Publicação mensal sobre Relações Internacionais

Página inicial do VOX MAGISTER

Month: March 2016

Para Pensar as Cartografias de Poder Geopolíticas

Para Pensar as Cartografias de Poder Geopolíticas

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Apesar de ser difícil encontrar a disciplina Geopolítica no currículo de cursos de graduação em Relações Internacionais no Brasil, a triade geografia/ história/ poder permeia tanto a imaginação do internacionalista como também várias análises da história e conjuntura internacional. Contudo, o alardeado processo de Globalização e a aceleração no desenvolvimento e difusão de tecnologias, civis e militares, faz parecer que o fruto da inventividade humana, seus produtos e processos, tenham subvertido o primado do espaço como componente fundamental da compreensão da realidade e do poder. Baseado nestes breves apontamentos, este ensaio enseja, de forma simples e clara, apresentar ao internacionalista a relevância de pensar Geopolítica, de incoporar à análise a dimen
Entre o código de barras e a miséria humana: uma nova apologia*

Entre o código de barras e a miséria humana: uma nova apologia*

Thales Castro
Por Thales Castro** As placas tectônicas do terrorismo trazem abalos sísmicos profundos na superfície idealizada e fragmentada do ser humano pós-moderno. O universo político imaginado encontra-se hoje em uma antítese, em um paradoxo quixotesco que vem corroendo o lento processo de trajetória filosófica humana desde o iluminismo dos enciclopedistas franceses e das contribuições jusfilóficas kantianas. A corrosão é fatídica e infalível... Este é tempo de antítese, de anticlímax figurado em volatilidade do sangue derramado do sorrateiro ato terrorista que ceifa a vida de “alvos não-combatentes” (sic). Com a alma fragmentada, o sujeito cognoscente é paquerado por perigosas soluções messiânicas, demagógicas e populistas para os males e insegurança de nosso tempo. Vivemos na era da escassez
Dois momentos de uma nação

Dois momentos de uma nação

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* A expansão das oportunidades nas economias negras da África do Sul, durante a Segunda Guerra Mundial, impeliu os receosos indivíduos brancos no país a eleger o governo do Partido Nacional, cuja tarefa era a de implementar uma forma de segregação racial chamada de apartheid. O sistema foi construído através de legislações anteriores e de discriminação, tendo sido desenvolvido nos anos 1950 por meio de uma série de leis, como o “Population Registration Act”. O “Population Registration Act” caracterizou todos os grupos sul-africanos num número de identidades raciais através do “Group Areas Act”, que definia onde cada grupo deveria viver. Posteriormente, o “Bantu Authorities Act” dividiu a maioria negra em grupos étnicos que foram delegados para áreas pequ
As Potências no Sistema Internacional: as potências médias!

As Potências no Sistema Internacional: as potências médias!

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* O conceito de potência média foi muito utilizado por analistas de relações internacionais durante o século XX, em especial, durante a guerra fria. Referia-se àqueles atores internacionais que se adaptavam ao sistema bipolar articulando interesses de um dos grandes polos. O ponto fundamental para definir uma potência média seria a relação que teria com uma grande potência, pois valeriam mais pela aliança com as grandes potências do que pelo potencial dano que poderiam causar aos atores com maior poder. Martin Wight (2002, p.49) definiu bem esta relação entre as grandes e as médias: uma potência média é uma potência com poderio militar, recursos e posição estratégica de tal ordem que em tempos de paz as grandes potências desejam ter seu apoio. Em tem
Aspectos jurídicos da integração regional

Aspectos jurídicos da integração regional

Eugênia Barza
 Por Eugênia Barza* Na análise do processo de integração regional alguns aspectos devem ser ponderados e algumas afirmações revistas de modo a compreender que os obstáculos para a construção de um sistema regional nem sempre decorrem de questões meramente econômicas. A competência legislativa para criação de normas, a matéria das normas regionais e a efetividade das normas regionais são principais aspectos de uma reflexão jurídica sobre o processo de integração. No que diz respeito à competência legislativa das instâncias internacionais para criar normas específicas, mesmo diante do compromisso dos Estados de promover uma estreita cooperação para criar regras comuns, na prática, as regras nacionais dispondo sobre a matéria tendem a prevalecer em detrimento das estabelecidas em âmbitos
O Papel das Potências Regionais Emergentes No Sistema Global

O Papel das Potências Regionais Emergentes No Sistema Global

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* A segunda metade dos anos 1980 testemunhou a redefinição do panorama geoestratégico internacional ensejada pelo desmantelamento do bloco soviético e do fim do conflito bipolar.  Esse mesmo período é marcado pelo inicio da recuperação da crise econômica pela qual passavam os países ocidentais que havia sido deflagrada na década anterior em consequência do choque do petróleo de 1973. O próprio perfil da economia mundial começou a se redefinir nessa mesma época em função do aprofundamento interdependência econômica que gerou os fluxos integrados de capital e investimento em escala mundial (Chesnais, 1996 ). Todos esses processos ganharam maior sentido e propriedade mediante a revolução de tempo e espaço gerada pelo desenvolvimento da moderna tecnologia de informaç
The industrialization mirage: politicians’ and experts’ heads are stuck in the manufacturing sands

The industrialization mirage: politicians’ and experts’ heads are stuck in the manufacturing sands

Jean Daudelin
Por Jean Daudelin* Try to forget industrialization: it's essentially over and it won't happen again. The challenge is to grow rich and not too unequal with service economies. From Nigeria, Brazil and India, to Canada, France and the United States, the discussion of the future of economic growth is obsessed with industrialization. Everybody wants a share of the shrinking pot of manufacturing jobs. In Brazil, the private sector and the opposition, in the now rare instances when they discuss policy, complain that the government hasn't been able to stop the dis-industrialization that has plagued Brazil essentially since the election of Collor de Melo. Obviously, they are right—about this government, Lula's and Cardoso's too: the proportion of industrial value added in Brazil's GDP, which h
O Dilema da Democratização da Política Externa Brasileira – Parte 2

O Dilema da Democratização da Política Externa Brasileira – Parte 2

Cinthia Campos
Por Cinthia Campos* No último artigo, primeira parte da discussão aqui proposta, tratou-se das variáveis teorico-empíricas a serem consideradas na análise de política externa. Avalia-se que com o fim da Guerra Fria, tem crescido o papel da sociedade na concepção da política externa, em virtude da própria reconfiguração do cenário mundial e do aumento da importância da estabilidade econômica. A multiplicidade de atores, o reforço do ideal democrático liberal acompanhado do fim das ditaduras na nações latino-americanas contribuiu para a literatura especializada nacional voltar-se para as principais instituições envolvidas nesse processo. De uma forma geral, investiga-se o grau de participação tanto das elites sociais quanto dos demais atores político-institucionais na agenda de política
As maquiladoras no Mercosul: um obstáculo à integração econômica?*

As maquiladoras no Mercosul: um obstáculo à integração econômica?*

Andrea Steiner, Gabriel Melo de Figueiredo
Por Gabriel Melo de Figueiredo** Andrea Steiner*** Como o seu próprio nome já sinaliza, o Mercado Comum do Sul, ou Mercosul, almeja ser um mercado comum. Na definição do governo brasileiro, um mercado comum é “um processo bastante avançado de integração econômica, garantindo-se a livre circulação de pessoas, bens, serviços e capitais [...] e pressupõem-se a coordenação de políticas macroeconômicas, devendo todos os países-membros seguir os mesmos parâmetros para fixar taxas de juros e de câmbio e para definir políticas fiscais”. No entanto, o bloco não chegou a se desenvolver plenamente a ponto de ser um mercado comum, e é considerado apenas como uma união aduaneira imperfeita. A imperfeição se dá pelo fato de que a tarifa externa comum (TEC) do bloco possui várias exceções para os pa
Relações Internacionais: teorias para quê?

Relações Internacionais: teorias para quê?

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Teorias para quê? À primeira vista, a pergunta parece simplória, desnecessária, gerando, aparentemente, respostas óbvias e certeiras. Entretanto, esta indagação tem acompanhado as pesquisas em diversas áreas das Ciências Humanas e, mais especificamente, os estudos dos fenômenos internacionais. Conforme afirma Bedin (2000, p.62), uma teoria das relações internacionais é “uma visão, uma interpretação, uma perspectiva dos fenômenos internacionais ou mundiais, amparada em algum método, cuja pretensão é explicar e dar sentido para os fatos que estão se desenrolando no cenário internacional.” De um modo geral, podemos demonstrar a importância da teoria a partir de três pontos, a saber: o necessário ordenamento racional da realidade, a análise do objeto para além d