Publicação mensal sobre Relações Internacionais

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O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e a soberania nacional

O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) e a soberania nacional

Débora C. S. Araújo, Gills Vilar-Lopes
Por Gills Vilar-Lopes* Débora C. S. Araújo** Lançado em maio último (CRAIDE, 2017a), o Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC) foi concebido pelo governo brasileiro para atender a demandas telecomunicacionais relativas a políticas públicas e necessidades estratégicas – na seara da Segurança Pública e, sobretudo, da Defesa Nacional –, bem como comerciais. Trata-se, portanto, de artefato imprescindível para garantir a vigilância do território nacional e promover comunicações estratégicas em locais de difícil acesso. Todavia, diante de tal possibilidade pioneira, já se debate a possiblidade de privatizar quase 60% da capacidade civil disponível no satélite, devido ao atual momento de crise. Diante disso, o presente texto reforça a importância de se manter o
BRICS e o Futuro da Ordem Global: uma palestra de Oliver Stuenkel

BRICS e o Futuro da Ordem Global: uma palestra de Oliver Stuenkel

Ian Rebouças Batista, Rafael de Moraes Baldrighi
Relato por Ian Rebouças Batista* Rafael de Moraes Baldrighi** Na oportunidade do IV Seminário Internacional de Relações Internacionais (SIRI), realizado em junho na Universidade Federal de Sergipe (UFS), Oliver Stuenkel ministrou uma palestra de lançamento de seu mais novo livro, “BRICS e o Futuro da Ordem Global” (Editora Paz e Terra, 2017). Este texto busca relatar os principais pontos levantados pelo autor durante sua fala, que introduz a temática encontrada no livro. Cumprindo a função de primeira grande publicação que trata exclusivamente dos BRICS, a discussão do livro, para além de apresentar o histórico de aproximação e de formação do grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, foca nas perspectivas futuras para o bloco em uma conjuntura pós década de bonan
Países em desenvolvimento como origem dos fluxos de investimento estrangeiro direto

Países em desenvolvimento como origem dos fluxos de investimento estrangeiro direto

Rafael Lima Santos
Por Rafael Lima Santos* François Chesnais (1996) adverte que o fenômeno dos investimentos externos não deve ser interpretado como recente: teóricos do imperialismo, ao analisarem a economia mundial como conjunto de relações moldadas pelo capital, já no início do século XX, consideravam a exportação de capitais em suas análises. Segundo o autor, a partir da Segunda Guerra Mundial, com o aumento quantitativo dos investimentos – como é possível observar no gráfico abaixo –ocorre uma tomada de consciência sobre a necessidade de se estudar o fenômeno e suas consequências. Baseando-se nesta afirmação, adota-se os anos 1950 como ponto de partida para um panorama histórico do Investimento Estrangeiro Direto (IED) em escala mundial, destacando o papel dos países em desenvolvimento como origem do
A evolução dos sistemas defesas antimísseis: um desafio a ser ultrapassado

A evolução dos sistemas defesas antimísseis: um desafio a ser ultrapassado

Marco Tulio Delgobbo Freitas, Renato Prado Kloss
Por Marco Tulio Delgobbo Freitas* Renato Prado Kloss** Com os recentes avanços do programa norte-coreano nuclear e a ameaça de seu líder Kim Jong-un, o mundo revive os dias de tensão da Crise de Mísseis de Cuba em 1962. A possibilidade de um ataque nuclear por meio de mísseis balísticos ainda é duvidosa, mas, no campo da ameaça – dissuasão – a guerra já começou. Mas, não há desespero, não devemos apertar os cintos, pois o piloto não sumiu. Hoje, estamos em uma etapa que mais parece um jogo complexo de xadrez, em que ambos lados, mostram suas armas. De um lado o míssil de Kim e de outro, um sistema de defesa que não é recente e tem uma longa trajetória. Como Sistema Antimísseis Balísticos funciona? Mísseis balísticos podem ser lançados a partir de uma variedade de plataformas, incluin
Em busca de segurança: o pleito da Turquia para entrar no guarda-chuva securitário dos EUA entre 1945 e 1952

Em busca de segurança: o pleito da Turquia para entrar no guarda-chuva securitário dos EUA entre 1945 e 1952

Vlademir Monteiro
Por Vlademir Monteiro* As necessidades securitárias da Turquia constituíram um aspecto central de sua relação com o Ocidente, no cenário posterior a 1945, tendo, inclusive, influenciado decisivamente seu alinhamento com o bloco no contexto da Guerra Fria. De acordo com Kösebalaban (2011), sua política externa, nesse período, manifesta a continuidade da prática de se valer de esquemas defensivos com alguma potência ocidental no intuito de fazer frente às hostilidades de outros Estados – e esse expediente era, com frequência, adotado pelo Império Otomano (o antecessor da República Turca) para contrabalancear a Rússia czarista. O principal fator desencadeador da aproximação da Turquia com o bloco Ocidental foi a ameaça soviética sobre seu território, mais precisamente, a intenção de Stálin
Paz violenta na América Latina: a disputa entre Chile e Bolívia pelas águas do Silala.

Paz violenta na América Latina: a disputa entre Chile e Bolívia pelas águas do Silala.

Rafael Paixão
Por Rafael Paixão* Os estudos de Segurança na América Latina têm sido dominados pela dinâmica da comunidade de segurança, que tem como pressuposto básico que os países da região caminham cada vez mais para o avanço da integração econômica, cooperação entre os países e uma maior institucionalização. No entanto, o uso da força militar é recorrente e as disputas militarizadas interestatais estão presentes com muita frequência na América Latina, como a disputa entre Chile e Bolívia pelas águas do Silala. David Mares (2001) desenvolve o modelo teórico da paz violenta para tentar responder por qual motivo os Estados da região usam a força militar uns contra os outros e mantêm, ao mesmo tempo, uma retórica da paz. A hipótese da teoria da paz violenta é de que os líderes usam a política extern
A Geopolítica do Conflito Sírio: interesses conflitantes e guerra assimétrica por procuração

A Geopolítica do Conflito Sírio: interesses conflitantes e guerra assimétrica por procuração

Elton Gomes dos Reis, Maria Carneiro de Albuquerque Franca
Por Elton Gomes dos Reis* Maria Carneiro de Albuquerque Franca** Guerra Civil na Síria e Fragmentação interna Em guerra civil desde 2011, quando, no contexto da Primavera Árabe, milhares foram às ruas de Daa’ra protestar contra a prisão de quinze estudantes por picharem frases anti-regime no muro de uma escola, a Síria tem vivido nos últimos seis anos um dos conflitos mais sangrentos da história recente. A situação no país, contudo, evoluiu e deixou de limitar-se apenas às suas fronteiras. A medida que o conflito foi se prolongando sem um vencedor, novos atores com variados interesses e poder de combate foram sendo adicionados ao cenário da guerra. Às forças do governo e aos rebeldes (personagens originais da contenda), somaram-se grupos paramilitares, grupos terroristas e atores Est
O neoliberalismo como agenda ideológica: para onde vai?

O neoliberalismo como agenda ideológica: para onde vai?

Ian Rebouças Batista
Por Ian Rebouças Batista* Ao desbancarem-se como potência unipolar global, entre a década de 1980 e 1990, os Estados Unidos da América sugerem ao Sistema Internacional um pacote de ditames onde o neoliberalismo se caracterizava como a roupagem econômica adequada para a globalização financeira. A operacionalização desses ditames se dá principalmente através do Consenso de Washington e das cartilhas de instituições financeiras internacionais, tal qual o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. É sobre a aparente crise recente deste modelo e os limites da ideologia neoliberal que se interessa este texto, baseado na ameaça de ondas conversadoras, protecionistas e antiglobalização que tomam o centro do sistema financeiro capitalista global. Termo utilizado “mais pelos seus crít
O Multiculturalismo e a fragmentação social no Mundo Pós-Moderno

O Multiculturalismo e a fragmentação social no Mundo Pós-Moderno

Matheus Leite do Nascimento
Por Matheus Leite do Nascimento* Ao fazermos uma delimitação cronológica, o Pós-Modernismo nasce já no final do século XX, sendo fruto de uma série de movimentos sociais e ramificações do âmbito político, tendo forte caráter identitário e sendo percursor de mobilizações em prol da igualdade. A pós-modernidade surge como alternativa de supressão ao período conhecido como “Modernismo”, negando suas noções idealistas de progresso pautadas na Razão Iluminista e incorporando premissas mais específicas de diferentes grupos sociais. Movimentos que preconizam a igualdade de gênero, como o feminista, além de outros étnicos, como o negro, surgem nesse contexto visando promover reformas importantes para a concretização de uma sociedade mais plena, em que essas minorias conquistariam maiores graus
Ascensão chinesa e o papel dos Estados Unidos: deep engagement ou offshore balancing?

Ascensão chinesa e o papel dos Estados Unidos: deep engagement ou offshore balancing?

Rafael de Moraes Baldrighi, Vítor Barreto Canoves
Por Rafael de Moraes Baldrighi* Vítor Barreto Canoves** Ao longo dos últimos cem anos, a grande estratégia dos Estados Unidos para conter potências que buscavam hegemonia regional caracterizou-se pela intervenção direta, o deep engagement (MONTGOMERY, 2014). São exemplos os casos da Alemanha de Guilherme II, na Primeira Guerra Mundial, bem como a Alemanha Nazista e o Japão Imperial, durante a Segunda Guerra, e, ainda, contra a União Soviética, na Guerra Fria (MEARSHEIMER, 2001). A situação atual dos Estados Unidos difere-se dos anteriores. Como a grande potência em um mundo unipolar no imediato pós-Guerra Fria, pós-atentados de 11 de setembro, com guerras dispendiosas no oriente médio e com a opinião pública questionando a grande estratégia de deep engagement, os Estados Unidos, agora,