenças de nomenclatura?

Relações Internacionais, política internacional, política externa e política estrangeira: quais as diferenças de nomenclatura?

Thales Castro
Por Thales Castro* No contexto de sala de aula e mesmo em foros específicos mais aprofundados, é comum, especialmente quando estamos ministrando uma disciplina teórico-introdutória da ciência das Relações Internacionais, deparamo-nos com as nomenclaturas básicas que são objetivo do título desta nossa reflexão. Neste sentido, o objetivo primordial de nossas considerações hoje é no sentido de diferenciar e esclarecer tais pontos, revelando, por seu turno, importantes análises sobre essas bases fundamentais do estudo temático da área internacional. Os termos “Relações Internacionais” e “política internacional”, muitas vezes com letras maiúsculas indicando nomes próprios ou não, são usados de maneira indiscriminadamente como sinônimos – e são efetivamente? A resposta é não. Primeiramente,
Vitória na guerra, condição para a paz: uma outra visão sobre o acordo de Paz Colombia-FARC

Vitória na guerra, condição para a paz: uma outra visão sobre o acordo de Paz Colombia-FARC

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Recentemente fiz uma palestra para o XIII Curso de Extensão em Defesa Nacional (Ministério da Defesa) sobre a questão do acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC. O primeiro estranhamento que tive ao ser convidado para proferir uma fala sobre o assunto consistiu na questão de como alguém que pensa a guerra poderia dissertar com isenção sobre a emergência da paz. Este primeiro inquietamento me fez voltar a algumas leituras sobre o bom e velho Clausewitz e textos sobre guerrilhas e insurgências. Se guerra é a continuação da política, nenhuma forma de guerrear é mais política do que a guerrilha. Optando por esta chave-explicativa desenvolvi o argumento que sintetizo abaixo. Após mais de 60 anos de guerra civil, o governo colombiano e as Forças Armadas
Eficácia institucional e o multilateralismo (2)

Eficácia institucional e o multilateralismo (2)

Irene Rodrigues Gois, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Irene Rodrigues Gois* Rodrigo Barros de Albuquerque** Segundo a perspectiva realista, instituições internacionais são meios utilizados pelos Estados para ampliar seus objetivos, reduzir seus custos e acelerar processos burocráticos. Por uma lógica liberal, todavia, elas são meios de cooperação entre os Estados para garantir que objetivos em comum sejam trabalhados de forma conjunta para que se beneficiem como um todo.  Mas de que forma, seja qual for a perspectiva, as instituições podem garantir que suas metas sejam atendidas de forma eficaz? Estariam esses aspectos dependentes da atuação dos Estados-membros, das suas jurisdições internas e interesses particulares ou ligadas ao processo burocrático da própria instituição? Partindo do pressuposto de que toda organização internaciona
Crime e Preconceito: as lições do Caso Dreyfus 122 anos depois

Crime e Preconceito: as lições do Caso Dreyfus 122 anos depois

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Quando ocorre uma denúncia de crime na mídia é normal que se espere uma revolta da população contra os que foram acusados. Geralmente, as pessoas desejam a imediata prisão dos culpados e a sua punição rápida. A comoção que move os indivíduos desperta paixões e um desejo de “vingança” muitas vezes aflora nas pessoas. Afinal, aquele indivíduo cometeu um ato delituoso que fere a moral estabelecida, a sociedade exige a seu castigo. Quando a condenação se consolida, o desejo manifesto na sociedade é atendido e, por consequência, há uma tendência de que as coisas voltem à normalidade. Todo julgamento deve proporcionar ao acusado ampla defesa e nem ser rápido demais que se revele sumário, nem muito lento que leve a uma prescrição.  E quando a justiça comete e
Poder Duro e Poder Brando na Política Internacional

Poder Duro e Poder Brando na Política Internacional

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* O estudo do poder, de seus usos e suas possíveis manifestações estão no centro das preocupações da Ciência Política. As derivações internacionais deste ficam a cargo da Política Internacional. Uma das concepções clássicas de poder é a definida por Robert Dahl (1957) e que foi amplamente difundida dentro da área. O poder então consistiria na capacidade que A tem de fazer com que B faça o que A quer. Os meios utilizados para isto são a força ou coerção e o incentivo, em outros termos, o bastão (stick) e a cenoura (carrot). Esta definição se aplica com mais frequência às formas de poder duro, às quais se refere Joseph S. Nye Jr (2002). O poder militar seria o bastão e o econômico a cenoura. Por outro lado, o poder brando ou soft consiste naquele poder não
Partidos políticos na Europa: quando o todo não é a soma das partes

Partidos políticos na Europa: quando o todo não é a soma das partes

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Mariana Meneses* Rodrigo Albuquerque** O princípio da proporcionalidade, que rege o sistema pelo qual os assentos no Parlamento Europeu são ocupados, garante representação diferenciada para cada um dos 28 países membros da União Europeia. Assim, os cinco países com maiores números de assentos no PE, a saber, Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Espanha, detêm 370 assentos, ou 49,27% do total (EUROPEAN PARLIAMENT, 2016). Tais assentos são designados a candidatos filiados ou não a partidos europeus, que, por sua vez, contêm partidos nacionais a eles ligados. A tabela a seguir ilustra o grau de representatividade dos partidos europeus, através do número de assentos conquistados nas eleições de 2009 e 2014: Fonte: EUROPARL Percebe-se que o Partido Popular Europeu esteve nos dois
O regional e o Global: o papel da integração regional para a Política Externa Brasileira diante das mudanças políticas domésticas

O regional e o Global: o papel da integração regional para a Política Externa Brasileira diante das mudanças políticas domésticas

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Um dos maiores óbices para PEB, a  crise política doméstica e a subsequente paralisia administrativa,  parece estar chegando ao seu termo. A despeito da grande polarização entre os grupos governistas e pró-impeachment,  o funcionamento das instituições e a aplicação das normas constitucionais em vigor conduziu ao afastamento temporário da presidente Rousseff, dando posse interina ao vice e ensejando um novo momento para a condução das relações exteriores do país . Em outro artigo, fizemos referência aos os desafios da PEB sob a administração que pode estar se findando precocemente, mostrando que ela se deparava com dificuldades domésticas e internacionais consideráveis. Um dos pontos mais relevantes dizia respeito ao “esvaziamento” da estratégia de hegemonia c
Idealismo e Realismo nas Relações Internacionais Contemporâneas: uma proposta de análise – Parte 2

Idealismo e Realismo nas Relações Internacionais Contemporâneas: uma proposta de análise – Parte 2

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Inspirados na obra de Carr, E.H., apresentamos, na primeira parte deste texto, uma proposta de discussão sobre a nova roupagem utópico-idealista presente nos discursos acadêmicos e políticos atuais e que se expressa, fundamentalmente, a partir das premissas da democracia neoliberal que marcou o final do século XX e os primeiros anos do XXI. Nesta segunda parte, analisamos, brevemente, a manutenção das premissas realistas que buscam reafirmar a imutabilidade estrutural das relações internacionais, pautadas, essencialmente, na securitização do mundo a partir das chamadas novas ameaças. Tal análise remonta à Maquiavel (2000) - ao mostrar que o interesse primeiro do Estado é a sua própria segurança e preservação - e se ancora também numa visão hobbesiana do esta
Democracia e Integração Regional: o Controverso Papel da Comissão Européia – parte 1

Democracia e Integração Regional: o Controverso Papel da Comissão Européia – parte 1

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* A crescente complexidade do processo decisório europeu, bem como seu arranjo institucional próprio, permite afirmar com segurança que a União Européia (UE) se configura como um caso sui generis na literatura, dificilmente comparável a outros fenômenos políticos presentes na realidade. Ao passo que não se caracteriza como uma confederação de Estados, tendo em vista que há áreas temáticas de competência exclusiva da União, a UE também não é uma federação aos moldes de um Estado-nação moderno, pois além de não ter uma Constituição formal, possui diversas matérias que ainda pertencem à jurisdição isolada dos governos nacionais. De fato, o grau de centralização decisória da UE é de difícil mensuração e pouco comparável a outros casos.  Ao lado do Conselho de Ministros e