Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Month: January 2016

O Método Histórico-Comparativo e a Matemática!

O Método Histórico-Comparativo e a Matemática!

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez* Como demonstrado nas postagens anteriores (Em defesa do Método Histórico Comparativo (MHC); O Process Tracing e o teste de hipóteses) , o MHC passa por uma recuperação dentro das ciências sociais. Uma das mudanças realizadas pelos autores que operam a atualização deste método é a defesa do uso de diagramas para a representação gráfica das relações causais. A sua utilização se faz necessária devido a uma das fraquezas desta metodologia, ou seja, o difícil entendimento das condições e de suas relações por meio do texto escrito. Desta forma, não é tarefa fácil para os leitores dos textos que se valem deste método a compreensão de, por exemplo, como se relacionam as diferentes condições INUS de um determinado resultado. Assim, autores como James Mahoney e R
As contribuições teórico-metodológicas da análise de política externa contemporânea

As contribuições teórico-metodológicas da análise de política externa contemporânea

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* A Primeira metade dos anos 1990 representou um momento crítico para a Análise de Política Externa enquanto domínio específico de disciplinas acadêmicas como a Ciência Política e as Relações Internacionais. As redefinições pelas quais o cenário internacional e a comunidade acadêmica passam no final do século XX geram a necessidade de adequar o estudo da Política Externa a uma nova construção contextual. Diante de intensas e dinâmicas transformações do sistema político mundial e da emergência de novos paradigmas analíticos, os analistas de Política Externa se viram obrigados a rever seus pressupostos, promovendo uma atualização das categorias analíticas amiúde empregadas e criando novas ferramentas explicativas. Sobretudo, os pesquisadores da área se viram diante
Como estudar gênero em RI?

Como estudar gênero em RI?

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Mariana Meneses* Rodrigo Albuquerque** Em texto anterior, defendemos a incorporação da análise feminista à disciplina de Relações Internacionais enquanto necessária dentro do processo de empoderamento feminino. Uma leitora convencida de tal importância pode, contudo, indagar: mas e como fazê-lo? Pretendemos, portanto, com o presente texto, elucidar algumas formas de como inserir perspectivas sensíveis ao gênero nos estudos da área. Em primeiro lugar, faz-se necessário esclarecer que em RI e de maneira geral não existe um feminismo uno ou singular. É por isso que diversos trabalhos (são exemplos: CERQUEIRA, 2011; COSTA, 2013; MONTE, 2013; TICKNER, 1997) se referem comumente aos ‘feminismos’, no plural. Essa pluralidade deriva da impossibilidade em agrupar em um mesmo feminismo dema
Importância e Novos Questionamentos sobre o Estudo da Ciência das Relações Internacionais em Tempos de Perplexidades e Assimetrias

Importância e Novos Questionamentos sobre o Estudo da Ciência das Relações Internacionais em Tempos de Perplexidades e Assimetrias

Thales Castro
Por Thales Castro* Fato observado recorrentemente no estudo das Relações Internacionais é a maior proximidade da interação dos vários atores internacionais. Neste sentido, atualmente observa-se, em consequência desse fato, a tendência de maior densidade destas relações, ora abertas e fechadas, ora pacíficas e conflituosas[1], com suas regras institucionalizadas implícita e explicitamente. Formando, assim, a ampla moldura do macroambiente nas diversas conceituações como “cenário”, “sistema”, “sociedade” ou “comunidade internacional”, o processamento dos meios e dos fins dos fenômenos complexos no “mundo mundo vasto mundo” (Drummond)[2] ou na “economia-mundo” (Wallerstein)[3] se torna bastante útil como ponto de partida deste nosso breve comentário. Os meios e os fins das várias manifesta
Theory and real foreign policy (1): the problem

Theory and real foreign policy (1): the problem

Jean Daudelin
Por Jean Daudelin* [This is the first of two posts. Here, I introduce what I consider to be a central problem of contemporary IR, namely its relevance for policy. In a second one, I will outline the basic conditions for that relevance to be enhanced, and give an example with the current crisis in the Middle East as an illustration] There are more trained specialists in international relations today than ever before. Every university of some standing in the whole world has at least one program on global, international or world affairs or relations. The number of journals, scholarly books and academic articles available is overwhelming and new ones are popping up all the time. Conferences, workshops and e-talks can easily fill anybody's agenda. And yet, when I look at the policy discussi...
As diferenças entre Armas Leves (SALW) e os Grandes Sistemas de Armas (MWS)

As diferenças entre Armas Leves (SALW) e os Grandes Sistemas de Armas (MWS)

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* A terminologia “transferência de armas” descreve a movimentação de armas de um país para outro, de sistemas de armas, munição e equipamentos de apoio tático. Tais transferências são normalmente realizadas em um acordo comercial, ou seja, através da venda de armas com pagamento em dinheiro, mas às vezes elas são fornecidas gratuitamente através dos diversos canais de assistência militar. Além dessas transferências, que são evidentes, as quais são sancionadas pelos estados supridores (vendedores) entre os receptores (compradores), existe também um importante mercado negro para insurgentes, grupos separatistas e outras formações paramilitares. Toda transferência internacional de armas é um vasto composto de transações individuais entre países fornecedore
O estudo da difusão de políticas e o papel das organizações internacionais

O estudo da difusão de políticas e o papel das organizações internacionais

Andrea Steiner, Bruna Bezerra Oliveira
Por Bruna Bezerra Oliveira* Andrea Steiner** Não é de hoje que pesquisadores da ciência política e relações internacionais questionam como as políticas se difundem. Segundo Simmons et al. (2006), a chamada policy diffusion, ou difusão das políticas, ocorre quando as decisões relativas a certas políticas tomadas em dada jurisdição são sistematicamente condicionadas por escolhas tomadas previamente em outra jurisdição. As pesquisas que vêm sendo realizadas nesta área mostram que a difusão de políticas pode ocorrer entre vários tipos de unidades e de atores, bem como em diversas direções. Ademais, vários tópicos vêm sendo abordados, utilizando metodologias diversas. Graham et al. (2013) dividem os estudos de difusão em quatro categorias: 1) política americana; 2) política comparada; 3) r
As origens da integração jurídica na América Latina

As origens da integração jurídica na América Latina

Eugênia Barza
 Por Eugênia Barza* Os estudos sobre integração geralmente se centram em aspectos econômicos e políticos, havendo certa lacuna nas apreciações de aspectos jurídicos. Assim sendo, a proposta é esclarecer as origens da integração jurídica latino-americana e a importância do pan-americanismo no continente americano. O pan-americanismo é um termo que remete à solidariedade regional e às iniciativas de Bolívar, convocando nações latino-americanas recém-emancipadas para participar de reuniões periódicas nas quais seriam discutidas e aprovadas algumas normativas do que seria um sistema jurídico regional. As reuniões foram registradas e o Primeiro Congresso Pan-Americano ocorreu no Panamá, em 1826, mais para trato de questões políticas, rendendo resultados jurídicos em acordos sobre comércio r
Como Melhorar a Qualidade das Inferências nos Estudos de Caso em Relações Internacionais?

Como Melhorar a Qualidade das Inferências nos Estudos de Caso em Relações Internacionais?

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.* Seja pelo baixo apreço por métodos quantitativos em Relações Internacionais no Brasil ou pela predileção por explorar complexas cadeias causais, os Estudos de Caso podem ser uma poderosa ferramenta de pesquisa[1]. Apesar de ser um desenho de pesquisa cada vez mais relevante, dotado de uma expressiva literatura que o discute, tradicionalmente apresenta limites clássicos, em particular no que tange à qualidade ou força de suas inferências. Dito de uma forma simples, inferir é dizer algo sobre o que não se conhece a partir do que é conhecido. Desta forma, toda inferência pressupõe um grau de incerteza e possibilidade de falseamento. Na prática, o labor científico é feito da produção de inferências sobre a realidade, no nosso caso, internacional.  Possibilidades d
Hegemonia e Pós-Hegemonia na Integração Regional Latino-Americana Parte 2 – O modelo pós-hegemônico

Hegemonia e Pós-Hegemonia na Integração Regional Latino-Americana Parte 2 – O modelo pós-hegemônico

Israel Roberto Barnabé
Por Israel Roberto Barnabé* Dando continuidade ao texto anterior, apresento aqui uma breve discussão sobre a superação do modelo único de integração regional (hegemônico/liberal), analisando os movimentos integracionistas mais recentes da região. A subida ao poder de lideranças de centro-esquerda em diversos países da região no início do século XXI ampliou o questionamento às premissas neoliberais que caracterizaram as políticas nacionais e regionais desses países nos anos anteriores e recolocou a questão sobre os processos de integração – o que possibilitou a constituição de experiências integracionistas diferentes do padrão hegemônico que vigorara na região até então. Os avanços institucionais do Mercosul procurando superar o perfil comercial/econômico que marcou sua origem, as discu