Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Month: December 2015

Recesso.

Vox Magister
Com o final do ano, é tempo de fechar as portas para descansar um pouco e retornar com força total. Nossa última postagem desse ano foi realizada hoje. Voltaremos no dia 11 de Janeiro de 2016, com novos e instigantes textos, como tem sido nossa prática. Assine nosso blog para receber as atualizações direto no seu e-mail!
A produção científica em Relações Internacionais: da necessidade inclusiva de novas democratizações

A produção científica em Relações Internacionais: da necessidade inclusiva de novas democratizações

Thales Castro
Por Thales Castro* A ciência das Relações Internacionais tem forte herança histórico-acadêmica do mundo anglo-saxão. Originária dos chamados “países centrais”, na concepção de Immanuel Wallerstein de sistema-mundo, a ciência das Relações Internacionais – ou mais simples e diretamente chamada de política internacional por Kenneth Waltz – muitas vezes reproduz os mesmos vícios e assimetrias encontrados nas dinâmicas sociais microssistêmicas, revelando, com gravidade, situações de subalternidade, de forçada pequenez e de menosprezo pelas ricas produções acadêmicas e intelectuais da periferia ou da semiperiferia. Antes de tecermos algumas considerações mais detalhadas, convém explicitar que, como todo objeto gnosiológico humano, o conceito tricotômico centro-semiperiferia-periferia de Waller
Animação Suspensa: limites e possibilidades da Política Externa Brasileira no governo Rousseff

Animação Suspensa: limites e possibilidades da Política Externa Brasileira no governo Rousseff

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Em trabalho de grande influência que analisa a política exterior dos presidentes Fernando Henrique e Lula da Silva em perspectiva comparada, Vigevani e Cepaluni (2011) sustentam que, nos seus aspectos mais fundamentais, a administração Lula não promoveu um afastamento da ideia chave de instrumentalizar a política externa, tendo em vista o desenvolvimento econômico, bem como a preservação da autonomia do país. Assim, para os autores, não aconteceu uma ruptura de paradigmas históricos da PEB durante a transição Cardoso/Lula. O governo Dilma se identifica menos com essa lógica de conservação da estratégia de inserção internacional do que seus dois antecessores. Não que as linhas mestras da PEB tenham se perdido. Mas é possível identificar a falta de prioridades cl
A aversão ao feminismo em RI e o desconforto que temos em relacionar mulher a poder*

A aversão ao feminismo em RI e o desconforto que temos em relacionar mulher a poder*

Mariana Meneses, Rodrigo Barros de Albuquerque
Por Mariana Meneses** Rodrigo Barros de Albuquerque*** “Toda teoria é sempre para alguém e com algum propósito” (COX, 1981). A disciplina de Relações Internacionais nasceu e se consolidou debruçada sobre a esfera pública, historicamente dominada por homens. Parece ser senso comum para a maioria dos acadêmicos de RI que o estudo da política internacional necessariamente compreende o estudo de Estados unitários ou da economia mundial. Mas o que acontece quando se propõe a análise de questões internacionais sob a perspectiva do indivíduo, ou do ponto de vista de Estados marginalizados, ou focando em grupos minoritários e oprimidos? De maneira geral, teorias que fogem à regra ao questionarem conceitos clássicos das RI, como poder e Estado, e desafiam de alguma maneira o status quo são rej
A guerra do Iêmen e o papel da Arábia Saudita

A guerra do Iêmen e o papel da Arábia Saudita

Antonio Henrique Lucena Silva
Por Antonio Henrique Lucena Silva* As negociações de paz para por fim ao conflito no Iêmen iniciadas há cinco dias, em Berna, Suíça, serão retomadas em 14 de janeiro do próximo ano. Não houve consenso entre as partes para se chegar a um acordo. Os combates se intensificaram na província de Jawf, na fronteira com a Arábia Saudita, entre as forças apoiadas por Riad e os rebeldes xiitas houthis. Desde março a Real Força Aérea Saudita têm realizado bombardeios tanto na capital do Iêmen, Sana’a, como no interior do país. Segundo a ONU, a guerra já deixou 6.000 mortos e 28.000 feridos. Nomeada inicialmente de “Operação Tempestade Decisiva” a campanha militar saudita ainda não levou, ironicamente, a uma definição da guerra. Os houthis já travaram seis guerras contra o governo desde 2004 e obti
Brexit?

Brexit?

Marcelo de Almeida Medeiros
Por Marcelo de Almeida Medeiros* O Reino Unido é um dos membros mais importantes entre os vinte e oito que compõem a União Europeia (UE) hoje. Apesar dessa condição, o atual Primeiro Ministro britânico, David Cameron, em sua campanha eleitoral, engajou-se, junto aos súditos de Sua Majestade Elizabeth II, a efetuar um referendum até o final de 2017. Tal referendum pretende indagar sobre se vale a pena ou não permanecer como parte desse projeto político europeu iniciado com o Tratado de Roma em 1957. É verdade que o euroceticismo de Londres é antigo. O Reino Unido não é membro fundador da UE, tendo por vários anos capitaneado um outro projeto de regionalização bem menos ambicioso em termos políticos, ancorado essencialmente em uma lógica de livre comércio. Tratava-se do European Free Tra
O Process Tracing e o teste de hipóteses*

O Process Tracing e o teste de hipóteses*

Júlio César Cossio Rodriguez
Por Júlio César Cossio Rodriguez** A postagem anterior no blog fez a defesa inicial da aplicação nas RI do Método Histórico-Comparativo (MHC). Para isto, tratou de demonstrar quais são os passos iniciais para a sua aplicação. Nesta postagem aborda-se um dos instrumentos principais do MHC: o mapeamento de processos ou process tracing. Este serve, segundo David Collier (2011), para identificar a partir de rastros de evidências, principalmente históricas, uma sequência lógica de eventos, suas causas e quais são os mecanismos que ligam as causas encontradas aos resultados. Portanto, é um instrumento muito utilizado por acadêmicos que sustentam seus argumentos em evidências históricas. Outro aspecto central deste instrumento é que ele permite o teste das hipóteses causais do trabalho. Na lit
Mandado de Jacarta: um instrumento internacional para a conservação da biodiversidade marinha*

Mandado de Jacarta: um instrumento internacional para a conservação da biodiversidade marinha*

Andrea Steiner
Por Andrea Steiner** Os problemas ambientais comumente transpõem fronteiras políticas e por este motivo constituem um tópico extremamente relevante dentro das relações internacionais. A biodiversidade marinha é um exemplo claro disso. Atualmente existem vários acordos que lidam direta ou indiretamente com este tema, entre os quais a Convenção sobre Direito do Mar, a Convenção de Ramsar sobre Áreas Úmidas, a Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES), a Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) e diversos outros tratados globais, bilaterais e regionais. Adotada em 1993 com o objetivo de conservar a diversidade biológica do planeta e promover o uso sustentável e equitativo dos seus componentes, dois pontos podem ser de
De Alderaan a Endor: como entender a insurgência a partir de Star Wars?*

De Alderaan a Endor: como entender a insurgência a partir de Star Wars?*

Augusto W. M. Teixeira Júnior
Por Augusto Teixeira Jr.** Creio ser difícil encontrar um internacionalista ou estudioso de política internacional que nunca tenha assistido Star Wars. Em tempos de Estado Islâmico, observamos a continuidade das guerrilhas e insurgências como desafios constantes para a segurança internacional. Desta forma, no ano em que a saga será retomada para mais uma trilogia, vale a pena pensar como os acontecimentos daquela galáxia muito distante podem ser elucidativos de problemas contemporâneos nos quais a guerra é assunto central. Antes de lembrar os sabres de luz, das naves pomposas e das tramas emocionais, a saga acontece no contexto de um longo conflito. Tal como a Força, a guerra é uma das constantes em Star Wars. Uma das primeiras perguntas que o estudioso de defesa e segurança faz quando
Is Argentina back on the world’s map?

Is Argentina back on the world’s map?

Jean Daudelin
Por Jean Daudelin* Argentina has the second largest economy of South America (after Brazil), its third largest population (after Brazil and Colombia) and, in spite of all the problems of recent years, the region's second highest GDP (PPP) per capita (after Chile). It’s a huge country whose agricultural potential and agro-business productivity are phenomenal, it has large reserves of gas and, for almost a century and in spite of recent difficulties, it has boasted one of the best educated population of the continent. And yet, it has had no significant international or even regional presence or influence for at least 50 years. During that period, with brutally authoritarian or utterly dysfunctional democratic political systems, inconsistent public policies, and one of the world's most vol