Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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Qual seria o caminho a ser trilhado por uma Catalunha independente?

Qual seria o caminho a ser trilhado por uma Catalunha independente?

Matheus Leite do Nascimento
Por Matheus Leite do Nascimento* Nas últimas semanas, as crescentes tensões entre as representações separatistas catalãs e o governo espanhol têm ganhado atenção do mundo e levantado debates acerca do desfecho que tal cenário terá para o futuro do Estado espanhol e da Europa como um todo. No último dia 27 de outubro, a intransigência dos independentistas catalães atingiu seu ápice ao declararem unilateralmente a independência da região, apesar da ação não contar com o reconhecimento legal da Constituição espanhola. Em resposta, o governo espanhol acionaria o artigo 155 da mesma, implicando na remoção do presidente catalão (Carles Puigdemont) e suspensão dos poderes do Parlamento da Catalunha, ao restringir as atividades políticas da comunidade autônoma. O acirramento das disputas polít
Os obstáculos da Integração Sul-americana na Política Externa Brasileira Contemporânea (Parte I)

Os obstáculos da Integração Sul-americana na Política Externa Brasileira Contemporânea (Parte I)

Elton Gomes dos Reis
Por Elton Gomes dos Reis* Introdução A literatura acadêmica sobre a Política Externa Brasileira (PEB) (VIGEVANI;CEPALUNI,2011) entende que a grande temática da continuidade e ruptura da Política Externa Brasileira através das distintas lógicas de autonomia que nortearam Fernando Henrique Cardoso (FHC) e Lula na condução das relações exteriores. Segundo eles, enquanto o governo FHC foi caracterizado pela autonomia pela participação, Lula adotou a estratégia de autonomia pela diversificação. A análise do comportamento estratégico do Brasil no que concerne à condução da política externa. Discute-se a opção multilateralista de participação nos regimes internacionais adotada por FHC, assim como analisam suas mudanças no governo Lula.  Os autores concluem que enfrentando momentos críticos p
A política externa e a política de defesa da Rússia: assertividade, geopolítica e instrumentos coercitivos

A política externa e a política de defesa da Rússia: assertividade, geopolítica e instrumentos coercitivos

Antonio Henrique Lucena Silva, Heviane Santana de Lima
Por Antonio Henrique Lucena Silva* Heviane Santana de Lima** A Rússia está passando por um processo de busca de reafirmação do seu poder, principalmente na Eurásia. Com o fim da União Soviética em 1991, o país perdeu o controle imperial sobre o resto da região. A área formada pelos Estados satélites, como os componentes da sua esfera de influência durante a Guerra Fria, mudou imediatamente para um complexo europeu, assim como os três Estados bálticos da Estônia, Lituânia e Letônia. A Federação Russa, ao longo dos anos 1990, era um dos países mais fortes dos restantes 12 novos independentes Estados soviéticos, embora com um forte declínio durante esse período. As estratégias que a Rússia atual promove buscando a restauração e seu equilíbrio no sistema internacional é estruturada ge

O déficit democrático europeu: a atuação parlamentar e a promoção da identidade europeia (2)

Irene Rodrigues Gois
Por Irene Rodrigues* Desde o tratado de Maastricht, em 1992, que resultou em um maior aprofundamento do processo de integração na União Europeia, começaram os debates em função do déficit democrático. A questão em foco era como garantir a participação geral de todos os Estados membros e que não houvessem disparidade representativas entre os antigos membros e os membros ingressantes, assim como entre os países mais poderosos e os mais fracos. Questionava-se em função do pouco entendimento sobre os processos de decisão política que os cidadãos possuem, mostrados através dos referendos negativos, recusando inúmeros projetos introduzidos pela União que foram reelegidos por voto popular, significando uma discrepância de interesses entre os cidadãos Europeus e a EU, como o Tratado de Nice na
O déficit democrático europeu: a atuação parlamentar e a promoção da identidade europeia (1)

O déficit democrático europeu: a atuação parlamentar e a promoção da identidade europeia (1)

Irene Rodrigues Gois
Por Irene Rodrigues* A União Europeia, ao consolidar-se como um processo de integração fundou suas bases em uma democracia que defendia o princípio de que seus Estados eram livres para desempenhar e planejar seus governos de acordo com seus desejos. E, logo, para garantir um melhor funcionamento, em função das divergências que eram constituídos, o bloco procurou firmar suas características em princípios como participação política, accountability, transparência e igualdade. Essas características, portanto, seriam levadas em conta ao implementar e monitorar políticas e programas, adotando a representação como forma de equilibrar as diferentes características unitárias de cada membro. O princípio da subsidiariedade[1] e a redução das desigualdades, logo, mostram-se como aspectos essenciais
Coreia do Norte e a administração Trump – cenários de crise

Coreia do Norte e a administração Trump – cenários de crise

Carlos Eduardo Valle Rosa
Por Carlos Eduardo Valle Rosa* Em 26 de setembro de 2017, a Universidade Potiguar, em Natal-RN, promoveu a II Semana de Relações Internacionais e Comércio Exterior, na qual esta comunicação foi apresentada na Mesa-Redonda “O que esperar do Governo de Donald Trump?”. O artigo é uma síntese da apresentação e aborda os principais cenários futuros da crise na Península Coreana. Um importante analista de cenários, Michel Godet, professor por 32 anos no Conservatório Nacional de Artes e Negócios, na França, onde atuou na disciplina de Prospecção Estratégica, afirmou que “Todos os que pretendem predizer ou prever o futuro são impostores, pois o futuro não está escrito em parte alguma, ele está por fazer.” (GODET; ROUBELAT, 1996, p. 164). A intenção não é realizar um exercício de futurologia,
O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e a soberania nacional

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e a soberania nacional

Débora C. S. Araújo, Gills Vilar-Lopes
Por Gills Vilar-Lopes* Débora C. S. Araújo** Lançado em maio último (CRAIDE, 2017a), o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) foi concebido pelo governo brasileiro para atender a demandas telecomunicacionais relativas a políticas públicas e necessidades estratégicas – na seara da Segurança Pública e, sobretudo, da Defesa Nacional –, bem como comerciais. Trata-se, portanto, de artefato imprescindível para garantir a vigilância do território nacional e promover comunicações estratégicas em locais de difícil acesso. Todavia, diante de tal possibilidade pioneira, já se debate a possiblidade de privatizar quase 60% da capacidade civil disponível no satélite, devido ao atual momento de crise. Diante disso, o presente texto reforça a importância de se manter o
BRICS e o Futuro da Ordem Global: uma palestra de Oliver Stuenkel

BRICS e o Futuro da Ordem Global: uma palestra de Oliver Stuenkel

Ian Rebouças Batista, Rafael de Moraes Baldrighi
Relato por Ian Rebouças Batista* Rafael de Moraes Baldrighi** Na oportunidade do IV Seminário Internacional de Relações Internacionais (SIRI), realizado em junho na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Oliver Stuenkel ministrou uma palestra de lançamento de seu mais novo livro, “BRICS e o Futuro da Ordem Global” (Editora Paz e Terra, 2017). Este texto busca relatar os principais pontos levantados pelo autor durante sua fala, que introduz a temática encontrada no livro. Cumprindo a função de primeira grande publicação que trata exclusivamente dos BRICS, a discussão do livro, para além de apresentar o histórico de aproximação e de formação do grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, foca nas perspectivas futuras para o bloco em uma conjuntura pós década de bonan
Países em desenvolvimento como origem dos fluxos de investimento estrangeiro direto

Países em desenvolvimento como origem dos fluxos de investimento estrangeiro direto

Rafael Lima Santos
Por Rafael Lima Santos* François Chesnais (1996) adverte que o fenômeno dos investimentos externos não deve ser interpretado como recente: teóricos do imperialismo, ao analisarem a economia mundial como conjunto de relações moldadas pelo capital, já no início do século XX, consideravam a exportação de capitais em suas análises. Segundo o autor, a partir da Segunda Guerra Mundial, com o aumento quantitativo dos investimentos – como é possível observar no gráfico abaixo –ocorre uma tomada de consciência sobre a necessidade de se estudar o fenômeno e suas consequências. Baseando-se nesta afirmação, adota-se os anos 1950 como ponto de partida para um panorama histórico do Investimento Estrangeiro Direto (IED) em escala mundial, destacando o papel dos países em desenvolvimento como origem do
A evolução dos sistemas defesas antimísseis: um desafio a ser ultrapassado

A evolução dos sistemas defesas antimísseis: um desafio a ser ultrapassado

Marco Tulio Delgobbo Freitas, Renato Prado Kloss
Por Marco Tulio Delgobbo Freitas* Renato Prado Kloss** Com os recentes avanços do programa norte-coreano nuclear e a ameaça de seu líder Kim Jong-un, o mundo revive os dias de tensão da Crise de Mísseis de Cuba em 1962. A possibilidade de um ataque nuclear por meio de mísseis balísticos ainda é duvidosa, mas, no campo da ameaça – dissuasão – a guerra já começou. Mas, não há desespero, não devemos apertar os cintos, pois o piloto não sumiu. Hoje, estamos em uma etapa que mais parece um jogo complexo de xadrez, em que ambos lados, mostram suas armas. De um lado o míssil de Kim e de outro, um sistema de defesa que não é recente e tem uma longa trajetória. Como Sistema Antimísseis Balísticos funciona? Mísseis balísticos podem ser lançados a partir de uma variedade de plataformas, incluin